Visibilidade na democracia
Por Alessandra Silva, Dirceu Vieira e Lídia Oliveira

Em meio às disputas eleitorais e debates polarizados, a diversidade surge como um pilar fundamental para garantir a democracia na sociedade brasileira. Perante essas situações, discussões que revelam a importância da inclusão, educação e visibilidade de grupos marginalizados tomam força no cenário político. Nesse contexto, a deputada estadual Duda Salabert (PSOL), que se apresenta como uma mulher transgênero no cenário político brasileiro, professora de Literatura, militante ambiental e da causa dos animais, insere-se como defensora de uma política voltada para a educação pública e gratuita, para a democracia e representatividade, e para a defesa do meio ambiente.
Segundo dados de 2023 do Censo da Educação Superior, apenas um a cada quatro jovens têm acesso à educação superior, enquanto uma parcela significativa não concluiu nem a educação básica. A desvalorização da ciência e da educação, aliada à desigualdade social, está entre os fatores que fomentam essas estatísticas. Nesse cenário, as universidades apresentam um papel importante para a garantia de uma sociedade e política mais diversa, como é defendido por Duda em suas visitas às universidades de Minas Gerais no último mês de março (mês internacional da visibilidade lgbtqiapn+). Sobre a importância da educação, a deputada diz:
“Não tem como transformar o país sem uma universidade forte. É uma ilusão achar que o Brasil vai ficar rico vendendo montanha moída ou transformando nossos biomas em pastos. O que vai fazer o Brasil ficar rico é produzir ciência, tecnologia e inovação”
A situação política no Brasil revela-se também excludente, pouco diversa e reflete essa desigualdade no âmbito da representatividade política institucional. Mulheres cis e trans, lésbicas ou mesmo heterossexuais, assim como homens trans e homens cis homossexuais são minorias númericas no cenário político atual, o que é ainda mais evidente no caso de pessoas negras lgbtqiapn+. Isso dificulta a conquista, a implementação e a manutenção de direitos sociais adquiridos que, embora pareçam ser direcionados para essa parcela cidadã, amplifica-se, uma vez que a base da democracia é justamente a coexistência entre as diversidades.
Um dos fatores mais explícitos na percepção dos prejuízos democráticos tem sido evidenciado no comportamento misógino como base das opressões engendradas por políticos conservadores de direita. Violências dessa ordem têm sido frequentes nos espaços políticos institucionais, desde câmaras de vereadores até o congresso nacional, assim como nas universidades e outros ambientes de educação. Em relação à violência e à falta de representatividade, Duda expõe:
“Não há democracia sem diversidade.[…] todo esse ambiente da violência e do ódio é consequência da crise do neoliberalismo que a gente vive, que tem como resultado um ataque ainda maior às minorias”
Outro aspecto importante a ser considerado neste cenário como um todo é a redução no número de leitores no Brasil como um fator relevante no desafio de compreensão sobre democracia e liberdade no país. Dados da 6ª edição da Pesquisa Retratos de Leitura no Brasil revelam que 53% dos brasileiros não leram nos 3 meses anteriores à publicação do estudo. Essa queda no hábito de leitura apresenta um impacto na formação de pensamento crítico de uma sociedade que fica vulnerável às informações difundidas nas mídias sociais, aumentando o risco da circulação das “fake news”.
O aumento na circulação de notícias falsas em períodos eleitorais é uma preocupação em relação aos resultados nas urnas eletrônicas, influenciando diretamente nas escolhas das candidaturas por parte do eleitorado. Diante desse cenário, Salabert defende a importância de políticas públicas que valorizem e ampliem a educação no país, de modo que se assegure a democracia brasileira e a ética nos processos eleitorais.
“A gente vê um desmonte da educação pública, um sucateamento das universidades. Isso é muito ruim. Isso afeta diretamente a leitura, a dimensão simbólica. Por isso que, neste ano de eleição, é importante a gente pensar, antes das pessoas, em projetos. Qual projeto vai valorizar a educação, a leitura, a educação pública no país e um outro modelo econômico que fomente uma educação de qualidade?”
Em um momento decisivo para o país, torna-se essencial que uma democracia ampla, e irrestrita seja pensada e articulada visando ao bem estar de toda a população brasileira, sem a exclusão de grupos socialmente minorizados. Nesse contexto, conscientizar o eleitorado em relação ao diverso e à pluralidade pode conduzir o pensamento crítico a uma construção de cidadania que demonstra um crescente interesse em candidaturas que apresentem projetos e discursos que têm como objetivo as implementações de melhorias para grupos historicamente marginalizados, como a comunidade lgbtqiapn+, pessoas negras e pessoas com deficiências. O fortalecimento desses debates é um passo fundamental para construção de uma sociedade mais justa, livre, representativa e democrática.
