{"id":8632,"date":"2018-02-07T18:05:31","date_gmt":"2018-02-07T20:05:31","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=8632"},"modified":"2018-02-07T18:05:31","modified_gmt":"2018-02-07T20:05:31","slug":"desejo-a-todas-as-amigas-vida-longa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/desejo-a-todas-as-amigas-vida-longa\/","title":{"rendered":"DESEJO A TODAS AS AMIGAS VIDA LONGA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em>Alunas se unem para enfrentar as agress\u00f5es contra a mulher no ambiente universit\u00e1rio<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Por Elaine Cristina Maciel e Joyce Stampini<\/p>\n<figure style=\"width: 4272px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" aligncenter\" style=\"max-width: 100%;\" src=\"https:\/\/mulheresnauniversidade.files.wordpress.com\/2017\/12\/img_9391.png\" width=\"4272\" height=\"2848\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Mulheres ainda s\u00e3o em menor n\u00famero nas Engenharias, conhecidas como \u201ccurso de homem\u201d.\u00a0 Foto\/Mulheres na Universidade: Agnes Monteiro<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cEra um dia de muita chuva em S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei e eu estava numa festa numa rep\u00fablica bem conhecida na cidade. Eu frequentava muito essa casa, desde quando era caloura, porque me considerava amiga dos meninos que moravam l\u00e1. Inclusive, a primeira festa de quando entrei na Universidade foi nessa rep\u00fablica. Nesse dia, eu estava b\u00eabada e n\u00e3o queria mais ficar na festa. Mas como a chuva estava muito forte, eu tamb\u00e9m n\u00e3o tinha como ir embora naquela hora. Ent\u00e3o, chamei um amigo meu, o Felipe*, e pedi a chave do quarto dele pra ficar l\u00e1 nesse tempo. Como era uma casa muito antiga, eu n\u00e3o consegui trancar a porta e acabei dormindo. A \u00fanica pessoa que sabia que eu estava l\u00e1 era o Felipe. No meio da noite, ele foi pro quarto e l\u00e1 ele me estuprou. Eu n\u00e3o estava no clima e ele insistiu, foi for\u00e7ado. Ele ainda fez uma tortura psicol\u00f3gica comigo e me deixou trancada at\u00e9 o outro dia de manh\u00e3, porque ele me dizia: \u2018T\u00e1 todo mundo acordado ali fora. O que eles v\u00e3o pensar de voc\u00ea saindo do meu quarto?\u2019. \u00a0Eu estava muito constrangida, porque conhecia todos os moradores. E estava nervosa. Na hora, n\u00e3o sabia que aquilo ali tinha sido um estupro, uma agress\u00e3o. O Felipe ainda me levou em casa quando amanheceu, e eu estava me sentindo muito mal, ent\u00e3o mandei mensagens para as minhas amigas contando o que tinha acontecido. Elas me falaram: \u2018Milena, isso foi um estupro. Voc\u00ea precisa denunciar agora\u2019.\u201d<\/p>\n<p>Isso \u00e9 o que nos conta Milena*, aluna que estava no Curso de Administra\u00e7\u00e3o da Universidade Federal de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei (UFSJ) na \u00e9poca da viol\u00eancia. O relato da estudante, infelizmente, n\u00e3o \u00e9 caso isolado no ambiente universit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Segundo informa\u00e7\u00f5es de uma\u00a0<a href=\"http:\/\/zh.clicrbs.com.br\/rs\/noticias\/noticia\/2015\/12\/quase-70-das-mulheres-ja-sofreram-violencia-em-universidades-mostra-pesquisa-4921846.html\">pesquisa de 2015 do Instituto Avon em parceria com o DataPopular<\/a>, 67% das mulheres foram v\u00edtimas de viol\u00eancia cometida por um homem nas universidades ou nas festas acad\u00eamicas. J\u00e1 42% das estudantes estiveram em uma situa\u00e7\u00e3o na qual sentiram medo de sofrer viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Entre os universit\u00e1rios do sexo masculino, 38% admitiram ter cometido alguma viol\u00eancia, como ass\u00e9dio sexual, coer\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia sexual, viol\u00eancia f\u00edsica, desqualifica\u00e7\u00e3o intelectual com base em g\u00eanero e agress\u00e3o moral ou psicol\u00f3gica. A maioria dos entrevistados de ambos os sexos acredita que as faculdades deveriam criar maneiras para punir os respons\u00e1veis.