Por Oswaldo C. Almeida

Após naufragar em uma ilha inexplorada, a robô ROZZUM 7134, ou “Roz” (Lupita Nyong’o), desperta sem memória de seu passado e precisa se adaptar a um ambiente hostil. Programada para seguir comandos e realizar tarefas, Roz começa a explorar a ilha, mas rapidamente se vê em um conflito direto com as forças da natureza, onde o instinto de sobrevivência prevalece. Em meio a esse embate entre tecnologia e o mundo selvagem, Roz acidentalmente destroi um ninho de gansos, resultando na morte da mãe e de quase todos os ovos, exceto um.

Ao perceber que o filhote de ganso sobreviveu, algo incomum acontece com sua programação. Embora não tenha sido projetada para isso, Roz sente um estranho fascínio pelo pequeno órfão e decide cuidar dele, mesmo que isso signifique ir contra sua lógica e natureza. Determinada a protegê-lo, ela se compromete a garantir sua sobrevivência, assumindo a responsabilidade de alimentá-lo e guiá-lo.

Roz, com ajuda da amizade inesperada com uma raposa chamada Astuto (Pedro Pascal), enfrenta o desafio de ensinar o filhote – a quem ela chama de Bico Vivo (Kit Connor) – a comer, nadar e voar antes que o inverno chegue. Juntos, eles formam uma aliança improvável, em uma corrida contra o tempo para garantir que seu “filho” tenha uma chance de sobreviver ao rigoroso inverno.

Poster oficial do filme.
Foto: Reprodução/Universal Pictures Brasil

Eu assisti ao filme com minha mãe no cinema, em especial porque sabia que precisava ver essa obra ao lado dela. Sou o filho mais velho, o primeiro que saiu do “ninho”, e que tem ainda uma conexão muito forte com a família, em especial com ela. Seria tolo tentar descrever os sentimentos que deve ser ver a criança que passou 19 anos bem de perto voar para longe, e ficar cada vez mais distante, por estar criando sua própria vida agora

Robô Selvagem é baseado no primeiro livro da trilogia escrita por Peter Brown, a qual eu darei uma chance no futuro, produzido pela Dreamworks e dirigido pelo mesmo diretor de Como Treinar o seu Dragão, Chris Sanders. Embora o filme conte uma história em seu primeiro plano com o robô tornando-se cada vez mais humano ao se conectar com a natureza e ser uma figura materna, o foco do longa é emocional: ser mãe não é fácil e nem vem com manual de instruções, tanto que uma máquina não conseguiria cumprir sem pensar fora de sua programação.

Em questões técnicas, falar que Robô Selvagem é bonito seria um eufemismo, e uma afronta, ao que realmente é esse longa. O filme é uma obra que mistura aquarela, impressionismo a Van Gogh e um toque de realismo. O uso das cores salta aos olhos, brilhantes e quentes nos momentos mais emocionantes do filme e frias nos mais tristes. Cada frame é uma pintura que  facilmente se transformaria no meu novo plano de fundo.

Isso é só mais uma demonstração de como a indústria de animação vem mudando desde o sucesso de Homem-Aranha através do Aranhaverso. Sair da fórmula que estávamos com filmes tentando alcançar o realismo e todos virando uma cópia do outro de forma estética, para voltarmos a algo mais estilizado, seja quadrinho ou pintura… é bom de ver.

No entanto, a beleza do filme vira algo pequeno comparado à bagagem emocional que o filme traz em sua história. Temos aqui uma clássica história do Patinho Feio ou, pelo menos seria, se não fosse a presença de uma mãe, no caso, a Roz. Não sou mãe ou pai – apenas de pet –, mas consigo ver bem o efeito que essa obra tem sobre quem é. Vi a minha chorar durante todo o filme.

Vamos ser sincero aqui, pessoal: mãe não sabe o que faz. A minha confessou que aprendeu a ser mãe ao longo do caminho, assim como a protagonista. Embora muita gente prometa e tente ensinar para você como cuidar do próprio filho, não existe fórmula ou programação. Roz descobre que cuidar de alguém é muito mais que “Comer, nadar e voar”. 

E imagino que não exista dor e orgulho maior que ver a pessoa que você viu crescer voar para longe. Ser mãe é uma missão e, quando ela terminar, o que sobra além de um ninho ou casa vazia? O filme aborda sobre isso próximo ao ato final, e eu senti isso.

Eu sou como o Bico Vivo. Cresci ao lado da minha Roz, que me ensinou tudo o que podia e estava lá até mesmo quando me revoltei – normal de toda pessoa, pelo menos uma vez em sua vida. Então, quando fiz 19 anos, migrei, e a última pessoa que vi de minha família foi ela, minha mãe.

Sei bem que existem muitos tipos de mães, por isso me considero, apesar de todos os altos e baixos de minha vida, sortudo ao ter tido a minha. Ela fez de tudo para superar sua programação, para cuidar bem de mim e meu irmão. 

E se você estiver lendo isso, saiba que te amo, mãe.

Tudo isso torna Robô Selvagem não só um dos melhores filmes do ano, como também, um concorrente ao Oscar que estou torcendo muito para ganhar. Mesmo que seja em cima de Divertidamente 2.