Crônica – A chegada do outono: Renovação sob o silêncio das folhas
Por Ana Cláudia Almeida

O outono chegou e, de fato, bem devagar. Em tempos de calor extremo e pouca umidade no ar, essa estação é desafiada a interromper traços marcantes que ainda restam do verão.
O outono não faz alarde, não anuncia a sua chegada com trovões e ventos fortes. Ele se faz presente de um jeito mais discreto, a partir dos primeiros sinais. Folhas, antes verdes e cheias de vida, começam a perder sua cor vibrante. Mas não se engane, esse não é um fenômeno envolto em tristeza. Uma mistura de dourado, vermelho e laranja surge como se a natureza decidisse se despedir de um ciclo, mas de uma forma poética.
Se bem observar, as árvores com seus galhos nus fazem uma reflexão silenciosa sobre o tempo. Cada folha que cai, uma pequena história que se vai. Sob um vento fresco, as ruas, antes tomadas por passos apressados e lugares lotados, agora ficam mais tranquilas. Se bem observar, há algo de sereno no outono. É como se o mundo estivesse diminuindo o ritmo, convidando-nos a desacelerar e a bem observar…
Nessa estação, é dada uma oportunidade de aceitação do novo, e um movimento se repete em ambientes antagônicos. Nos campos, antes cobertos de flores e grãos, uma face mais introspectiva se ergue. A terra exibe os sinais da maturidade, enquanto as plantas perdem seus tons. Na simplicidade do seu envelhecimento, elas se tornam ainda mais belas e nos lembram que, às vezes, é preciso dar espaço ao que está por vir.
Na cidade, o ar fresco traz consigo o cheiro de terra molhada e de folhas secas que se acumulam nas calçadas. O tempo fica mais aconchegante e o outono nos envolve em uma rotina mais caseira. Cobertos por uma manta, temos momentos de descanso carregados de uma sensação de renovação e esperança de algo promissor.
À medida que as semanas passam, a estação vai nos preparando para o inverno. Em dias majoritariamente nublados, as últimas folhas caem, uma a uma. Se bem observar, a beleza está aí! Não apenas uma queda, uma capacidade de ascensão e transformação. Algo mais do que necessário é a arte de se despedir com graça. Por isso, no silêncio das folhas, lembre-se, é bom confiar no tempo e nos seus movimentos!