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se restringe \u00e0 Federal de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei. A estudante Joana*, que estuda na cidade de Ub\u00e1, tamb\u00e9m passou por agress\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEu tinha chegado h\u00e1 pouco tempo e fiz amizade com um grupo. O Augusto* sempre estava junto. Ele era bem legal e eu gostava dele como amigo. Mas os homens t\u00eam a mania de achar que, se voc\u00ea \u00e9 legal, \u00e9 porque est\u00e1 dando mole. A gente tinha um relacionamento de amizade. Numa calourada, est\u00e1vamos todos juntos bebendo e, na hora de ir embora, ele disse que queria me beijar. E eu disse que n\u00e3o queria, e uma \u2018amiga\u2019 em comum ficou insistindo. Ainda assim, eu disse que n\u00e3o. Ent\u00e3o, Augusto me beijou totalmente \u00e0 for\u00e7a, duas vezes. Na segunda vez, ele at\u00e9 segurou meus bra\u00e7os com muita for\u00e7a, mas, em momento algum, eu o beijei de volta. Depois, soube que o assunto foi comentado na faculdade e, at\u00e9 hoje, n\u00e3o sei como, porque n\u00e3o contei pra ningu\u00e9m, apenas para o coordenador do curso. Foi desgastante demais para mim\u201d,\u00a0relata.<\/p>\n<figure style=\"width: 1272px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" aligncenter\" style=\"max-width: 100%;\" src=\"https:\/\/mulheresnauniversidade.files.wordpress.com\/2017\/12\/spotted-feminista.png\" width=\"1272\" height=\"1877\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Autoras an\u00f4nimas &#8211; Arte\/Mulheres na Universidade: Rafael Senna<\/figcaption><\/figure>\n<h3><b>Sem puni\u00e7\u00f5es<\/b><\/h3>\n<p>Na UFSJ, o que acontece com o agressor quando uma aluna denuncia uma situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia? \u201cO nosso regimento interno tem que ser alterado, porque n\u00e3o h\u00e1 qualquer puni\u00e7\u00e3o a quem cometa qualquer ato contra a dignidade humana. O m\u00e1ximo que conseguimos fazer sem a dosimetria [medida que determina a gravidade da agress\u00e3o] \u00e9 a advert\u00eancia. N\u00e3o temos suspens\u00e3o, nem desvincula\u00e7\u00e3o\u201d, explica o vice-reitor Marcelo Pereira de Andrade.<\/p>\n<p>A aus\u00eancia de puni\u00e7\u00e3o muitas vezes prejudica a den\u00fancia que deveria ser realizada. A ex-aluna do curso de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas da UFSJ, Camila* relata que passou por situa\u00e7\u00f5es de ass\u00e9dio antes de se formar e n\u00e3o denunciou com medo de sofrer repres\u00e1lia nas aulas. \u201cAlguns professores nos colocam em uma posi\u00e7\u00e3o desagrad\u00e1vel. Alguns convidam para um caf\u00e9, mas s\u00f3 chamam alunas mulheres. \u00c9 muito estranho\u201d, desabafa.<\/p>\n<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-8632 gallery-columns-2 gallery-size-thumbnail'><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/desejo-a-todas-as-amigas-vida-longa\/1-73\/'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/1-150x150.png\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" aria-describedby=\"gallery-1-8653\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/1-150x150.png 150w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/1-300x300.png 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/1-60x60.png 60w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/1-80x80.png 80w, 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href='http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/desejo-a-todas-as-amigas-vida-longa\/5-5\/'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/5-150x150.png\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" aria-describedby=\"gallery-1-8657\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/5-150x150.png 150w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/5-300x300.png 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/5-60x60.png 