Crônica – Dia Mundial da Água: Precioso para alguns, essencial a todos
Por Ana Cláudia Almeida
Era 1993. A ONU (Organização das Nações Unidas), engajada na urgência global de discutir questões importantes sobre a água, definiu o dia 22 de março como a data para isso. 32 anos se passaram e, lamentavelmente, a realidade não acompanhou as metas estipuladas. O acesso integral à água potável e a gestão sustentável dos recursos hídricos são ainda uma distante linha de chegada de uma longa maratona. Nessa corrida contra o tempo, não mais engatinhamos, porém ainda caminhamos a passos curtos.

O Dia Mundial da Água nos remete a uma postura reflexiva e nos convida a adotar práticas de valorização e preservação. Em outros termos, algo que deveria ser genuíno e instintivo, nos é colocado como opção de escolha. Dentro da alienação de muitos, a aparente abundância se acomoda. A substância simples que acompanha a humanidade desde os seus primeiros passos de civilização, hoje clama por cuidado e consciência.
Para alguns, ela é apenas um bem cotidiano, para outros, um tesouro escasso e, às vezes, inacessível. Para uns mais sortudos, em uma manhã quente de verão, quando a sede aperta e o suor escorre pela pele, sua importância é lembrada e a vontade logo saciada. Para outros menos afortunados, meses de um poço vazio sob um chão seco e rachado é o recado direto da crise.
A diferença entre eles ultrapassa a falta, atingindo também a importância dada. O ser humano é assim, só aprende com a perda e a dor. Pessoas acostumadas com a ausência, sempre enaltecem a presença. Cada gota torna-se valiosa e o líquido comum é visto como realmente é: fonte geral de vida.
De modo óbvio, dizem por aí: “Nada muda se você não mudar”. Apesar das estatísticas preocupantes e tragédias naturais escancararem o sofrimento de bilhões da espécie, ela se mantém em um caminho não muito inteligente.
A data comemorativa chega a 2025 com mais um compilado de objetivos e um tema. Embora “A preservação das geleiras” pareça uma necessidade pontual de uma parte do globo, seus efeitos positivos e negativos certamente influenciam o todo. Sejam acordos em conferências internacionais climáticas ou esforços por campanhas ambientais, nada adianta se todos não começarem suas pequenas mudanças.
Rever gestos, alterar hábitos, observar o que nos cerca e o que realmente nos alimenta. Em tempos de infinitas necessidades desnecessárias, desperdício e consumo exagerado para amaciar o ego, o desafio é focar no que importa.
Sem dúvidas, a mesma mão que dá, também tira. Em sua simplicidade, a água é, e sempre será, o lembrete da inerência entre o ser humano e a natureza.