Quero ser atleta! – O sonho de ser jogador de futebol
Primeira edição da série de reportagens especiais apresenta a história de Cleyton, que começou a praticar esportes pela saúde e deseja se tornar jogador de futebol no futuro

Que o Brasil é o país do futebol, todos sabemos. O esporte mais praticado no mundo conquistou popularidade inigualável em terras tupiniquins. Apesar dos maus resultados da seleção nos últimos anos, boa parte dos jovens brasileiros ainda sonha em se tornar jogador. No entanto, são poucos os que realizam.
Cleyton Paulo do Nascimento, de 13 anos, é mais um dos garotos que almejam um lugar no concorrido mercado futebolístico. Ele conta que joga desde os 7 anos de idade e que isso o ajudou em diferentes aspectos: “O futebol sempre me divertiu e fiz muitos amigos através dele. Além disso, ele melhorou muito a minha saúde”.

Para Lucy Maria do Nascimento, mãe do Cleyton, é justamente a saúde a principal motivação para praticar o futebol, já que o garoto foi diagnosticado com Diabetes tipo 1 aos 4 anos.
“Eu achei que o mundo parou. Eu o deixava só dentro de casa, pois tinha medo que ele se machucasse. Mas ele sempre gostou de brincar com a bola, então procurei o Tiago, que teve paciência em lhe ensinar. A médica do Cleyton diz que o esporte é fundamental na vida dele, ele tem nosso incentivo e é algo que ele gosta. Tenho fé em Deus que o futebol será a vida dele”, diz ela.
Um caminho tortuoso até o sucesso
Tiago Augusto do Nascimento, citado por Lucy, é técnico das categorias de base do Athletic, clube de São João del-Rei. Responsável por treinar Cleyton, o técnico faz questão de frisar que se tornar profissional é difícil:
“Eu, particularmente, não trabalho falando para os meninos que eles vão se tornar profissionais. A gente faz o trabalho naturalmente e aqueles que se destacam são levados para testes. Sempre digo que tem de trabalhar muito e mesmo assim é difícil demais”.

Para Tiago, as categorias de base do futebol precisam ser repensadas e o fato do Brasil ser o país do futebol nem sempre é positivo: “Infelizmente não basta mais ser bom de bola. Os empresários, sua influência nos clubes e a visão do treinador influenciam muito nisso. (…). Na educação física das escolas, o jovem que não sabe jogar futebol é discriminado. É preciso que aqueles que não se adaptam ao futebol conheçam outros esportes. Assim poderíamos formar mais atletas e sermos melhores nas olímpiadas”.
Além disso, o glamour da vida de jogador de futebol é para poucos. Segundo estudo da Confederação Brasileira de Futebol de 2012, 82% dos atletas do país ganha até dois salários mínimos (o que corresponde atualmente a R$ 1.760), enquanto apenas 2% ganha mais do que 20 salários mínimos (atualmente R$ 17.600).
Além disso, casos de atrasos de salários e bônus, além de condições inadequadas de trabalho, são recorrentes em diversos países do mundo. Como destaca a FIFPro, sindicato internacional dos atletas do futebol, no futebol “não há apenas ricos e famosos”. (Saiba mais clicando aqui).
Um são-joanense que chegou lá
Apesar das dificuldades já citadas, há quem consiga realizar o sonho de tornar jogador de futebol. Tiago Galhardo é um exemplo disso. O jogador, que no último ano defendeu o Coritiba, clube da série A do Campeonato Brasileiro, nasceu na cidade dos sinos e falou um pouco sobre sua experiência na entrevista abaixo:

Cleyton quer muito ser jogador e, apesar da pouca idade, sabe que será difícil. “Depende muito de sorte para estar num clube grande, ser profissional. Tem muitos bons jogadores. Vou treinar muito para sempre melhorar e fazer o que gosto. Se desse para ser jogador seria ótimo, mas se não der, eu continuo praticando do mesmo jeito”. O que importa para todos os jovens que tem ou um dia tiveram esse sonho, é que independente de realizá-lo ou não, todos eles continuam amando o futebol.

TEXTO/VAN: ANDRÉ LAMOUNIER