Como os símbolos indígenas ajudam a desenvolver o senso crítico nas crianças
Por Ana Julia Barbosa
A Escola Estadual Tomé Portes del-Rei, localizada no bairro Matozinhos, em São João del-Rei, mantém uma parceria com o LAFIL (Laboratório de Filosofia) da UFSJ, proporcionando aulas semanais de filosofia às turmas do 5º ano. No ano de 2024, o foco foi nos povos indígenas, com atividades lúdicas que buscavam desenvolver o senso crítico das crianças e ampliar sua compreensão sobre essa etnia.
Na última semana de aula, as crianças aprenderam sobre símbolos. Os símbolos são elementos utilizados para representar conceitos abstratos, ideias ou objetos específicos, e essa representação ocorre por meio de formas, imagens ou sinais.
A bolsista Ana Letícia Gomes explicou como a aula foi planejada: “A gente tinha acabado de sair de uma sequência de aulas sobre corujas, que são o animal símbolo da filosofia, assim como do LAFIL. E, para retomar nosso tema central, trabalhado ao longo de todo o ano, decidimos abordar os símbolos voltados para os povos indígenas.” Os educadores explicaram o funcionamento dos símbolos, como são escolhidos, o que representam e como contribuem para a construção da identidade de um povo.
Através de imagens, os alunos visualizaram fotos de indígenas com pinturas corporais, entendendo seus significados e sua importância. “A ideia era mostrar que essas pinturas são muito mais do que simples adornos visuais, mas carregam significados profundos para aquelas pessoas. Elas expressam diferentes mensagens e ajudam a contar histórias, preservando e transmitindo o conhecimento de cada grupo através das gerações”, explicou Ana Letícia.
Durante a aula, o tema da apropriação cultural surgiu entre as crianças. Essa prática consiste em adotar elementos específicos de outra cultura fora de seu contexto e significado. Ana Letícia comentou: “Eles mesmos começaram a entender e problematizar a questão das fantasias e o quanto é desrespeitoso tratar de forma superficial toda uma cultura, que é viva e composta por pessoas reais. Esse debate se expandiu, chegando até a discussão sobre outras culturas, como a japonesa e a coreana.”
Por fim, os educadores propuseram uma atividade em que as crianças deveriam desenhar um símbolo que representasse suas famílias. Ana Letícia compartilhou qual trabalho mais chamou sua atenção: “Uma aluna desenhou sua família como um grande corpo, no qual os ouvidos representavam a irmã, que sabe ouvir, o cérebro era a avó, que sabe pensar, e os olhos simbolizavam alguém bem observador. Já ela mesma se via como as pernas, pois sabe se afastar quando alguém não a trata bem. Achei esse desenho incrível, sensível e muito significativo”.

Ana Letícia destacou a importância de abordar os diferentes povos que compõem o Brasil, sempre retomando a introdução do livro de Daniel Munduruku, trabalhado com as crianças. Nesse trecho, o autor enfatiza: “Não é preciso ir longe para se notar quanto o ser humano é diferente, mas, às vezes, é preciso conhecer as diferentes formas de se viver no mundo para acabarmos compreendendo a importância de se respeitar nosso semelhante. Só respeita o outro quem conhece o outro”.
Proporcionar essas aulas aos alunos do 5º ano é fundamental para que compreendam a importância de respeitar todos os povos. Para isso, o conhecimento e a informação são essenciais. Ana Letícia concluiu dizendo que sai das aulas sempre satisfeita, pois acredita que, por meio desse trabalho, as crianças têm a oportunidade de conhecer e entender melhor culturas diferentes das que vivenciam.
Confira mais algumas ilustrações feitas!









Fotos: Ana Letícia Gomes