{"id":12898,"date":"2023-09-13T11:15:30","date_gmt":"2023-09-13T14:15:30","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=12898"},"modified":"2023-09-13T11:15:32","modified_gmt":"2023-09-13T14:15:32","slug":"fitas-amarelas-ao-vento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/fitas-amarelas-ao-vento\/","title":{"rendered":"Fitas Amarelas Ao Vento"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><strong>Por Ana Luiza Fagundes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao soar da meia-noite do dia 01 de setembro, podia-se ouvir em som estridente as badaladas dos sinos da Igreja da cidade, enquanto seus habitantes repousavam em suas casas. A cada badalada, uma fita amarela sa\u00eda daquelas melodias e se destacava no c\u00e9u negro daquela pequena cidade, se entrela\u00e7ando nos becos e vielas outrora movimentados durante o dia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A hist\u00f3ria por tr\u00e1s desse acontecimento divino come\u00e7ou n\u00e3o muito tempo atr\u00e1s, naquele mesmo munic\u00edpio. Um garoto, de apelido Mark, era alegre e extrovertido. Ao longo do dia, ouviam-se as piadas e palha\u00e7adas que o garoto fazia e, em seguida, a risada de todos em sua volta. Por\u00e9m, ao anoitecer, quando deitava sua cabe\u00e7a em seu travesseiro, n\u00e3o conseguia dormir, pois uma nuvem grande e sem forma, t\u00e3o escura quanto a noite, lhe dava pesadelos e isso perdurou por meses. No in\u00edcio, apesar de n\u00e3o dormir continuou o mesmo de sempre durante o dia, mas, com o passar do tempo, ele ficava cada dia mais cansado e sem \u00e2nimo. Todos \u00e0 sua volta repararam tudo e preferiram n\u00e3o falar sobre.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dia ap\u00f3s repousar seu corpo novamente em sua cama, olhou para a nuvem com os olhos lacrimejados e perguntou: &#8220;Por que? Por que comigo? O que eu fiz? Por acaso machuquei algu\u00e9m?&#8221;. O menino n\u00e3o esperava uma resposta, todavia, com uma voz rouca e melanc\u00f3lica aquela imensid\u00e3o respondeu: &#8220;Lembran\u00e7as dolorosas e de arrependimento, lembran\u00e7as de ser machucado e sentir medo, somente esses com tais lembran\u00e7as no peito podem se tornar fortes, emocionalmente firmes e podem alcan\u00e7ar a felicidade e ajudar outras pessoas a alcan\u00e7arem tamb\u00e9m&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A escurid\u00e3o fez o garoto cair em um profundo sono e em cima de seu peito colocou uma fita amarela. Ao acordar, o menino correu em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas que ele amava e, chorando compulsivamente, pediu acalento. Ao repousar em sua cama na noite daquele dia viu a nuvem menor e menos aterrorizante e disse em seguida: &#8220;Sei que voc\u00ea n\u00e3o vai desaparecer em um instante, em uns dias voc\u00ea vai estar menor e em outros maior, todavia quero que saiba que vou lutar e espero que outras pessoas como eu, por mais dif\u00edcil que seja, lutem e quando se sentirem sozinhas, espero que em algum lugar no peito delas elas sintam que eu estou com elas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O menino fechou os olhos e caiu em um sono profundo enquanto as badaladas dos sinos tocavam. Naquele instante, a cada eco, fitas amarelas sa\u00edam e ao percorrer toda a cidade, iam mundo afora. Durante o m\u00eas de setembro, quem se aventurasse ap\u00f3s a meia noite podia ver as fitas voando livremente. Quando o m\u00eas acabava, elas continuavam voando, mas n\u00e3o se podia v\u00ea-las, apenas sentir que aonde quer que fossem elas o acompanhariam e repousariam falando suavemente em seus cora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"600\" src=\"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-13-at-10.49.40.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12899\" srcset=\"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-13-at-10.49.40.jpeg 600w, https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-13-at-10.49.40-300x300.jpeg 300w, https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-13-at-10.49.40-150x150.jpeg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><strong>Revis\u00e3o: Mariana Carvalho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><strong>Subeditoria de conte\u00fado: Maria Beatriz Garcia <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[&#8230;] A hist\u00f3ria por tr\u00e1s desse acontecimento divino come\u00e7ou n\u00e3o muito tempo atr\u00e1s, naquele mesmo munic\u00edpio. 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