Mais que um espaço de aprendizado, um espaço de transformação

 Por Andhrey Taier

Com mais de uma década de história, o Cursinho Popular Edson Luís (CPEL) é um projeto de extensão da UFSJ (Universidade Federal de São João del-Rei), onde alunos do ensino superior lecionam para vestibulandos em situação social vulnerável. Com uma média de 50 alunos por ano, o projeto busca mostrar como a universidade é um lugar para todos, e também transmite uma visão de mudança e transformação possíveis através da educação.

No início era  apenas de uma iniciativa promovida por esses universitários, com a ideia de “Levar o povo e a classe trabalhadora para a universidade”, como cita Thiago Malverde, educador do Cursinho e aluno do curso de biologia. O CPEL só chegou a ser vinculado à UFSJ posteriormente. Através desse vínculo, o projeto passou a receber recursos através da PROEX (Pró-reitoria de Extensão e Cultura), e conseguiu se instalar no Campus Dom Bosco (CDB), onde as aulas ocorrem atualmente. Esse novo espaço propicia, ainda mais, a missão do Cursinho, uma vez que estreita a relação dos alunos com o ambiente universitário, seja pela interação com o espaço do Campus ou com aulas em laboratórios, por exemplo.

Apesar disso, o CPEL ainda conta com doações e vaquinhas promovidas pelos educadores, a fim de promover cada vez mais um ambiente agradável e acolhedor para os alunos.

São diversos aprovados a cada ano. Segundo Pedro Sávio, discente de Psicologia e educador de núcleo, nos últimos anos se manteve uma média de 30 aprovados em vários cursos, mesmo durante a pandemia, quando as aulas eram feitas de forma remota e havia inúmeros empecilhos devido a falta de recursos.

O Cursinho conta com uma média de 40 educadores e recebe alunos de toda a região das Vertentes. Suas vagas são focadas naqueles em situação de maior vulnerabilidade, seja em questão financeira ou em relação à sexualidade, gênero ou etnia. Seus critérios seguem a premissa da iniciativa do CPEL, buscando “Dar voz aos silenciados” e uma nova perspectiva de vida através do ensino e da educação.

Mesmo sendo um cursinho popular, ou seja, gratuito, conta com um problema recorrente de evasão escolar. Isso se tornou mais evidente ainda durante a época de pandemia, onde vários alunos acabaram deixando as aulas por não terem recursos para as acompanhar. A evasão não afeta apenas o Cursinho, mas sim, toda a área da educação, evidenciando o quanto a busca pelo conhecimento é elitizada.

Dentro do próprio CPEL ex-educadores e ex-alunos promovem pesquisas sobre essa situação, desenvolvendo estudos e trabalhos sobre o quanto a desigualdade social afeta a formação do cidadão.

O Cursinho também carrega o objetivo de formação dos alunos da licenciatura como educadores. “Eu que sou professor, entendo hoje que grande parte da minha formação é pelo Cursinho Popular”, relembra Thiago Malverde. Ele também cita que é dentro do CPEL que se vê de fato como o educador que sempre quis ser, onde mais do que apenas entregar o conteúdo que vai ser usado nos vestibulares, ele pode transmitir o conhecimento de forma que o aluno possa trazê-lo à sua realidade e se tornar protagonista, uma vez que a educação sofre com o sucateamento constante.

Segundo Pedro Sávio a principal mensagem que o CPEL transmite, tanto para seus alunos quanto para a sociedade como um todo, é o de transformação: “Porque, enfim, a educação popular vem muito desse lugar de entender quais são os desafios que eles (alunos) enfrentam na vida deles, e junto deles fazer com que venham a esse mundo universitário entendendo que são protagonistas. É quando eles assumem esse lugar de protagonismo que nossa missão está cumprida”

Confira um pouco do trabalho realizado pelo Cursinho Popular:

Fotos: Reprodução/ Acervo pessoal

Serviço

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