{"id":900,"date":"2011-09-26T12:48:00","date_gmt":"2011-09-26T12:48:00","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=900"},"modified":"2011-09-26T12:48:00","modified_gmt":"2011-09-26T12:48:00","slug":"de-alma-incolor","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/de-alma-incolor\/","title":{"rendered":"De Alma Incolor"},"content":{"rendered":"<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\">\n<a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-XGflWEWDpvU\/ToByuD9BuCI\/AAAAAAAAAEY\/3v85xca6ly0\/s1600\/IMG_1033.JPG\" imageanchor=\"1\" style=\"clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"213\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-XGflWEWDpvU\/ToByuD9BuCI\/AAAAAAAAAEY\/3v85xca6ly0\/s320\/IMG_1033.JPG\" width=\"320\" \/><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div class=\"MsoNoSpacing\" style=\"line-height: 150%; text-align: center; text-indent: 35.4pt;\">\n<i style=\"mso-bidi-font-style: normal;\">Grupo de Incultura\u00e7\u00e3o luta pela conscientiza\u00e7\u00e3o<br \/>\ndas diferen\u00e7as sociais<\/i><\/div>\n<div class=\"MsoNoSpacing\" style=\"line-height: 150%; text-align: center; text-indent: 35.4pt;\">\n<i style=\"mso-bidi-font-style: normal;\"><br \/><\/i><\/div>\n<div class=\"MsoNoSpacing\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\n\u201cN\u00e3o importa a igreja ou a religi\u00e3o, o que importa \u00e9 a<br \/>\nvida, o que vale \u00e9 a vida\u201d. \u00c9 dessa forma, que Vicentina Neves Teixeira, ou dona<br \/>\nVicentina, descreve a luta pela participa\u00e7\u00e3o efetiva no Grupo de Incultura\u00e7\u00e3o<br \/>\nAfrodescendentes Ra\u00edzes da Terra, que fundou e coordena h\u00e1 mais de 20 anos no<br \/>\nbairro S\u00e3o Geraldo, em S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei. <\/div>\n<div class=\"MsoNoSpacing\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\nNascida e criada na cidade dos sinos, dona Vicentina<br \/>\ntrouxe a responsabilidade de difundir em sua comunidade um trabalho de<br \/>\nconscientiza\u00e7\u00e3o de direitos e valores, al\u00e9m da preserva\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o<br \/>\nafrodescendente.&nbsp; \u201cNo final do ano<br \/>\npassado, na Festa do Zumbi, colocamos como tema \u2018Cidadania n\u00e3o tem cor\u2019, porque<br \/>\npara vestir a nossa camisa de negros n\u00e3o precisa ser negro. A pessoa que tem a<br \/>\npele branca, \u00e0s vezes, tem mais cuidado, d\u00e1 mais valor que o pr\u00f3prio negro\u201d,<br \/>\ncomenta Vicentina. \u201cAt\u00e9 porque a maioria dos negros tem vergonha de ser negro\u201d,<br \/>\nrevela. <\/div>\n<div class=\"MsoNoSpacing\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\nA coordenadora destaca, como exemplo da perda de<br \/>\ntradi\u00e7\u00e3o, a festividade mais marcante da cultura afro: o congado. \u201cSe voc\u00ea<br \/>\nanalisar o congado atualmente, d\u00e1 para perceber a participa\u00e7\u00e3o efetiva de<br \/>\nbrancos, enquanto que os negros permanecem de longe, s\u00f3 olhando\u201d, explica.<br \/>\n\u201cDepois ainda comentam que a festa est\u00e1 acabando. L\u00f3gico, ele n\u00e3o esta l\u00e1 para<br \/>\najudar, a festa tem que acabar mesmo. \u00c9 muito triste a falta de comprometimento<br \/>\ndas pessoas na heran\u00e7a da fam\u00edlia\u201d, completa.&nbsp;\n<\/div>\n<div class=\"MsoNoSpacing\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNoSpacing\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\nRa\u00edzes da Terra<\/div>\n<div class=\"MsoNoSpacing\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNoSpacing\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\nSurgido a partir do Movimento Sanjoanense de Cultura<br \/>\nAfro-Brasileira (MOSCAB), o grupo n\u00e3o se manifesta a partir de credos<br \/>\nreligiosos e ficou conhecido, inicialmente, como Grupo de Pastoral de<br \/>\nConsci\u00eancia Negra. Com a uni\u00e3o de diferentes religi\u00f5es, o grupo sentiu a<br \/>\nnecessidade de atender e deixar todos confort\u00e1veis em seus encontros. \u201cPrecis\u00e1vamos<br \/>\nde respeito para todos que participavam. Um dia algu\u00e9m me perguntou: por que<br \/>\nconsci\u00eancia negra se consci\u00eancia n\u00e3o tem cor?\u201d, relembra Vicentina. O grupo<br \/>\nent\u00e3o se reuniu e votaram em um novo nome que representasse sua ess\u00eancia. &nbsp;<\/div>\n<div class=\"MsoNoSpacing\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\n<a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-2fM7o-Mzmdg\/ToB0eu-GPmI\/AAAAAAAAAEc\/StBy9ju1nLA\/s1600\/IMG_1025.JPG\" imageanchor=\"1\" style=\"clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"320\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-2fM7o-Mzmdg\/ToB0eu-GPmI\/AAAAAAAAAEc\/StBy9ju1nLA\/s320\/IMG_1025.JPG\" width=\"213\" \/><\/a>Dessa decis\u00e3o surgiu o nome do grupo, que utiliza de percuss\u00e3o<br \/>\ne dan\u00e7a em ritmos afro-descentes, com figurinos t\u00edpicos, para resgatar a<br \/>\ncultura negra. \u201cN\u00f3s estamos tentando resgatar a nossa cultura afro, porque<br \/>\nsomos descendentes da 3\u00aa gera\u00e7\u00e3o de africanos e Ra\u00edzes da Terra porque somos<br \/>\nra\u00edzes em S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei de descendentes. Al\u00e9m de tentar resgatar a nossa<br \/>\ncultura local\u201d, explica a coordenadora.