A 28ª Mostra de Cinema de Tiradentes homenageia Bruna Linzmeyer e sua trajetória singular
Por Vitor Ramiro e Ana Cláudia Almeida
Em sua 28ª edição, a Mostra de Cinema de Tiradentes selecionou a atriz Bruna Linzmeyer como sua homenageada da vez. Em uma extensa lista de diretores, produtores e atores que já ocuparam esse local de destaque do evento, Bruna se junta a profissionais que, de algum modo impulsionaram e influenciaram, o cinema nacional.

Nascida em Corupá, uma cidade de Santa Catarina com cerca de 10 mil habitantes, Bruna não pensava em um futuro como atriz. Suas metas iniciais de trabalhar com o corpo humano perpassavam a ideia de ser psicóloga ou médica. Com sua ida para São Paulo, aos 16 anos, o rumo de sua vida mudou. Em pouco tempo, a catarinense foi de modelo em uma agência a atriz na Globo. Vinda de uma geração de artistas que ascenderam no início dos anos 2000, Bruna logo se destacou por sua versatilidade, sendo capaz de se comunicar com diversos nichos, desde o grande público de novelas globais – como Gabriela (2012), remake de Pantanal (2022), A Força do Querer (2015), entre outras – até pequenos grupos amantes de produções independentes com temáticas mais densas e diversas. Atualmente, destacando-se em curtas e longas-metragens produzidos por jovens diretores brasileiros, a atriz faz jus ao então reconhecimento obtido no evento em Tiradentes.
Após estrear no cinema ao lado de Rodrigo Santoro, na obra internacional Rio, Eu Te Amo (2013), Bruna trilhou uma trajetória curiosa e corajosa, que já soma mais de 20 longas-metragens trabalhando com diretores como Neville d’Almeida, Selton Mello, Anita Rocha da Silveira e Marcelo Caetano. Na cena dos curta-metragens, ela também surge com uma longa lista. Sua participação recorrente evidencia ainda mais sua sede por atuar em trabalhos que exploram o que há de mais expressivo no cinema nacional.
Para além de seu talento único, Bruna Linzmeyer se destaca como um dos principais expoentes do cinema LGBTQIA+ com trabalhos que retratam a vivência queer em diferentes aspectos. Dois longa-metragens escolhidos para a Mostra Homenagem (seleção que reúne projetos que representam a carreira da atriz), A Frente Fria que a Chuva Traz (2016) de Neville d’Almeida e Baby (2024) de Marcelo Caetano, ilustram a dicotomia dos papéis interpretados por Bruna. Enquanto no longa de Neville, a atriz interpreta uma garota que frequenta festas no Morro do Vidigal para consumir drogas, em Baby, Bruna explora as complexidades de “Jana”, uma cabeleireira casada com outra mulher.

Foto: Ana Cláudia Almeida
Em coletiva de imprensa, ocorrida no sábado (25), Bruna comentou sobre a complexidade de se reconhecer em suas personagens enquanto procura se distanciar das mesmas. “A personagem não se compõe só na hora da pré ou dos ensaios, ela é um pouco da vida toda que vivi até aqui. (…) Isso demanda uma consciência muito grande de mim mesma, do que eu posso realizar com meu corpo fisicamente, do que eu posso entregar, do que eu não posso entregar, do que eu sei que é Bruna e eu posso ter consciência de tirar de uma personagem ou não”, disse.
Ao receber a homenagem na 28ª Mostra de Cinema de Tiradentes, Bruna Linzmeyer reafirma seu lugar como uma das atrizes mais flexíveis e instigantes do cinema brasileiro contemporâneo. Sua trajetória, marcada por escolhas corajosas e uma entrega intensa a cada personagem, reflete sua vocação e seu compromisso com narrativas diversas e representativas. Seja em grandes produções ou no cinema independente, Bruna segue ampliando os horizontes da atuação e contribuindo para a construção de um cinema nacional mais plural e potente.
Serviço
Para saber mais sobre o evento e acompanhar a programação gratuita, acesse o site https://mostratiradentes.com.br/ ou o Instagram @universoproducão