60w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/5-80x80.png 80w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/5.png 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<figcaption class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-8657'>\n\t\t\t\tArte\/Mulheres na Universidade: Rafael Senna\n\t\t\t\t<\/figcaption><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/desejo-a-todas-as-amigas-vida-longa\/6-4\/'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/6-150x150.png\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" aria-describedby=\"gallery-1-8658\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/6-150x150.png 150w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/6-300x300.png 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/6-60x60.png 60w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/6-80x80.png 80w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/6.png 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<figcaption class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-8658'>\n\t\t\t\tArte\/Mulheres na Universidade: Rafael Senna\n\t\t\t\t<\/figcaption><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/desejo-a-todas-as-amigas-vida-longa\/7-5\/'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/7-150x150.png\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" aria-describedby=\"gallery-1-8659\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/7-150x150.png 150w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/7-300x300.png 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/7-60x60.png 60w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/7-80x80.png 80w, 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Segundo a estudante, Felipe foi detido, e ela passou o dia todo na delegacia para fazer o exame de corpo de delito: \u201cO delegado e a psic\u00f3loga foram p\u00e9ssimos comigo. Eles n\u00e3o acreditavam que havia sido um estupro, porque eu estava no quarto e na casa dele e eu quem tinha pedido para entrar\u201d.<\/p>\n<p>A aluna conta que sofreu muita press\u00e3o dos amigos de Felipe e do pr\u00f3prio delegado para retirar a den\u00fancia. \u201cEu n\u00e3o estava me sentindo segura para seguir em frente. E \u00e9 algo de que eu me arrependo muito hoje em dia. Tive que mudar minha vida toda depois disso, de curso, de casa e de amigos\u201d, relata.<\/p>\n<p>Milena fez terapia e, atualmente, consegue falar sobre o assunto. \u201c\u00c9 importante [contar], porque eu sei que acontece muito aqui em S\u00e3o Jo\u00e3o. V\u00e1rias amigas minhas j\u00e1 sofreram viol\u00eancia. Hoje em dia, sou militante e feminista, participo de um coletivo que trabalha com isso diariamente\u201d, explica ela.<\/p>\n<p>Enquanto medidas de puni\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o criadas pela Universidade, as alunas fazem o poss\u00edvel para proteger umas \u00e0s outras. Exemplo de organiza\u00e7\u00e3o que une for\u00e7as contra a viol\u00eancia \u00e9 o Coletivo Carcar\u00e1, o qual realiza oficinas, rodas de conversa e manifesta\u00e7\u00f5es na cidade. Segundo os membros, o coletivo busca dar espa\u00e7o \u00e0s minorias, principalmente \u00e0 quest\u00e3o de g\u00eanero, e estimular \u00a0a reflex\u00e3o e discuss\u00e3o quanto ao papel da mulher.<\/p>\n<p>O Grupo Dandara tamb\u00e9m busca reunir mulheres para enfrentar quest\u00f5es de g\u00eanero, de classe e raciais. Formado por mulheres negras e feministas, o Dandara existe desde 2013. Segundo Cl\u00e9o Souza, integrante do grupo, a ideia surgiu com uma performance realizada denominada \u201dA carne mais barata do mercado\u201d. \u201cEnt\u00e3o, o grupo foi se afunilando para a quest\u00e3o mais espec\u00edfica da mulher negra, com o entendimento de uma enorme necessidade de discutir problemas relacionados ao racismo e machismo, principalmente, dentro e fora da Universidade e na comunidade\u201d, explica Cl\u00e9o.