Por Alessandra Silva

Imóveis desabaram após forte chuva em Juiz de Fora. Foto:
Reprodução/Corpo de Bombeiros de Minas Gerais

A Zona da Mata Mineira foi atingida por um temporal entre os dias 23 e 25 de Fevereiro, deixando 72 mortos e cerca de 5 mil pessoas desalojadas. As regiões mais impactadas foram Juiz de Fora e Ubá, com ocorrências de inundações e deslizamentos de terra. De acordo com o geógrafo André Negreiros, o fenômeno cavado foi o responsável pelo temporal.

O evento cria uma região alongada de baixa pressão, fazendo com que o ar úmido suba para camadas mais altas da atmosfera com baixas temperaturas, condensando assim mais rápido o vapor e potencializando a chuva. Vale acentuar, nessa época do verão do hemisfério sul, a previsão de chuva já é algo frequente devido à alta umidade vindo da região amazônica e da zona de convergência do Atlântico Sul.

“Essas tempestades tendem a ocorrer de forma concentrada, formando grandes células de convecção que provocam chuvas muito intensas em áreas específicas” 

Dr. André B. de Negreiros

Em entrevista à VAN, o também doutor em geografia explicou que as pancadas de chuva normalmente ocorrem em regiões vegetais mais afastadas mas, ao chegar em centros urbanos, ilhas de calor produzidas sobre a cidade acendem mais rápido a zona umidade.

Além dos aspectos climáticos, o relevo da região das cidades mais afetadas também é um quesito para entender melhor o funcionamento da área. Com uma formação geomorfológica denominada “Mares e morros”, o perímetro é composto por localidades íngremes que faz com que a construção da cidade sobreponha esse relevo. Dadas essas características, a formação do solo mais espessa acaba armazenando uma quantidade maior de água. Diante da situação, em períodos de precipitação (chuva) o chão já está mais úmido, e com temporais esses sistemas ambientais já fragilizados tendem à ocorrência de uma série de deslizamentos.

Após o alerta da Defesa Civil na manhã do dia 24, moradores da região das Vertentes ficaram preocupados em relação ao temporal que circulou nesta localidade. Apesar de não ser possível afirmar a chegada da chuva intensa de Juiz de Fora em cidades como São João del-Rei, a população deve estar atenta às áreas de riscos informadas pela prefeitura (os bairros Tijuco, Pio XII, Vila São Paulo, Águas Gerais, Vila João Lombardi, Alto da Vila Belizário e Senhor dos Montes).

“A cidade foi crescendo sem pensar no caminho das águas”

Dr. André  B. de Negreiros

Devido às mudanças climáticas, eventos extremos como esse vão ocorrer com um intervalo de tempo maior, como aponta André. Diante disso, o professor da UFSJ revela a necessidade urgente da infraestrutura das cidades serem adequadas para o enfrentamento de ocorrências ambientais. Além disso, surge como precisa a implementação de projetos como a cultura de risco, que orienta e sinaliza a população, e o uso de locais de refúgio, alarmes, monitoramentos e o aumento de aparelhos e instrumentos hidrológicos.