Segundo dia da FLITI contou com diferentes atrações literárias
Por Felipe Lopes
Nessa quinta, ocorreu o segundo dia da programação, entre elas uma apresentação lítero-musical, tipos de comunicação e o espaço feminino na literatura.

A programação da FLITI (Feira Literária Internacional de Tiradentes), realizada na quinta-feira, 7 de maio, reuniu uma diversidade de atividades ao longo do dia, distribuídas entre o Palco Literário, a Arena Literária e o Espaço Ônibus Biblioteca. O segundo dia do evento contou com mais de 24 atrações, abordando temas como saúde mental, comportamento e hábitos de leitura, esses temas estiveram no centro das discussões, evidenciando o papel da literatura como ferramenta de reflexão social.
Na mesa “Entre o Silêncio e a Ruptura, Escritas do Indizível”, os autores abordaram o silêncio como elemento central das experiências humanas. Jorge Verlindo destacou a subjetividade construída a partir do não dito, defendendo que “a pior forma de comunicar algo difícil é falar”, disse ele ao citar como a comunicação é complexa em sua essência . Em sua visão, cada personagem carrega traumas e desconfortos relacionados à tentativa de se adequar a comportamentos padrões, trazendo à tona estudos sobre traumas e a necessidade de fugir do óbvio para explorar a individualidade, ele aborda questões sociais em cada personagem de sua obra “Jogos Marcados no corpo de Deus” .
A escritora Mabelly Venson trouxe uma perspectiva voltada ao silenciamento feminino, afirmando que o silêncio muitas vezes limita o agir das mulheres e faz parte de suas vivências. Em sua obra “Apenas Mãe”, que aborda a depressão pós-parto a partir de histórias reais, ela utiliza a literatura como forma de resistência ao apagamento social, em entrevista ela disse que tenta vingar as mulheres que são vítimas do patriarcado, “é uma vingança” disse ela ao ser questionada sobre sua literatura . Para a autora, a mulher foi historicamente condicionada a viver com o silêncio, e a literatura tem a função de provocar transformação social ao abordar temas como depressão, racismo e luto, conectando o indizível às estruturas da sociedade.
Na mesa “Romances para o Nosso Tempo”, Sara Gusella e Natalie Gerhardt discutiram a construção de narrativas contemporâneas. Gusella apresentou obras como “Os Clãs da Lua”, destacando a busca por pertencimento e o valor da ficção como expressão íntima, além de abordar o amor fraternal e a vivência coletiva. Gerhardt, enfatizou a importância de retratar a realidade brasileira, especialmente nas comédias românticas, criando identificação com o leitor. A autora também ressaltou a necessidade de fortalecer a união entre mulheres, criticando a rivalidade feminina incentivada por estruturas sociais e propondo narrativas que inspirem autoconhecimento e apoio coletivo.