<\/p>\n<figure style=\"width: 960px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" aligncenter\" style=\"max-width: 100%;\" src=\"https:\/\/mulheresnauniversidade.files.wordpress.com\/2017\/12\/dandara.jpg\" width=\"960\" height=\"640\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Reuni\u00e3o do grupo Dandara em S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei. Foto\/Arquivo: Facebook<\/figcaption><\/figure>\n<p>Al\u00e9m dos coletivos, outra iniciativa que busca unir e empoderar o p\u00fablico feminino \u00e9 o Jornal Delas. O ve\u00edculo surgiu durante o segundo semestre de 2015, na disciplina de Planejamento Visual Gr\u00e1fico do Curso de Jornalismo da UFSJ, que pedia um produto novo como trabalho de conclus\u00e3o. O produto surgiu da insatisfa\u00e7\u00e3o com o modo como a m\u00eddia hegem\u00f4nica apresentava a mulher e as quest\u00f5es que a envolvem.<\/p>\n<p>Atualmente, o Delas se tornou projeto de extens\u00e3o da Universidade e realiza outras atividades de cunho feminista, como oficina de fotografia na Associa\u00e7\u00e3o de Prote\u00e7\u00e3o e Assist\u00eancia ao Condenado (APAC) Feminina para empoderar as detentas dos regimes semiaberto e fechado.<\/p>\n<p>Neste ano de 2017, \u00a0o ve\u00edculo realizou um levantamento on-line e an\u00f4nimo sobre os casos de ass\u00e9dio. \u201cN\u00f3s acreditamos que o ass\u00e9dio dentro da universidade ainda \u00e9 pouco abordado, j\u00e1 que admitir a exist\u00eancia \u2018descredibiliza\u2019 o ambiente acad\u00eamico. Por isso, realizamos a pesquisa como forma de termos no\u00e7\u00e3o dos casos e podermos trabalhar para que isso seja cada vez mais discutido e abordado e, assim, erradicado\u201d, esclarece a assessoria do Delas.<\/p>\n<p>Um dos pontos levantados pelo Jornal Delas tamb\u00e9m foi a falta de seguran\u00e7a na UFSJ. Segundo a assessoria do Delas, a universidade faz muito pouco enquanto institui\u00e7\u00e3o. \u201cH\u00e1 muito mais a ser feito, desde melhorar a infraestrutura, como a ilumina\u00e7\u00e3o no Campus Tancredo Neves (CTAN), at\u00e9 campanhas e folhetos que incentivem a den\u00fancia de casos dentro e fora da institui\u00e7\u00e3o\u201d, avalia.<\/p>\n<p>Segundo o vice-reitor, na UFSJ, o sistema de patrulhamento foi reformulado recentemente e foram distribu\u00eddas cartilhas de preven\u00e7\u00e3o a situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia. Al\u00e9m dessas medidas, est\u00e3o sendo realizadas reuni\u00f5es para construir uma comiss\u00e3o de debate e uma pol\u00edtica institucional de seguran\u00e7a. \u201cA gente est\u00e1 apostando muito na constru\u00e7\u00e3o coletiva, com as necessidades vindo de baixo para cima. Temos que mudar a cultura, com uma pol\u00edtica de conscientiza\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Marcelo.<\/p>\n<div id='gallery-2' class='gallery galleryid-8632 gallery-columns-3 gallery-size-thumbnail'><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/desejo-a-todas-as-amigas-vida-longa\/magazine-1-5\/'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Magazine-1-4-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Magazine-1-4-150x150.jpg 150w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Magazine-1-4-60x60.jpg 60w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Magazine-1-4-80x80.jpg 80w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/desejo-a-todas-as-amigas-vida-longa\/magazine-2-2\/'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Magazine-2-1-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Magazine-2-1-150x150.jpg 150w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Magazine-2-1-60x60.jpg 60w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Magazine-2-1-80x80.jpg 80w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/desejo-a-todas-as-amigas-vida-longa\/magazine-3-2\/'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Magazine-3-1-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Magazine-3-1-150x150.jpg 150w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Magazine-3-1-60x60.jpg 60w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Magazine-3-1-80x80.jpg 80w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div><\/figure>\n\t\t<\/div>\n\n<h3><\/h3>\n<h3><b>\u201cIsso \u00e9 curso de homem!