Por Ana Laura Garcia, Ana Luiza Pereira, Isabella Silva 

Foto/reprodução: all.accor.com

O mês de junho chegou, e ao contrário do que muita gente pensa, esse não é apenas o mês que marca o início da Copa do Mundo e das tão amadas festas juninas, é também um período de celebração de uma parcela significativa da população: o Mês do Orgulho LGBTQIA+.

Não é atoa que junho foi escolhido. Na verdade, a data marca uma homenagem à Revolta de Stonewall, acontecida no mesmo mês em 1969 em Nova Iorque, Estados Unidos. Na década de 1960, a homossexualidade era criminalizada no país, por conta disso, bares e espaços destinados ao público homoafetivo eram constantemente invadidos por policiais que prendiam seus frequentadores. Certo dia essas pessoas decidiram resistir, e foi assim que se iniciou a Revolta. Após um ano do ocorrido, aconteceu a primeira Parada do Orgulho Gay para relembrar a data.

No Brasil, o movimento começou de forma mais tardia em comparação aos Estados Unidos. A mobilização ganhou força na década de 1970 com a criação do grupo Somos, composto majoritariamente por homens homossexuais que enfrentaram a ditadura militar para reivindicar direitos fundamentais. Em meio à repressão política, a organização pressionava a sociedade por uma revolução nos costumes, colocando em xeque o conservadorismo da época.

Ao entrar na década de 1980, o movimento conquistou ainda mais visibilidade e força. Foi nesse cenário, em 1983, que o país viveu o seu próprio “Stonewall”. O estopim ocorreu no Ferro’s Bar, um tradicional reduto de lésbicas e feministas em São Paulo entre as décadas de 1960 e 1990. Antigo ponto de encontro de militantes comunistas antes do golpe de 64, o espaço tornou-se berço do GALF (Grupo de Ação Lésbico-Feminista), uma das primeiras organizações de articulação política homossexual do país.
A resposta à hipocrisia e às violentas expulsões veio no dia 19 de agosto de 1983. Cansadas da repressão, as militantes ocuparam o espaço, tomaram a palavra e leram um manifesto histórico pelos direitos das mulheres lésbicas. O episódio não apenas transformou o Ferro’s Bar em um marco, mas serviu de combustível para que outros grupos da comunidade erguessem a voz na luta por liberdade e dignidade.

A comunidade LGBT sempre esteve lutando por direitos dentro da sociedade. Após a ditadura, muitos grupos começaram a ter mais voz na sociedade brasileira, como o MHB (Movimento Homossexual Brasileiro), que esteve presente na luta contra o preconceito, no combate e prevenção à AIDS e na assistência para os portadores do vírus HIV.

Mesmo com avanços na época, a própria comunidade acabava deixando alguns grupos em exclusão, como as pessoas transexuais, que eram constantemente vítimas de opressão e violência vindo da sociedade e de policiais.

A partir da década de 1990, o movimento LGBT começou a ganhar mais visibilidade e força, tanto na defesa dos direitos sexuais quanto na organização social e política do país. A diversidade, no entanto, não possui razões de celebração quando não é acompanhada da visibilidade dessas pessoas. Discriminação não acontece apenas dentro de casa ou nas ruas. Ela atinge também o local de trabalho e formação profissional, o campo de saúde, e os espaços de lazer que, na maior parte das vezes, são negados o acesso justamente pela maneira como alguém identifica-se no mundo. Embora São João del-Rei seja apresentada como exemplo ao ser a primeira cidade mineira a conter um Conselho Municipal LGBT, existente desde 2013, não há muitos registros públicos de ações feitas em prol da comunidade.

Pelo contrário, a vivência de quem representa uma quantidade significativa na população da cidade pode ser descrita como injusta. Não se completou nem um ano desde que uma das ruas mais populares da cidade, a Rua da Cachaça, foi marcada por um ato de violência contra uma mulher transexual e nenhuma consequência ocorreu desde então para que os responsáveis respondessem à lei. Para turistas e novos moradores da cidade, aquele local é somente motivo de festa e consumo. Mas para pessoas cuja existência é tratada com tamanho desprezo, tornou-se mais um motivo de desconfiança, mesmo com a existência de uma lei municipal que pune a discriminação, Lei 4.172, popular como Lei Rosa, e movimentos sociais contra a LGBTfobia. É nítido que faltam muitos passos a serem dados para que haja, de fato, motivos para se orgulhar da segurança e das oportunidades.

Apesar de tanto conservadorismo presente na cidade, Minas Gerais abriga a segunda maior parada LGBTQIA+ do país. Sediada em Belo Horizonte todos os anos no terceiro domingo de julho, foi oficializada como Dia Municipal da Parada no início de 2026. Apesar de Minas também estar no topo da lista de estados com mais processos judiciais ligados à LGBTfobia, de acordo com dados levantados pela empresa Escavador em 29 de abril, ainda há resistência e, por enquanto, pequenas conquistas. É uma luta que não deveria ser árdua, mas que continuará sendo lembrada além desse mês e dos dias destinados para o orgulho LGBTQIA+.Com o avanço das pautas, a comunidade conseguiu marcos históricos, como o direito de casais homoafetivos e o reconhecimento das uniões entre pessoas do mesmo sexo pelo STF a partir do ano de 2011.

Então uma das leis mais importantes para a comunidade, a LGBTfobia. Em 2019, no dia 13 de junho, 8 dos11 juízes do STF acreditavam que faltava uma lei específica, a LGBTfobia foi considerada como crime de racismo, colocando mais uma vitória e proteção para a comunidade LGBTQIA+