Sem dó nem piedade: Abandono de animais nas Águas Santas
Por Júlia Diniz
Não há delimitações para a crueldade. Está mais próximo de nós do que sequer imaginamos. Em Tiradentes, em um bairro de prestígio financeiro, dois cachorrinhos mostram os ossos afundados na pele por uma víscera que há tempos não é alimentada.
A água talvez até tenha, mas a santa comida não abençoa os dois pobres cachorros. Largados nos quintais de uma grande casa que ainda são recolhidas as folhagens de uma única árvore, eles se recolhem na própria miséria da fome. O bairro nobre de Águas Santas não parece se compadecer em misericórdia a esses bichinhos.
A ausência de empatia e responsabilidade no abandono de animais revela um profundo desrespeito pela vida de seres vulneráveis incapazes de pedir ajuda. Infelizmente, é um cenário frequente, seja em cidade grande ou pequena, com gente rica ou pobre.
Na cidade histórica fervorosa, nem toda prece parece ser atendida, numa casa de bairro nobre, nenhuma comida aos animais aparenta prioridade.




Embora a condição financeira possa influenciar o abandono de animais, ela não é a única causa. É comum observar que muitos moradores de rua estão acompanhados de cães bem tratados, o que desafia a ideia de que o abandono de animais está exclusivamente ligado ao financeiro. Esses laços demonstram um profundo afeto e compromisso, ressaltando que o cuidado com os animais pode transcender as dificuldades materiais.
O abandono é, na verdade, um reflexo de decisões impulsivas e da falta de planejamento por parte dos tutores, um fenômeno complexo que abrange fatores psicológicos, sociais e culturais. No entanto, isso não diminui a gravidade da situação: deixados à própria sorte, os animais não têm como buscar ajuda e ficam à mercê das circunstâncias.
Sem escapatória ou possibilidade de pedir ajuda, apenas um milagre de unção por águas santas, de fato bentas, podem olhar com piedade para eles.