Corpo, Mente e Voz: O Tatame como Espaço de Segurança para Mulheres São-joanenses
Por Murilo Abrantes e Bruna Diniz

A fundamentação do projeto
A “Força Feminina Black Belt” reúne aulas de defesa pessoal e a prática do Jiu-Jitsu, que não se limitam apenas ao combate físico: elas abrangem consciência corporal e imposição de limites. Sua importância se estende além do tatame, ajudando mulheres a se sentirem mais confiantes e seguras e revertendo situações de assédio, importunação sexual e violência doméstica.
De acordo com o Ministério Público, o estado de Minas Gerais concentra 11,3% de todas as vítimas de feminicídio do país, ocupando o segundo lugar no ranking nacional em números absolutos. Diante dessa realidade alarmante, iniciativas gratuitas como esta realizada pela Black Belt passam a atuar como uma ferramenta poderosa de proteção, incentivo à autonomia e acolhimento para as mulheres da cidade.
O Cabo Longatti, da Polícia Militar, faixa preta em Jiu-Jitsu e um dos idealizadores do projeto, entende as artes marciais e a defesa pessoal como uma forma de parceria entre as polícias Militar e Civil no combate à violência doméstica e ao feminicídio, com foco em prevenir que casos como esses ocorram. Ele explica que “o ambiente e os treinamentos são preparados e adaptados para receber todos os tipos de alunas, com um tatame preparado para amortecer quedas, manejo das aulas formando duplas entre as mulheres e contando também com a colaboração de um aluno já praticante do Jiu-Jitsu, geralmente faixa roxa ou marrom, para demonstrar técnicas em que as alunas possam sair de situações contra um oponente fisicamente mais forte.”
O impacto prático do projeto
Samara, aluna e apoiadora do projeto afirma que após o término de um relacionamento conturbado, buscou no Jiu-Jitsu e na defesa pessoal uma forma de se sentir mais segura ao sair sozinha, pegar transportes públicos e frequentar lugares à noite. Outra apreciadora do projeto, relata também que buscou conhecer o local após se recuperar de uma tentativa de feminicídio ocorrida no final de 2024. Ela destaca a importância de um ambiente acolhedor e de incentivo para as mulheres, buscando se sentir protegida e confiante para identificar perigos e saber reagir sem expor a própria vida a riscos desnecessários.

Para além de todos os ensinamentos sobre técnicas de imobilização e autodefesa, o “Força Feminina Black Belt” ajuda a consolidar uma rede de apoio e proteção comunitária em São João del-Rei. Ao combinar instrução técnica, sensibilidade com as alunas e acesso gratuito, o projeto reafirma que o direito de transitar e viver com segurança é, acima de tudo, uma conquista coletiva, seja dentro e, principalmente, fora do tatame.
As aulas do projeto “Força Feminina Black Belt” acontecem na Academia Black Belt (Avenida Leite Castro, 102, Fábricas) todos os sábados de 13:30 às 14:30. Os treinos são gratuitos e abertos a mulheres de todas as idades, sem necessidade de experiência prévia em artes marciais.
