Levantamento do Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRA’a) indica situação de alerta. Objetivo da pesquisa é traçar o mapa dos principais focos do mosquito da dengue em São João del Rei

Nessa época do ano, as chuvas ficam mais constantes, e o armazenamento desordenado da água aumenta a proliferação dos  focos de dengue pela cidade. O  Levantamento do índice Rápido do Aedes aegypti (LIRA’a) visa construir um panorama dos focos de maior risco dos casos de dengue em situação larvária, isto é, antes do Aedes virar um vetor da doença. Em São João del-Rei, o índice está em 1,2%, um pouco acima do limite para ser considerado satisfatório, que é de 1%.

O funcionamento do Lira’a se dá com o apoio de um programa de computador que relaciona os imóveis existentes em São João del-Rei. Cada equipe responsável pelo Levantamento fica a par de checar um extrato, com cerca de 8 mil imóveis, dentro do prazo pré-estabelecido. O próprio programa sorteia os imóveis que serão trabalhados em cada bairro: a cada 100 casas, 20 são analisadas.

Lixão aberto em terreno baldio no bairro Vila Santa Terezinha. FOTO/VAN: Camille Gallo
Lixão aberto em terreno baldio no bairro Vila Santa Terezinha. FOTO/VAN: Camille Gallo

Os resultados do LIRA’a tiveram situação considerada quase satisfatório. Foram encontrados 23 focos larvários, nos seguintes bairros: Água Limpa, Alto das Mercês, Araçá, Cidade Nova, Dom Bosco, Bom Pastor, Fábricas, Guarda Mor, Lava pés, Jardim Nossa Senhora de Fátima, Solar da Serra, Senhor dos Montes, Vila Santa Terezinha e Maquiné. Em todos os casos, foram detectados focos em caixas d’água, tanques e barris.  Ainda assim, é importantíssimo redobrar atenção na hora de vedar os locais com possíveis acúmulos de água

Segundo o responsável pela coordenação do setor de Endemias de São João del Rei, Jean Alex Vilela, apesar dos resultados do segundo LIRA’a não serem alarmantes , o número de casos de dengue em 2016 preocupa. Até o momento já foram notificados 2.265 suspeitas de dengues, desde janeiro. Desse dado, 1.546 já foram confirmados.

A causa específica para o grande número de casos da doença ainda é o depósito incorreto da água nas residências ou nos terrenos baldios. “A gente solicita ao cidadão que abrace a causa. Temos as leis municipais, estaduais, federais, mas a pessoa deve zelar pela própria vida”, relata o coordenador.

 

Atenção aos bairros

Agente de saúde retirando pneu velho de terreno baldio. FOTO/VAN: Camille Gallo
Agente de saúde retirando pneu velho de terreno baldio. FOTO/VAN: Camille Gallo

A prioridade do LIRA’a é dar atenção aos bairros que possui o maior número registrado de dengue ou que já tiveram causa de morte por conta da doença. Contudo, por São João del-Rei vivenciar um quadro de epidemia, todos os bairros estão sendo vistoriados e atendidos  de forma equiparada.

O agente de combate a endemias e participante do LIRA’A, Lucas, destaca a atuação deste nos bairros da cidade. Para ele, “as pessoas ainda deixam de prevenir em relação ao mosquito, pois geralmente o morador não se preocupa com sua própria casa”. E faz recomendações como “ficar sempre de olho com a água parada, usar o repelente e ter mais atenção no assunto, ajudando a combater”.  Lucas enfatiza ainda a importância da atenção que se deve dar à doença e às formas de prevenção.

Os resultados analisados do levantamento ajudam na ações pós-LIRA’a realizadas pelos agentes de saúde. Essas ações visam combater de forma mais eficaz os maiores focos de mosquito nos bairros, de acordo com as especificidades de cada um. Por exemplo, se em determinado bairro foi notificado um maior foco de dengue por conta do acúmulo de água nos lixos a céu aberto, o tratamento adequado será voltado para o lixo.

Dengue se combate todos os dias. Assim como afirma Jean, “não adianta trabalhar dengue só no verão e no inverno esquecer, porque no inverno a fêmea está depositando seus ovos”, por isso é recomendável sempre a atenção em relação aos cuidados com a proliferação do mosquito e, posteriormente, da doença.

 

Medidas preventivas

Para minimizar as ocorrências das doenças que o mosquito Aedes aegypti causa, algumas medidas preventivas devem ser tomadas. Não deixar água parada, vedar hermeticamente caixas d’águas, tonéis, tanques e barris, evitando assim que o mosquito fêmea da espécie deposite os seus ovos.

Medida preventivas contra a dengue. ARTE/VAN: Laila Zin
Medida preventivas contra a dengue. ARTE/VAN: Laila Zin

Garrafas devem ser colocadas de cabeça para baixo; a água dos vasos de flores, descartada. Em caso de acúmulo de pneus, entregá-los à equipe de limpeza ou guardar em local fechado – quando deixados em terrenos baldios ou até mesmo a céu aberto, podem acumular água e favorecer o aumento de casos de dengue. A limpeza das calhas deve ser rotineira, bem como de outros depósitos de água. O lixo deve ser mantido em sacos plásticos e devidamente fechado.

 

Programa de Combate à dengue – PCD

Alex destaca também o Programa de Combate à Dengue pela qual São João trabalha. Este de caráter permanente não sofre interrupções em suas ações, tem-se um total de 64 profissionais, com equipes especializadas na organização do programa e outras que cobrem o perímetro urbano do município através dos focos de dengue.

 

Mobilização da população

Há uma crescente mobilização a fim de conscientizar as pessoas sobre o tratamento efetivo dos focos de dengue na cidade. A secretaria de saúde de São João del Rei também fica responsável por incentivar as propagandas sobre os cuidados com o mosquito Aedes Aegypti, os sintomas da doença e o possível tratamento, dentro da educação, desde pré escolar até nível superior. Há também palestras que são feitas durante o ano, com a finalidade de mobilizar,  principalmente os adultos, sobre a doença e as medidas preventivas.

TEXTO/VAN: Beatriz Estima e Camille Gallo

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