Por Ana Julia Barbosa

No mês de dezembro, alunos do 5º ano da Escola Estadual Tomé Portes del-Rei visitaram o campus Dom Bosco da UFSJ, para participar de atividades planejadas pelo Laboratório de Filosofia. O LAFIL atua na escola ministrando aulas de filosofia para as crianças, e essa visita marcou o encerramento das atividades com essas turmas.  

A aluna Linda Parreira, bolsista do projeto de extensão “A Comunidade de Investigação Filosófica no Ensino Fundamental”, conta que “a ideia de levar as crianças para o campus fez parte da programação desde o início do ano letivo. Pensamos que seria uma forma divertida e marcante de encerrar o ano. Planejamos, primeiramente, uma contação de história, com a colaboração de uma parceira do projeto, seguida de oficinas de colagem e jogos teatrais com a equipe do *ELA 167*”.  

Sofia Figueiredo contando a história para as crianças. Foto: Rafaela Andrade

Para iniciar a visita, as crianças assistiram a uma contação de história sobre uma indígena e suas aventuras na floresta. Elas ficaram encantadas com o enredo e animadas para explorar o campus.  

Em seguida, foram divididas em dois grupos para participar de atividades em salas diferentes: um grupo realizou oficinas de colagem, enquanto o outro participou de jogos teatrais. Após 50 minutos, os grupos trocaram de atividade.  

Na oficina de colagem, foram apresentadas palavras-chave relacionadas à história contada anteriormente. As crianças deveriam encontrar, em revistas, imagens que representassem esses termos e colá-las em um cartaz. A atividade foi realizada em grupo, proporcionando momentos de diversão e estimulando a criatividade. 

Aluna realizando atividade. Foto: Ana Julia Barbosa

Na sala de jogos teatrais, as crianças participaram de dinâmicas, como a construção coletiva de uma história — onde cada um continuava a narrativa iniciada pelo outro — e jogos de mímica em grupo. Mais uma vez, demonstraram criatividade e entusiasmo.

Oficina de jogos teatrais com crianças e educadores do LAFIL. Foto: Ana Julia Barbosa

A presença das crianças na universidade é extremamente importante para mostrar que esse espaço também pertence a elas. A educadora do LAFIL explica: “Trazer as crianças para dentro da universidade é uma forma de demonstrar que elas não apenas têm a possibilidade, mas também o direito de ocupar esse lugar. Além disso, essa visita ilustra para os pequenos onde começa a acontecer o que eles conhecem como LAFIL”. Muitas crianças ficaram curiosas sobre como poderiam ingressar na universidade e quais oportunidades elas teriam acesso.   

O ELA 167 foi responsável pelas oficinas. O coordenador de atividades, João Lucas Teixeira, explica: “O ELA 167 é um coletivo criado para a ocupação cultural da sala 167, no campus Dom Bosco. Desde 2019, diversos coletivos passaram por lá, utilizando o espaço para atividades extracurriculares. No final de 2023, o ELA 167 começou a se estruturar, e no último ano tivemos uma atuação contínua na sala”.  

Ele também conta que as atividades foram sugeridas pela escola e organizadas conforme a disponibilidade dos oficineiros. Sobre a experiência, destaca: “Foi muito legal! As crianças se divertiram bastante. A gente adorou tê-las com a gente, ver as reações delas às oficinas… Foi incrível”.  

Trabalhar com crianças proporciona aos alunos da graduação uma experiência mais próxima da realidade do ensino, permitindo que coloquem em prática o que aprendem na universidade. A educadora Linda comenta: “Quando saímos da sala de aula da universidade e entramos em uma escola, temos a oportunidade de entender como o sistema educacional realmente funciona e de explorar diferentes formas de aplicar o que aprendemos. Isso contribui para a formação de profissionais mais preparados”.  

O Laboratório de Filosofia da UFSJ é um exemplo de projeto que fortalece a relação entre a universidade e a comunidade, promovendo a troca de conhecimentos e experiências.

Crianças do 5º ano com a equipe do LAFIL. Foto: Rafaela Andrade

Com essa visita, nós, da equipe do LAFIL, nos despedimos dos 38 alunos que estiveram conosco ao longo do ano. Trabalhar com essas crianças foi uma experiência única, e cada uma delas nos ensinou muito mais do que pudemos transmitir. Esperamos que levem consigo esses aprendizados para a vida toda, especialmente os valores de respeito mútuo, as vivências sobre outras culturas e o compromisso com os estudos — sempre com a alegria que tanto nos contagiou às quintas-feiras.