Por Geovana Nunes, Letícia Vilela e Rebeca Costa

Maio marca a campanha por um trânsito mais seguro. Crédito: Geovana Nunes

O mês de maio é destinado às campanhas internacionais de segurança no trânsito. O amarelo é a cor temática, pois no semáforo ela representa atenção e precaução. 2023 marca os dez anos do Maio Amarelo no Brasil e o objetivo, estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU), é que até 2030 os acidentes de trânsito sejam reduzidos pela metade. 

Além disso, a campanha deste ano é “No trânsito, escolha a vida” e busca sensibilizar as pessoas para a importância de garantir a vida de todos. Já que o trânsito é formado por motoristas, ciclistas e pedestres. 

De acordo com o Ministério da Saúde, 40 mil pessoas morrem por ano em acidentes de trânsito por todo o Brasil. Algumas pessoas têm ferimentos muito graves que mudam drasticamente suas vidas. Apesar do Código de Trânsito Brasileiro ter 26 anos e estabelecer uma série de normas de conduta, 50 bilhões de reais são gastos todos os anos com as despesas geradas por acidentes.

O cálculo realizado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), em 2020, leva em consideração desde as despesas hospitalares até as custas judiciais. Os graves acidentes de trânsito são ainda um problema de saúde pública, pois as pessoas acidentadas demandam de pelo menos 60% dos leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e metade das cirurgias emergenciais do Sistema Único de Saúde (SUS). 

Em 2017, os acidentes de trânsito foram a causa de morte principal de crianças e adolescentes, entre 5 e 14 anos. Mesmo com a diminuição dos números de acidentes em algumas cidades e capitais brasileiras, morrem em média 110 pessoas por dia em ruas e estradas de todo país. 

O perigo iminente das avenidas 

Artur Castro (21), morador de São João del-Rei, faz o caminho de sua casa ao seu trabalho todos os dias de moto. Passando pela movimentada Avenida Leite Castro, que conta com uma alta passagem de carros durante os horários de pico. Artur diz que a autoescola não te prepara para o trânsito: “ É pouco tempo de aprendizado. Eles te explicam só o básico, depois é só sua experiência. E qualquer erro no trânsito pode se tornar um acidente”. 

O são-joanense ainda ressalta que “Se você já estiver atrasado, vai se atrasar ainda mais. Quando eu já sei que vou precisar passar pela Leite Castro, eu corto caminho pela cidade universitária, que não tem engarrafmento”. A sinalização também deixa a desejar, com semáforos que duram muito tempo, cruzamentos sem placas e faixas de pedestres que não são respeitadas.

Vivenciar todos os dias o risco iminente de quase perder a vida fazendo uma tarefa corriqueira para alguns, como ir para o trabalho, é assustador. Artur diz que “A maioria das pessoas não tem habilitação e nem respeita as leis de trânsito”, transformando as avenidas em locais cada vez mais perigosos.

As ações de conscientização 

As informações sobre a programação do Maio Amarelo são dadas por Odaléa de Souza. Chefe de educação da Secretaria de Trânsito e Mobilidade Urbana (SETRAM), ela conta os principais desafios do trânsito na cidade de Barbacena.

“Excesso de velocidade, principalmente entre motociclistas. Avanço de sinal e uso de celular por condutores”, afirma. Durante todo o ano o Setram faz ações educativas nas escolas e nas vias públicas da cidade para conscientizar a população das condutas corretas no trânsito.

Além das blitz educativas, onde os policiais vão reforçar o perigo do uso de bebidas alcoólicas e direção, uso do cinto de segurança e demais cuidados, existe um grande reforço nas ações dentro dos colégios. Para que as crianças e adolescentes não só tomem consciência, mas também reforcem as informações para os pais e responsáveis que dirigem. 

As passagens turbulentas pela “rodovia do caos” 

A BR-265, que liga Lavras a São João del-Rei, é conhecida como “rodovia do caos”. A situação da estrada é bastante precária. Os buracos são enormes, enchem de água da chuva e dificultam muito a passagem dos veículos. A sinalização também deixa a desejar e a poeira que sobe com a passagem dos carros é outro desafio enfrentado pelos motoristas. 

