Por Ana Cláudia Almeida

“A liberdade de cada um termina onde começa a liberdade do outro”

– H. Spencer

Celebrado no dia 8 de março, o Dia Internacional da Mulher não é somente sobre enaltecer as conquistas femininas em diversas áreas da sociedade. Sendo um marco na história humana desde sua origem no movimento operário do século X, a comemoração também perpassa por momentos de reflexões e estratégias em prol da luta pela igualdade de gênero e os direitos das mulheres. Na atualidade, por meio de manifestações anuais crescentes ao redor do mundo, tornou-se um símbolo potente da busca por empoderamento e justiça social.

Vale destacar ainda, além do enfoque no reconhecimento do movimento, o dia é marcado por ações que promovem o combate à violência contra as mulheres. Seja através de campanhas publicitárias, políticas públicas, protestos e/ou petições, a atuação baseada no desejo de avançar de modo igualitário em relação aos direitos civis é um fenômeno recorrente todo mês de março. 

Também uma ocorrência típica do terceiro mês do ano, em países como o Brasil, o Carnaval é um acontecimento que nos coloca diante de algumas situações desafiadoras nesse sentido. É tempo de festejar, de povoar as ruas e congregar com amigos e desconhecidos. O tradicional feriado, que faz um convite à liberdade de expressão e de ir e vir, é por muitos mal interpretado. Herbert Spencer nem imaginava o quanto sua filosofia estaria certa: “A liberdade de cada um termina onde começa a liberdade do outro”.

O sociólogo inglês define em uma frase algo que deveria ser mais respeitado. Ultimamente em voga e bastante confrontado,  o comportamento abusivo que anula a dignidade e ameaça a integridade de outrem, em qualquer caso e independentemente dos envolvidos, é crime. No âmbito do conflito entre gêneros, a situação se agrava e nos coloca toda vez em regresso social. Embora a ascensão da corrente do “Não é não!”, vários homens ainda não entenderam o recado. Aliás, o aviso. 

Violar, humilhar, deprimir e invalidar. Não importa a quantidade de álcool ingerido, não importa a força do sentimento nutrido pela pessoa, não importa somente uma vontade. Dominar, controlar, agredir e matar resgata, no ser dito racional, alguns traços instintivos de sua natureza animal. 

Nesse mais um ano de caminhada feminina, em meio ao aguardado Carnaval ou não, a jornada árdua segue, e passos curtos e de esperança são dados rumo à injustiça social. O movimento histórico e contínuo, ao longo dos séculos, demonstrou seu pilar de força baseado na união, no diálogo e na conscientização geral. Muitos obstáculos permanecem, porém ainda mais foram derrubados. 

Distintas formas de discriminação, opressão e violência, em diferentes contextos, exigem medidas também diversas. A emancipação feminina, no tocante ao desenvolvimento equilibrado do mundo, merece o devido apoio dos que se dizem torcedores da evolução humana e do progresso social. Em mais um mês de março, a necessidade de representação setorial, de autonomia total e quebra de estereótipos clama por atenção e grita aos que se fazem desatentos. 

*Foto de capa – Fonte: Instagram @batucadadasminas