sábado, outubro 31, 2026
Saúde

OUTUBRO ROSA: prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama

Símbolo do Outubro Rosa pintado na palma de uma mão.
Foto/Reprodução: Blog DelRio

Outubro é um mês marcado pela conscientização sobre o câncer de mama. Conhecido como “Outubro Rosa”, ele tem a proposta de levar a informação até a população de forma clara e didática, visando ampliar a prevenção e favorecer o diagnóstico precoce da doença. Criado nos Estados Unidos na década de 1990, o mês tem trazido para o debate público temas que antes não eram amplamente discutidos.

            Segundo a ginecologista e mastologista Dra. Juliana Dâmaso, o mês possui grande importância para a conscientização sobre câncer de mama. “Esse é um mês maravilhoso, em que a gente aproveita a oportunidade para reiterar a importância do Outubro Rosa. ” Para a doutora, a relevância do mês está principalmente no incentivo à busca por atendimento médico periodicamente, para consultas e exames de rotina, como a mamografia em idades recomendadas. Com isso, aumentam as chances de detecção precoce e, consequentemente, a de cura. “É a gente aumentar a taxa da realização dos exames e consequentemente que descubra o câncer o mais cedo possível”, alertou a entrevistada. A médica também explica que o câncer de mama tem se tornado cada vez mais comum.

            A mamografia é um dos principais exames realizados no rastreamento e detecção precoce do câncer de mama. Segundo a especialista, a mamografia é recomendada para mulheres de 40 a 69 anos, porém, pode ser realizada até idades mais avançadas, de acordo com a necessidade de cada paciente. Para a definição do período adequado, é necessário um acompanhamento individualizado da paciente com seu ginecologista ou mastologista, que pode ser feito pelo sistema privado ou pelo sistema público. No Sistema Único de Saúde (SUS), a mamografia é realizada de forma bienal, porém, com esforços recentes do Ministério da Saúde, está sendo implementado o acompanhamento anual das pacientes, como explica a Dra. Juliana.

            Em relação ao autoexame das mamas, o ginecologista e mastologista Dr. Ricardo Ribeiro explica que o método não deve fazer parte do rastreio do câncer. “Hoje, não recomendamos o autoexame mensal como método isolado de rastreamento, pois não há comprovação consistente de redução da mortalidade. Incentivamos, porém, o autoconhecimento das mamas, para que a mulher reconheça alterações novas e procure atendimento quando necessário.” Para a Dra. Juliana, o autoexame também deve ser realizado como forma de autoconhecimento, alertando para o risco da prática como método de prevenção. A especialista explica que isso pode causar uma “neurose” desnecessária para a mulher, colocando a responsabilidade de prevenir para a paciente. Na sua visão, o autoexame deve ser incentivado para que a mulher conheça o seu natural e perceba alguma possível alteração nas mamas, sem colocar isso como obrigação.

            O câncer de mama possui alguns fatores de risco importantes, dentre eles o envelhecimento, o histórico familiar e os hábitos de vida. Segundo o Dr. Ricardo, “ter fatores de risco não significa necessariamente desenvolver a doença.” Para a Dra. Juliana, os fatores de risco devem ser divididos em modificáveis e não modificáveis. Entre os fatores modificáveis, como o sedentarismo, a obesidade e o tabagismo, existe a possibilidade de manejamento para reduzir os riscos de desenvolver a doença. Porém, alguns fatores já são determinados, fora do alcance da paciente, como o tempo de exposição hormonal (primeira menstruação e última menstruação) e o histórico familiar. Nesses casos, é necessário o acompanhamento médico periódico, minimizando os riscos.

            Um dos medos da população em relação ao desenvolvimento do câncer de mama é a reposição hormonal após a menopausa. Entretanto, a Dra. Juliana explica: “A terapia de reposição hormonal não causa câncer. Mas essa paciente tem que pensar que ela precisa de um acompanhamento, com um ginecologista ou mastologista, pensando na reposição hormonal. Essa reposição precisa ser feita com acompanhamento.” Ainda segundo a doutora, a terapia de reposição hormonal possui outros benefícios, como a redução do risco de doenças cardiovasculares, osteoporose e quadros demenciais, especialmente em tratamentos que envolvem a reposição de estrogênio.

            De acordo com a Dra. Juliana, os cuidados de prevenção precisam ser adaptados de acordo com cada caso. Para a médica, é fundamental um conhecimento geral da saúde da mulher, inclusive a idade da primeira e da última menstruação. “Dependendo se essa paciente vira para mim e fala que tem trinta anos e a sua mãe faleceu com trinta e poucos anos de câncer de mama. Então, essa paciente vai ter que ter um acompanhamento diferente. Dependendo da paciente, a gente vai adiantar esse processo.”

            Em relação aos sintomas e alterações nas mamas causados pelo câncer, o mais comum é o surgimento de um caroço na região. Porém, esse não é o único sinal possível. Segundo a Dra. Juliana, “Ele pode aparecer como microcalcificações na mamografia. Pensando nessa parte física, do que a gente está vendo, a mama pode alterar repentinamente de tamanho. Também pode ocorrer a saída de secreção de forma espontânea pelo mamilo, que não acontecia antes. Nesse caso, é necessário um atendimento médico, para avaliar a cor, a consistência e ver se é um fator de risco ou não.” Outro sinal reiterado por ela é a mudança do aspecto da mama, conhecido como “casca de laranja”. Segundo a médica, “tem algumas mamas que ficam exatamente naquele aspecto.” O surgimento de inchaço, mudança de tamanho e inversão do mamilo de forma repentina também são sinais que podem ser causados pelo câncer de mama. Entretanto, a Dra. Juliana faz um alerta para a população não esperar que os sinais apareçam. e sim que, em um acompanhamento de rotina, eles sejam identificados pelo profissional ainda no começo.

            Sobre os mitos que envolvem o câncer de mama, alguns se sobressaem. A terapia de reposição hormonal e o uso de anticoncepcionais são os mais disseminados, e segundo a Dra. Juliana, esses fatores não devem ser tratados, de forma isolada, como causa direta da doença. “Tem muita paciente que relata ter visto informações que desodorante causa câncer de mama, que a depilação causa o câncer de mama, o sutiã utilizado, a própria terapia hormonal ou o anticoncepcional. A gente percebe esses mitos sendo propagados de uma maneira irresponsável, trazendo desinformação para as pacientes e colocando um tabu.”

            Em relação ao anticoncepcional, ele também se enquadra dentro de um mito. Segundo a Dra. Juliana, ele não causa o câncer de mama, mas, se porventura, a paciente é diagnosticada com câncer durante o uso do anticoncepcional, é necessária a suspensão do tratamento. “Mas não foi por conta dessas coisas que ela teve o câncer de mama”, alertou a médica.

            O câncer de mama tem ficado cada vez mais intenso e presente no debate público. O Outubro Rosa, embora tenha aumentado as discussões sobre isso, não pode ser um fator que delimita a discussão. É necessário que ela continue em todos os meses, com o intuito de levar a informação e mais conhecimento para as mulheres. Sua saúde merece atenção em todos os meses do ano. A prevenção, o acompanhamento médico e o acesso à informação permanecem importantes durante todo o ano.