Por Daniel Gannam

Santo Antônio de Lisboa com o Menino Jesus.

Neste sábado (13), celebra-se o legado de um santo que marca a tradição católica há séculos: Santo Antônio. Mas o que torna o “santo casamenteiro” tão atemporal perante todo o espectro do catolicismo?

Nascido em Lisboa, ao fim do Século XII, Fernando Martins de Bulhões sempre se destacou por sua fé e inteligência. Desde seus 15 anos de idade, passou a frequentar espaços católicos que lhe trouxeram um contato ainda mais próximo com sua fé. Nesse meio tempo, aprimorou seu domínio sobre as escrituras católicas, e passou a utilizar sua oratória como método de propagação de suas crenças. 

Entretanto, a alcunha de “martelo dos hereges” não é a única com a qual Fernando é recordado. Devido ao seu zelo apostólico, Santo Antônio tornou-se símbolo de esperança nas relações matrimoniais. Por seu apoio a mulheres que não tinham dote para realizar este sacramento, muitas pessoas depositam suas preces no “santo casamenteiro”. Apesar da simpatia não ser fundamentada nas escrituras, o costume popular ajudou a edificar sua imagem no ideário religioso. 

Além disso, o processo de santificação da Igreja Católica exige a comprovação de milagres pelos santos. No caso de Santo Antônio, o milagre atribuído a ele foi o de ter ressuscitado um garoto afogado. Naquela situação, a mãe do menino prometeu distribuir uma quantidade de pães equivalente a seu peso, caso o encontrasse vivo. Desde então, a distribuição do alimento é associada à figura de Fernando. 

Em tempos de efemeridade das relações, há aspectos dessas histórias que podem ser proveitosos para a sociedade. A partilha do alimento como ato genuíno de solidariedade, assim como a compreensão com pessoas em situação desfavorável socialmente, excedem o espectro religioso e servem de ferramenta para a construção de um mundo mais coercitivo. Santificado um ano após sua morte, Santo Antônio ganha destaque especial no dia de hoje. Mas seus ensinamentos e práticas, quando utilizados no cotidiano, mostram como a fé pode fomentar o compadecimento dos excluídos, esperança para os feridos e devoção popular.