Projeto Aya retoma as atividades e abre inscrições para novas voluntárias.
Por Alessandra Silva

O Projeto Aya voltou neste mês de Julho às suas atividades após uma pausa nos seus trabalhos. Com o objetivo de acolher mulheres socioeconomicamente vulneráveis, a iniciativa realiza a distribuição de kit de higiene e promove rodas de conversas com especialistas na área da saúde, de forma que consiga tirar as dúvidas da população e acolher as participantes.
Criada em 2023 pela estudante de Comunicação Social pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), Ana Luiza Fagundes reparou no descaso que a comunidade feminina enfrentava na região e na falta de apoio recebido por elas. Com atuação no bairro São Dimas, a iniciativa sem fins lucrativos iniciou seus trabalhos com rodas de conversas quinzenais, com público alvo as mulheres negras da região. Nos encontros, médicos ginecologistas informaram e tiravam dúvidas das participantes, além da promoção de um clube do livro para que todas pudessem ter acesso a cultura e informação. Apesar dos trabalhos realizados, o foco principal da equipe era promover um espaço de acolhimento para os integrantes e suas respectivas famílias.
Ao longo de sua atuação, Ana Luiza conta que percebeu o surgimento de outro eixo emergente: a dignidade menstrual. Ao lado de outras voluntárias, o projeto aumentou sua cobertura na cidade e iniciou a distribuição de kits de higiene íntima, com sabonetes e absorventes. Dessa forma, foi criada uma divisão específica dentro da iniciativa responsável por organizar e realizar as ações voltadas a essa área.

A atual vice-presidente do projeto, Lara Reis, conta que iniciou os seus trabalhos no AYA quando a Ong que fazia parte (também voltada para a dignidade menstrual) fechou as portas. E apesar do encerramento das atividades, ela não conseguia deixar de lado as mulheres assistidas pela instituição. Dessa forma, ao lado da atual presidente e da voluntária Kessia Carolaine, elas decidiram realizar a integração dos projetos e dar continuidade aos trabalhos.
“Ao longo do projeto, criamos uma relação muito especial com algumas de nossas assistidas e é sempre uma alegria imensa vê-las chegando para a distribuição, trocar uma boa conversa sobre as coisas da vida e rir um pouco” Lara Reis
Em conversa com as organizadoras, elas relatam que hoje o objetivo delas é lubrificar a engrenagem de um sistema que coloca pessoas a margem da sociedade, que precisam lutar para ter seus direitos básicos garantidos. Durante toda sua trajetória, parcerias como com a Marcha das Mulheres, Gbalá, Movimento Negro de São João del-Rei e Cufa, reforçaram a importância e o impacto de iniciativas como essa para sociedade.

Após um tempo com as atividades paralisadas, hoje o projeto volta em sua atividade e está em busca de novas voluntárias para o auxílio em seus trabalhos e continuidade do legado construído. Com cerca de 16 assistidas, a iniciativa busca ampliar sua rede de assistidas em toda cidade e manter a distribuição do Kit Higiene, além de orientar sobre outras formas de direitos básicos, como o Programa Dignidade Menstrual, que apesar de suas limitações, a ampliação de políticas públicas contribui para a promoção de autonomia e reduzir a dependência exclusiva do Projeto Aya, como comentou Lara.
Para se tornar uma voluntária, o interessado deve acessar as redes sociais do projeto (@projetoayasjdr) e solicitar o formulário de inscrição. Vale salientar que a participação concede um certificado com horas de extensão para os universitários interessados. Já para se tornar uma assistida da Aya, a interessada deve entrar em contato através do instagram da iniciativa e dessa forma, será orientada por uma das participantes sobre como dar continuidade na sua participação.