<\/div>\n<div class=\"MsoNoSpacing\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\nO Ra\u00edzes da Terra conta com o apoio da Associa\u00e7\u00e3o de<br \/>\nCongado Santa Efig\u00eania, e da Universidade Federal de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei&nbsp; (UFSJ). Contudo ainda sentem a falta de apoio<br \/>\nda comunidade e das pr\u00f3prias fam\u00edlias.&nbsp;<br \/>\n\u201cSe trabalhamos com crian\u00e7a, cad\u00ea os pais para incentivar a<br \/>\nparticipa\u00e7\u00e3o? Quando tiramos uma crian\u00e7a das esquinas, a livramos de coisas<br \/>\npiores. Dependendo da situa\u00e7\u00e3o que essa crian\u00e7a enfrenta, ela n\u00e3o acha o<br \/>\ncaminho de volta. Temos uma menininha de 4 anos\u201d, revela. \u201cAt\u00e9 pessoas de 120<br \/>\nanos\u201d, completa com uma risada.<\/div>\n<div class=\"MsoNoSpacing\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\nPara a tesoureira Efig\u00eania Vicentina Neves, Genica como<br \/>\n\u00e9 conhecida, o trabalho com as crian\u00e7as \u00e9 de fundamental import\u00e2ncia para a<br \/>\nconscientiza\u00e7\u00e3o da comunidade. \u201cNingu\u00e9m nasce racista. O conv\u00edvio com uma<br \/>\nsociedade racista \u00e9 que moldam sua forma de pensar; por isso o grupo procura<br \/>\nfazer um trabalho de socializa\u00e7\u00e3o, para desde cedo, conscientizar as crian\u00e7as a<br \/>\naceitar as diferen\u00e7as sociais que existem\u201d, explica. <\/div>\n<div class=\"MsoNoSpacing\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNoSpacing\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\nBer\u00e7o da Escravid\u00e3o<\/div>\n<div class=\"MsoNoSpacing\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\nLutando h\u00e1 20 anos pela valoriza\u00e7\u00e3o de sua ra\u00e7a com o<br \/>\nGrupo Ra\u00edzes da Terra, Dona Vicentina enfatiza que a discrimina\u00e7\u00e3o acontece a<br \/>\ntodo o momento, por mais esclarecida e evolu\u00edda seja a popula\u00e7\u00e3o. \u201cFicou<br \/>\nenraizado que tudo relacionado a negro ou \u00e9 feio ou \u00e9 do diabo\u201d, revela.<br \/>\n\u201cFazemos parte de uma cidade de escravos e senhores. O historiador, Jairo Braga<br \/>\nMachado, sempre falou muito sobre isso. S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei \u00e9 um celeiro de<br \/>\nsenhores e escravos. Aqui \u00e9 o ber\u00e7o da discrimina\u00e7\u00e3o, da escravid\u00e3o\u201d, como<br \/>\nassim descreve a cidade de natal. <\/div>\n<div class=\"MsoNoSpacing\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\nPara uma melhor aceita\u00e7\u00e3o, o Grupo Ra\u00edzes da Terra<br \/>\nacredita que ainda \u00e9 necess\u00e1rio um espa\u00e7o para que eles possam, de forma<br \/>\nsimples, explicar o objetivo do projeto e aproximar a comunidade de uma cultura<br \/>\nque faz parte da hist\u00f3ria da cidade, sem julgamentos pr\u00e9vios. \u201cCada um faz a<br \/>\nsua hist\u00f3ria conforme quer e a dor que sente. Estamos resgatando a hist\u00f3ria que<br \/>\neu estou vivendo, que eu vivi, e isso tem que ser preservado\u201d, sensibiliza dona<br \/>\nVicentina em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho desenvolvido.&nbsp;<\/div>\n<div class=\"MsoNoSpacing\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNoSpacing\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\nTexto e Fotos: Carol Slaibi<\/p>\n<div style=\"margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;\">\n<\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;\">\n&#8212;<\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;\">\n<\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;\">\n<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">\n<div style=\"margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;\">\n<div style=\"margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;\">\n<i>Para copiar e reproduzir qualquer conte\u00fado da VAN, envie um e-mail para vanufsj@gmail.com, solicitando a reportagem desejada. \u00c9 simples e gratuito.<\/i><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Grupo de Incultura\u00e7\u00e3o luta pela conscientiza\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as sociais \u201cN\u00e3o importa a igreja ou a religi\u00e3o, o que importa \u00e9 a vida, o que vale \u00e9 a vida\u201d. \u00c9 dessa<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"cybocfi_hide_featured_image":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[152],"class_list":["post-900","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria","tag-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/900","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=900"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/900\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=900"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=900"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=900"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}