Sociedade São Francisco de Assis desenvolve trabalho de resgate de animais abandonados

O projeto de São João del-Rei, que conta com 25 anos de existência, enfrenta dificuldades de infraestrutura e mão de obra no desenvolvimento das atividades

A Sociedade São Francisco de Assis de Proteção aos Animais de São João del-Rei foi fundada em 1993, pelos protetores Leila, Assunção, Ana Marta, Eneida, Gilza e Elvecio. A atual presidente da ONG, Mara Nogueira Souto, relatou que ao se mudar para a cidade e perceber o grande número de animais abandonados, buscou por uma instituição que realizasse um trabalho em prol desses animais, dessa forma encontrando a associação. A Sociedade é a única na cidade a possuir registro e documentação legalizada, contribuir com imposto de renda e ser reconhecida como de utilidade pública.

Mara afirmou que desde criança sempre teve um contato muito próximo com os animais, desenvolvendo sempre trabalhos para a proteção de animais e do meio ambiente. Durante sua infância chegou a ter animais diferentes como sapo e urubu, além dos comuns cães e gatos. Atualmente seu trabalho na entidade é muito significativo para causa animal do município, e devido ao seu grande ativismo já chegou até a sofrer ameaças.

A instituição não possui fins lucrativos e nenhum vínculo com o poder público, e se sustenta por meio de doações, sendo boa parte delas vindas de servidores da Universidade, além de contar com
uma presidente, vice-presidente e uma tesoureira que auxiliam na realização do trabalho. A orga-
nização, que abriga cerca de 140 animais, conta com uma lar temporário de sua propriedade e de diversos protetores que acolhem os animais em sua residência, recebendo auxílio de ração, medicamentos e assistência veterinária.

Os lares tem o intuito de acolher, cuidar, castrar e disponibilizar para a adoção os animais, mas o
que ocorre é que esses animais não são adotados e permanecem lá por tempo indeterminado, sendo alguns já idosos. A presidente da associação frisou que existe muito preconceito com os animais de mais idade, sendo pouco adotados e muito abandonados. Quando há uma grande quantidade de filhotes no abrigo, a instituição promove feiras de adoção, porém muitas vezes encontra dificuldades quanto a infraestrutura, voluntariado, cuidado e transporte dos animais.

A ONG enfrenta diversos obstáculos em relação a alimentação e medicação diária dos animais devido
ao pouco auxílio financeiro, e também dificuldades no acesso aos locais de resgate, já que o número de voluntários é escasso, e muitos não possuem disponibilidade de tempo para contribuir nas atividades. Há também uma certa disputa com os veterinários da cidade, que denunciaram o projeto de castração da Sociedade, e proibiram a iniciativa no município, alegando que o baixo custo das castrações prejudica seus faturamentos.

Mara contou sobre alguns dos acontecimentos mais marcantes na trajetória da entidade, como o caso do cachorro Boninho, ele chegou atropelado e muito debilitado, depois de muitas tentativas para salvar a vida do animal, a única opção era a eutanásia. Após uma hora e meia feito o procedimen-
to, uma das voluntárias verificou que o cachorro estava vivo, e Mara conta: “A veterinária até hoje me fala: Mara, foi um milagre, porque eu dei para ele uma dose cavalar do medicamento, e
ele não morreu”. Houve ainda o caso do Bolota, cão que vivia nas rua e possuía tumores por todo seu corpo, sendo resgatado e conduzido para tratamento em uma universidade na cidade de Lavras, no entanto veio a óbito.

Lua e Madre (Foto/VAN: Ana Carolina Silva)

Lua (esquerda) e Madre (direita) são duas cadelas que foram resgatadas pela Associação Protetora dos Animais São Francisco de Assis em diferentes momentos, mas ao se encontrarem no abrigo de
animais criaram um laço de amizade e hoje não se separam. José, cuidador do local, disse que no caso de uma ser adotada, a outra também tem que ir junto, devido a grande conexão entre as duas. Madre chegou no abrigo após ser atropelada, na cidade de Madre de Deus de Minas – por isso seu nome – e estava com a pata muito debilitada, hoje ainda possui alguns traumas do acontecimento. Após resgatada além de se recuperar conquistou uma nova amiga: Lua foi acolhida algum tempo depois e a afinidade foi instantânea, desde então não se separam, escolheram dividir até mesmo a casinha.

Mãezinha (frente) chegou com filhotes, que foram adotados, e também encontrou novas companhias no abrigo. (Foto/VAN: Gabriela Lima de Mello)

 

Texto/VAN: Ana Carolina Silva e Luiz Carlos Fonseca
Foto/VAN: Ana Carolina Silva e Gabriela Lima de Mello

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *