Trânsito Caótico vira risco diário
Por Larissa Dias Da Rocha

Sair de casa e chegar ao destino com tranquilidade tem sido cada vez mais difícil para quem vive em São João del-Rei. Entre congestionamentos, atrasos e situações de risco, o trânsito da cidade deixou de ser apenas um incômodo e passou a fazer parte das preocupações diárias dos motoristas.
Dados do Observatório de Segurança Pública de Minas Gerais demonstram cerca de 149 acidentes em 2026. Os tipos de ocorrências mais registradas são colisões entre veículos, quedas de motociclistas , atropelamentos e choque contra obstáculos fixos .
Este número acende o alerta para a segurança viária no município
Além da quantidade de acidentes, motoristas também apontam que o trânsito tem se tornado cada vez mais lento e desorganizado, principalmente em horários de pico.
Pontos críticos do trânsito
A Avenida Leite de Castro é uma das vias mais movimentadas da cidade, concentrando grande fluxo de veículos. No entanto, ela não é a única área afetada pelos problemas de trânsito. De acordo com Márcia Hirata, professora de Arquitetura e Urbanismo ouvida pela reportagem, São João del-Rei enfrenta dificuldades estruturais antigas, agravadas pelo crescimento urbano desordenado e pela falta de planejamento eficaz.
Esses problemas podem ser observados em pontos como o cruzamento do CTAN e o cruzamento da UPA, que também sofrem com intenso movimento de veículos e conflitos no tráfego.
“São João é uma cidade linear. Todas as pessoas vão para o eixo principal, que pega a Avenida 31 de Março. É como se fosse uma espinha de peixe. Isso acaba gerando entroncamentos, como na Ponte do Bezerrão e ali na linha do trem. ” O pessoal não consegue desfazer esses impasses”, avalia a professora.
Ela também critica o excesso de veículos e a falta de política pública para o transporte coletivo. “O uso excessivo do automóvel, a falta de uma política pública de transporte público e o incentivo ao uso do carro são problemas graves. Cada um tem um carro. Isso é inviável para a mobilidade.” Comenta
Fala dos trabalhadores do trânsito
Quem vive na pele as dificuldades do trânsito são os profissionais que dependem das ruas para trabalhar. O mototaxista Ronald relata os prejuízos causados pelos congestionamentos.
“É difícil , trabalhamos dirigindo moto táxi e sempre atrasamos. Por exemplo, você vai pegar uma pessoa em tal lugar, marca um horário, mas o trânsito está ruim e não dá para chegar na hora certa”, afirma.
A situação também afeta outros trabalhadores que dependem da mobilidade urbana. Marcela comerciante da região relata que os congestionamentos frequentes dificultam sua rotina de trabalho.
“Nos horários de pico, o trânsito fica muito lento. Muitas vezes chego atrasada ao meu trabalho e meus funcionários também as vezes acabam chegando depois do horário por causa do trânsito”, comenta.
O cenário não é bom também para quem usa a bicicleta como meio de transporte. Marcelo um ciclista, que circula diariamente pelo bairro Matosinhos ao centro afirma que a falta de respeito no trânsito é generalizada:
“Os motoristas não respeitam nada , eu observo que nem dão preferências para os pedestres atravessar.”
A fala do ciclista ecoa a avaliação da professora de arquitetura , que também aponta a falta de segurança para quem anda a pé. “Ali na Ponte do Bezerrão, é horrível para pedestres eles não conseguem atravessar direito. Os motoristas não respeitam. Mesmo na faixa, só em alguns lugares o pessoal para.” afirma .
Crescimento urbano e falta de planejamento
A especialista explica que o crescimento urbano de São João del-Rei, baseado em loteamentos distantes e sem infraestrutura, força as pessoas a se deslocarem cada vez mais, geralmente de carro. “Esses loteamentos novos não têm acesso ao transporte público.E as pessoas têm necessidade de se deslocar , e isso só facilita o transporte individual.”
Ela também aponta falhas no planejamento urbano. “Não é que falte planejamento. Existe um planejamento ,o centro é todo regrado pelo IPHAN, mas nas áreas distantes não há fiscalização. O planejamento público, de fato, não é do interesse. Resolve-se na base do privilégio e da desigualdade.”
Consequências para o futuro
Se nada for feito, as consequências para a cidade podem ser graves. Alerta a professora Márcia Hirata “A tendência é piorar vai aumentar o número de acidentes e a saúde das pessoas .“
Ela defende medidas urgentes como a contratação de uma engenharia de trânsito especializada, melhoria na sinalização, semáforos bem ajustados e campanhas de conscientização tanto para moradores quanto para o crescente número de turistas que visitam a cidade.
“O que a gente vê nessa gestão é mais incentivo à cultura. Os turistas aumentaram muito, mas eles não sabem dirigir na cidade. Isso aumenta a situação de risco. É preciso pensar em políticas públicas municipais, estaduais e federais. E seguir os planos de mobilidade que já existem, mas que não são colocados em prática.” diz .
Enquanto isso, pedestres, ciclistas e motoristas seguem dividindo o mesmo espaço , cada vez mais tenso e perigoso nas ruas da cidade históricas de São João del-Rei.
