Cinema e arte, como será o futuro do audiovisual brasileiro e obras inovadoras marcam o dia dois da Mostra.

Por Bruno Nézio

Dia 20 de janeiro marcou o primeiro dia com programação completa da 27ª Mostra de Cinema de Tiradentes. Diversos debates com organizadores e  figuras políticas envolvidas com o cenário cultural brasileiro marcaram as salas que promovem discussões e análises sobre o atual momento da arte brasileira.

A tradicional cidade mineira conhecida por sediar eventos turísticos, abraça a mostra como se fosse um evento permanente. As ativações mostram como o cinema importa para todos os presentes. A praça, que ao longo do ano recebe tantas ativações, teve a estreia do Cine Copasa na Praça. Compondo a Mostra Homenagem, houve a exibição de um curta clássico, Fantasmas, e um longa que teve uma de suas primeiras exibições em Tiradentes, O dia que eu te conheci – ambos dirigidos por André Novais de Oliveira.

Enquanto isso, no cine-lounge o convidado, Matheus Nachtergaele, fazia um panorama sobre sua carreira. Com um espaço lotado, o ator relembrou papéis clássicos, e falou dos desafios de furar a bolha entre teatro, cinema e televisão. Futuros projetos também foram abordados, como o Auto da Compadecida 2 e parceiros de longa data em seu trabalho.

No segundo dia de evento, o ator Matheus Nachtergaele relembrou sucessos de sua carreira. – Foto: Isabela Barbosa

Integrando a programação do cine-tenda, curtas e longas foram exibidos ao longo do dia. Compondo a Mostra Autorais, Guto Parente com sua mais nova criação “Estranho Caminho”, apresentou uma obra sobre fantasmas e perdas, a nostalgia e o poder da reconciliação. Assim como seu parceiro em “Inferninho”, Pedro Diógenes apresenta um filme comentando a relação entre um pai ausente e seu filho. 

Se em “A Filha do Palhaço” Pedro utiliza da figura paterna para criar um ambiente de acolhimento, Guto Parente cria um lugar menos amigável para o filho David, interpretado por Lucas Limeira. Confrontado com uma cidade, Fortaleza, em lockdown por conta da pandemia de Covid-19 e com o voo cancelado, a obrigação de conhecer e confrontar o pai interpretado por Carlos Francisco se torna inevitável. 

Já no segundo longa, Tudo o que você podia ser, dirigido por Ricardo Alves Jr.  e integrante da Mostra Autorais, o espectador é transportado para a capital de Minas Gerais e conhece quatro amigas. Por mais que suas histórias muitas vezes sejam contadas separadamente, o mais importante aqui é o retrato singelo sobre o companheirismo e a importância do outro como suporte.

Na última sessão, Cristina Maure transforma as linhas férreas de Minas Gerais em um espaço de encontros e descobertas. Na estação de Vila Clemência, Sofia, na espera do próximo trem, se vê obrigada a conviver com pessoas que passam pela mesma situação em um hotel da Companhia Ferroviária. “A Estação” retrata paciência e empatia, a importância do esperar e de confrontar os medos. Participe da Mostra e descubra o cinema brasileiro!

A 27ª Mostra acontece, gratuitamente, até o dia 27 de janeiro! Participe! – Foto: Isabela Barbosa

Serviço

27ª Mostra de Cinema de Tiradentes
19 a 27 de janeiro – Tiradentes
Evento gratuito
Programação completa:  mostratiradentes.com.br/programacao/
@universoproducao