Choques culturais e a descolonização

A importância dos choques culturais e por que é preciso descolonizar

“É hora de enegrecer as referências”, foi o que afirmou Lélia Gonzales, filósofa, antropóloga, intelectual e militante do movimento negro e feminista. Há tempos que falta à nossa sociedade levar um verdadeiro choque de cultura, entender e internalizar que a cultura brasileira é africana, que não somos brancos e sim latinos e que a cada dia que passa torna-se mais necessário extinguir o imaginário europeu que vai na contramão da nossa realidade como povo.

A maior fatia da população brasileira é composta por negros, sendo 46,8% declarados pardos e 9,4% pretos, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2019. A fundação da nossa civilização conta com milhares de negros que vieram para o país em condições de escravidão. Mas então por qual motivo estamos muito mais familiarizados com a cultura europeia? Por que sabemos tanto sobre mitos europeus e tão pouco sobre orixás?

Já sabemos a resposta para essa pergunta, pode parecer-nos até óbvia, no entanto, a reflexão ainda é importante. Como você imagina o ser mais bonito que já pisou na terra? Como são seus traços perfeitos? Se, neste caso, nos dermos conta de que imaginamos uma pessoa branca, a mente passará a inventar desculpas, mesmo que a esse ponto já possamos ver quão submersos estamos na hegemonia cultural e no racismo estrutural.

Elegemos e citamos pessoas brancas, valorizamos padrões estéticos e estilísticos brancos, adotamos valores que refletem a branquitude, mesmo que não sejamos brancos. Nossa identidade colonial nos faz perseguir um ideal não só impossível como irreal.

Precisamos ler, ouvir e estudar negros, indígenas, latinos no geral. Se nós, privilegiados em educação, sabemos que podemos, então por que não começar a descolonizar hoje? Entender que o que mais importa não é só enegrecer nossas referências bibliográficas, mas nossos desejos, nossos ídolos, nossas roupas, nossos “filtros do Instagram”, nosso dia a dia real e não utópico.

Texto: Larissa Lima

Revisão: Samantha Souza

Imagem: Gemma Chua Tran de Unsplash

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