Vivian Aparecida Malta (21) é natural de Barbacena e estuda medicina veterinária na Universidade Federal de Lavras (UFLA). Ela conta suas vivências pela 265, entre as duas cidades. “Mesmo quando eles dão manutenção, não dura. Dá muito buraco rápido. E isso faz com que o trajeto fique muito longo. Muito cansativo”, diz a respeito das condições da estrada. Vivian já ficou cinco horas no ônibus e considera todo esse tempo um absurdo, já que o máximo da viagem seria três horas e meia. “E eu sei que a Transur coloca que o ônibus pode atrasar meia hora. Só que atrasa muito mais do que isso”, comenta. 

A respeito de fazer o trajeto de carro, Vivian compartilha que de fato seria mais prático. Porém o medo de acidentes devido a precariedade da estrada é maior. “E a estrada quando a gente vem de carro… eu realmente fico com medo. Porque tem muito buraco. Muito buraco […] Tem vezes que tem que cortar porque tem esse caminhão. E quando chega a hora de cortar não dá […] por causa dos buracos”, afirma Vivian. 

Ela ainda faz considerações sobre o perigo de estragar o veículo durante o percurso, devido novamente aos buracos pela rodovia. “Tem que tomar muito cuidado, porque senão o carro pode ficar no meio da BR. Porque dependendo do buraco em que ele cai, estraga”, diz. E mesmo com o ônibus, que seria mais seguro, ainda existem problemas. “Eu venho de ônibus [..] mas mesmo assim é muito ruim. Tem hora que literalmente o ônibus tem que parar, esperar os carros que estão na outra pista passar para ele passar pela outra pista. Porque não tem como passar por uma pista só”, continua.

Por fim, Vivian diz que a forma mais econômica de viajar seria por aplicativos de carona, mas ainda é inviável na “rodovia do caos”. “Se fosse uma estrada mais segura, eu até tentaria pegar essas caronas. Só que por causa da estrada eu nem cogito”, finaliza.

A “curva da morte” e suas implicações

Um trecho entre Ritápolis e São João del-Rei foi apelidado de “curva da morte” devido ao número expressivo de acidentes ocorridos nessa passagem da estrada. O tenente Luiz Fernando Belém afirma que um levantamento feito pela Polícia Rodoviária da região constatou que a média anual dos acidentes, desde 2017, nesta região é de 10 ocorrências. 

 Comandante do segundo pelotão da 13ª Companhia de Policiamento Rodoviário do Batalhão da Polícia Militar Rodoviária desde 2021, comenta que o traçado sinuoso da pista é um fator que impulsiona o índice de ocorrências. O período de chuvas é um dos maiores obstáculos enfrentados. “Quanto mais chuvoso o tempo, a pista fica mais perigosa e escorregadia. A visibilidade diminuída, atrelada a falta de atenção e imprudência de muitos condutores faz com que aconteçam muitos acidentes”, afirma o Tenente Belém. 

Mesmo com a situação, ainda não há nenhuma previsão para a instalação de redutores de velocidade. Com isso, medidas devem ser tomadas durante todo o ano. A manutenção do veículo, pneu em boas condições e funcionamento da parte elétrica são alguns dos cuidados que devem ser adotados. 

Além disso, o Tenente reforça que a precaução para todos os condutores deve ser a mesma. “As medidas de segurança que o condutor deve adotar é respeitar a velocidade da rodovia, não fazer ultrapassagem em local proibido, não ingerir bebidas alcoólicas antes de dirigir. São essas medidas que vão mitigar e melhorar as ocorrências de acidente de trânsito”, diz. 

O militar finaliza afirmando a extrema importância da parceria entre Polícia Rodoviária juntamente aos motoristas, passageiros e pedestres. “ É necessário que não só haja o esforço da Polícia Militar Rodoviária Estadual, como também que as medidas sejam implementadas. Redutor de velocidade, quebra-mola, radar. Nada disso adianta se o condutor dirigir embriagado, fazer manobras arriscadas, ultrapassar em locais perigosos, que as coisas irão acontecer da mesma forma”, conclui. 

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