Por Ana Luiza, Lucas Simões e Tomaz Jaeger

Foto/Reprodução: @ucanfight

Embora seja uma modalidade olímpica e uma das artes marciais mais praticadas no mundo, o taekwondo ainda busca maior espaço e reconhecimento em muitas cidades do interior brasileiro. Em São João del-Rei, atletas e professores mantêm vivo o esporte por meio de treinamentos, projetos e participação em competições nacionais e internacionais, contribuindo para o crescimento da modalidade e para a formação de novos praticantes. 

Neste ano de 2026, o atleta Cleiton Oliveira participou da competição mais importante do continente americano, o Pan-Americano de Poomsae realizado no estado do Rio de Janeiro, saindo vitorioso com simplesmente a medalha mais importante da competição, a medalha de ouro. 

Em entrevista o atleta conta como foi a experiência e como tem se dedicado a cada ano para a evolução individual e profissional diante de competições tão importantes como está.

Ao ser questionado, sobre seu pensamento na hora da vitória e como o título é simbolizante para o próprio o atleta não escondeu sua alegria e orgulho:

“No momento da vitória, passou um verdadeiro filme pela minha cabeça. Já venho treinando e me dedicando há muito tempo com esse objetivo. 

Quando conquistei essa medalha, senti que estava confirmando um objetivo que tracei para mim mesmo. O Pan-Americano foi a primeira grande etapa desse caminho. Agora, o foco é continuar treinando para o Campeonato Mundial, que acontecerá em setembro, na Coreia do Sul.”

A competição deste ano, teve a participação de 15 países, trazendo o Brasil com o maior destaque no quadro de medalhas da competição com 8 medalhas de ouro, 5 de prata e 5 de bronze totalizando 18 medalhas para a equipe brasileira.

Dentro da equipe, um dos medalhistas de ouro foi o atleta Cleiton, de São João del-Rei, que trouxe muito orgulho para sua cidade.

Ao ser questionado sobre os desafios que o atleta passou para chegar até o resultado final da competição ele explicou:

“Os treinamentos são diários e extremamente exigentes. Existe uma busca constante por conhecimento e por estar cercado de profissionais qualificados. Isso exige muitas renúncias.

Mas, sinceramente, o maior desafio tem sido o financeiro. O treinamento físico eu gosto de fazer e já estou acostumado. O mais difícil é conseguir patrocínio e recursos para custear viagens e competições. Essa parte gera muitas incertezas e acaba desgastando bastante o psicológico”

Um dos principais fatores que o ajudaram a chegar a este ponto de sua carreira foi sua família. Ele conta como sua família o ajuda e como é a principal base para se tornar um atleta melhor com o apoio familiar:

“Minha família é tudo para mim. Eles são minha referência e meu maior apoio.

Hoje eu vivo do ensino do taekwondo e da administração da academia. Quando preciso viajar para competir, é minha família quem assume as responsabilidades e mantém tudo funcionando. Eles cuidam da academia, organizam as coisas e garantem que tudo continue em ordem enquanto estou fora.

Esse suporte me dá tranquilidade e confiança para viajar e buscar bons resultados nas competições internacionais”

Dentro da competição de Poomsae, foram mais de 20 atletas convocados para a participação do Pan-Americano de Taekwondo, dentro deles 3 levaram a medalha mais importante para sua cidade, o atleta São-joanense conta como foi representar o Brasil e São João del-Rei dentro da competição:

“É uma satisfação enorme. Sempre fico muito feliz por representar minha cidade e meu país.

Existe uma alegria muito grande em representar o Brasil, transmitir valores através do esporte e servir de referência para outras pessoas. Isso envolve amor pela pátria, pelo esporte e por aquilo que o taekwondo representa.”

A vitória no Pan-Americano mostra à Minas Gerais e ao Brasil que o taekwondo merece mais reconhecimento como um esporte olímpico em comparação à outros esportes similares. O atleta comentou como essa medalha influência no crescimento do esporte:

“Acredito que essa conquista ajuda a divulgar ainda mais o taekwondo e mostrar que São João del-Rei e Minas Gerais possuem grandes talentos. Também tenho percebido um aumento na procura pelos treinamentos e também um interesse maior pela modalidade. Isso contribui para formar novos atletas e fortalecer o esporte. 

O mais importante é mostrar o verdadeiro valor da arte marcial e destacar que existem muitas pessoas competentes trabalhando e se desenvolvendo dentro desse esporte.”