Negação e lealdade
Por Daniel Gannam

O mês de junho é repleto de celebrações que têm origem no catolicismo. Nesta segunda-feira (29), comemora-se o dia de São Pedro, o primeiro papa da Igreja Católica. Ainda nesse dia se celebra também em memória de São Paulo, que junto à Pedro teve seus restos mortais carregados nas catacumbas de São Sebastião, em Roma, no ano de 257.
Nascido no fim do século 1 a.C, Pedro recebeu o nome de Simão em seu nascimento. Encontrou pela primeira vez com Jesus, em um dia comum, onde pescava junto a seu irmão. Ao atender seu chamado, os irmãos deixaram de pescar, e dali em diante, tornaram-se apóstolos de Cristo.
Com o tempo, virou líder dos apóstolos, conforme exemplificam diversas passagens da bíblia. A dedicação e apreço de Pedro por Jesus levaram-o a agir por impulso em determinados momentos, como quando ameaçou Judas com uma espada, após descobrir que o mesmo era um traidor.
Na passagem que relata o julgamento de Cristo, Pedro negou por três vezes estar junto a ele. Na última negação, o galo cantou pela segunda vez, fazendo com que uma profecia de Jesus feita anteriormente no dia se concretizasse. O apóstolo estava certo de que iria se impor caso perguntassem sobre seu mestre, mas a pressão momentânea o deixou estático e incapaz.
Posteriormente, ele iniciou práticas de liderança que serviriam de base para a igreja católica, convertendo pagãos a partir de trabalhos missionários. Um encontro com Paulo em Jerusalém resultou em sua prisão por ordem do rei Agripa 1, e o cenário de ameaças o obrigou a deixar a Palestina em direção a Roma, onde seria crucificado por ordem do Imperador Nero.
Sua morte reflete como governos absolutistas, ao caçarem aos pagãos e praticantes de outras religiões, acabam cometendo heresias de marca maior. Nero argumentou que as pregações de Pedro colocavam em risco a estabilidade de seu governo, em uma época onde mal se sabia a diferenciação entre Judaísmo e Cristianismo.
Sua lealdade pode ter sido o motivo de sua morte, mas também foi sua dedicação e fé que o fazem ser lembrado até hoje. Ao ser crucificado, exigiu que morresse de cabeça para baixo, apenas para não terminar em pé de igualdade com Cristo. Apesar de ter negado Jesus em vida, Pedro propagou seus ensinamentos como poucos fizeram na história, e sua liderança seguirá inspirando o espectro católico pela eternidade.
