Profissional explica o Pole dance como uma modalidade esportiva e artística reconhecida
Prática, que desafia preconceitos e fortalece corpo e mente, ganha espaço no Brasil
Por Gabriela Bastos e Lívia Moreira

Surgimento do Pole Dance
Antes associado exclusivamente ao entretenimento noturno, o pole dance passou por uma transformação significativa nas últimas décadas. Hoje, a prática é reconhecida como uma modalidade esportiva e artística que une força, técnica e expressão corporal. No Brasil e no mundo, o crescimento da modalidade como atividade física tem sido notável, atraindo praticantes de diferentes idades, gêneros e perfis.
De acordo com estudos, a origem do pole dance se deu em espetáculos de barracas de feira dos anos 1920, nos Estados Unidos, com dançarinas utilizando os postes de sustentação das tendas para executar movimentos de dança. Já durante a década de 1980, a atividade começou a ser incorporada em performances de cabaré e clubes noturnos.
E foi apenas nos anos 2000 que o pole começou a ser amplamente praticado e aceito em outros espaços, passando a ser introduzido em academias como uma forma de atividade física. Essa transição o ajudou a destacar sua complexidade técnica e destacar os benefícios para a saúde, além de atrair um público mais amplo e diversificado para conhecer a prática.
Competições e reconhecimento esportivo
No Brasil, o número de estúdios dedicados à prática de pole dance tem aumentado, e competições regionais e nacionais têm ganhado cada vez mais espaço. A Federação Brasileira de Pole Dance (FBPOLE), filiada a POSA (International Pole Sports and Arts), foi responsável pela realização de um dos maiores campeonatos de pole do mundo. A primeira edição da Pole World Cup aconteceu em 2011 e contou com a vinda de 68 atletas de 14 países.
Kris Hellen Ribeiro, professora de pole dance e proprietária do estúdio Aura Aero Dance, de São João del-Rei, explica o que muda entre as modalidades de pole artístico e fitness, ou pole sport:
“O artístico foca mais nas expressões, na expressão artística, no movimento fluido e na combinação de dança com acrobacias. Ele enfatiza a performance e o estilo individual de cada praticante. Já o fitness é mais voltado para a atividade física e para o esporte. Ambos utilizam a barra, mas o pole fitness tem um caráter mais de treino e performance esportiva”.

Estereótipos e preconceito
Muitas pessoas ainda associam o pole dance a clubes noturnos e performances sensuais, influenciados também pelo modo de vestir. É importante relatar que, o atrito da pele contra o metal impede os atletas de escorregarem, sendo essencial que os pontos de contato, como coxas e quadril, estejam expostos. Essa visão desencadeia que praticantes ainda enfrentam julgamentos familiares, profissionais e sociais.
Existe a ideia de que apenas mulheres jovens, magras e extremamente flexíveis podem praticar. Mas na realidade, a modalidade é inclusiva para todas as idades, gêneros e tipos de corpo, por isso, tem atraído tanto homens quanto mulheres e pessoas de diferentes corpos e faixas etárias.
A professora Kris comenta que “a pessoa não precisa chegar para fazer as aulas já com força e flexibilidade, tudo isso nós vamos desenvolvendo ao longo das aulas. Inclusive, a maioria dos alunos começam sem ter praticado nenhum tipo de atividade antes. O processo é gradual e individual”.
Outra questão envolvida também é a dificuldade de acesso e estrutura. O crescimento do pole dance ainda é desigual, especialmente em cidades menores, onde há pouca oferta de estúdios especializados.
Acho que é uma questão de tempo e educação, para as pessoas entenderem melhor o que realmente o envolve e o significado que ele tem para os praticantes”, relata Kris, ao se deparar com situações de julgamento.
Visando quebrar estereótipos e enaltecer a atividade, Kris produziu o primeiro espetáculo de pole dance em São João del-Rei, que marcou um momento histórico para a prática na cidade. O evento reuniu praticantes de diferentes níveis, que exibiram coreografias técnicas e emocionantes, chamando a atenção de um público diverso e desmistificando preconceitos associados à prática.

Benefícios do Pole Dance
O pole dance vai muito além da dança: é uma atividade completa que fortalece o corpo, melhora a mente e eleva a autoestima. Combinando esses elementos, tem conquistado pessoas de diferentes estilos de vida.
Ele proporciona definição muscular, aumento da força exigindo que o praticante sustente seu próprio peso, ativando principalmente os músculos dos braços, ombros e pernas, e maior flexibilidade por meio de alongamentos profundos e extensões articulares, ajudando a melhorar a mobilidade.
A prática também é uma aliada no controle do estresse e da ansiedade, promovendo maior conexão com o corpo e melhorando a autoconfiança, através do contato com o espelho e a expressão corporal ajudam a desenvolver uma relação mais positiva com a autoimagem. “Muitas das minhas alunas que enfrentam ansiedade e inseguranças, relatam que o pole dance as ajudou a se sentirem mais confiantes e no controle de suas vidas”.
Proporciona uma sensação de conquista ao aprender novos movimentos e superar os desafios. Nós nos sentimos mais capazes”, comenta Kris.