\u201d<\/b><\/h3>\n<p>Outra forma muito comum de viol\u00eancia no ambiente acad\u00eamico est\u00e1 na desqualifica\u00e7\u00e3o intelectual, apenas pelo fato de a estudante ser mulher. Existe, na sociedade e na universidade, um preconceito de que um curso seja para homens e outro seja para mulheres.<\/p>\n<p>Um exemplo \u00e9 a lista de alunos convocados em primeira chamada de 2017 para o Curso de Engenharia Mec\u00e2nica da UFSJ. Nesse curso, popularmente conhecido como \u201cde homem\u201d, apenas 12 de 100 vagas oferecidas s\u00e3o preenchidas por mulheres. J\u00e1 no Curso de Pedagogia, das 50 vagas, 42 s\u00e3o preenchidas por candidatos do sexo feminino. Essa discrep\u00e2ncia nos dados levanta o questionamento: numa sala de Exatas, majoritariamente composta por homens, as mulheres s\u00e3o respeitadas?<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"max-width: 100%;\" src=\"https:\/\/mulheresnauniversidade.files.wordpress.com\/2017\/12\/infogracc81fico-1.gif\" \/><\/p>\n<p>estudante Lorena Alves Vital Coelho, do Curso de Engenharia El\u00e9trica, conta que a situa\u00e7\u00e3o de desrespeito acontece. \u00a0\u201cEm nenhum momento, eu passei pelo constrangimento dentro de sala de aula, mas conhe\u00e7o colegas que j\u00e1 passaram e, infelizmente, se submeteram a essa situa\u00e7\u00e3o\u201d, explica.<\/p>\n<p>Ainda segundo a estudante, a presen\u00e7a feminina aumentou muito nos \u00faltimos semestres nos cursos de engenharia. \u201cN\u00f3s [mulheres] n\u00e3o podemos pensar que n\u00e3o podemos fazer uma \u00e1rea de exatas. Infelizmente, muitas mulheres t\u00eam medo de estar num ambiente cheio de homens\u201d, conta.<\/p>\n<blockquote><p><strong>\u201cEu vejo meninas que t\u00eam essa facilidade com matem\u00e1tica, ent\u00e3o a gente precisa acreditar em n\u00f3s. A gente tem um dom\u00ednio muito grande nessa \u00e1rea de racioc\u00ednio l\u00f3gico.&#8221;\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&#8211;\u00a0 Lorena Coelho, estudante de engenharia<\/p><\/blockquote>\n<p>Para incentivar as meninas s\u00e3o-joanenses a seguirem na \u00e1rea de Exatas, foi criado o projeto \u201cMulheres na Engenharia\u201d. Com o slogan \u201cTalento n\u00e3o escolhe sexo\u201d, alunas da UFSJ \u00a0apresentam a Universidade e os cursos de engenharia para estudantes do ensino m\u00e9dio da cidade. Em atividade desde 2016, mais de 118 alunas j\u00e1 receberam o projeto.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o caso de Virg\u00ednia In\u00eas Teixeira, 16 anos, que est\u00e1 no primeiro ano do ensino m\u00e9dio e deseja seguir na \u00e1rea de Exatas. \u201cEu sempre gostei muito de matem\u00e1tica e de constru\u00e7\u00e3o. A\u00ed meu pai me falou sobre a engenharia e eu fiquei apaixonada. Pesquisei como era a vida de um engenheiro civil e se havia mulheres nesse ramo por ser mais pesado\u2026 Mas vi que nada me impediria de fazer engenharia\u201d, relata.<\/p>\n<p><i>*Todos os nomes foram alterados, a pedido das entrevistadas, para preservar a identidade delas.<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Coordena\u00e7\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o\/Mulheres na Universidade: Janaina Barcelos<br \/>\nEditora\u00e7\u00e3o e artes\/Mulheres na Universidade: Rafael Senna, Clara Rita e Agnes Monteiro<br \/>\nTexto Original:\u00a0mulheresnauniversidade.wordpress.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alunas se unem para enfrentar as agress\u00f5es contra a mulher no ambiente universit\u00e1rio Por Elaine Cristina Maciel e Joyce Stampini \u201cEra um dia de muita chuva em S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8633,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"cybocfi_hide_featured_image":"","footnotes":""},"categories":[387,109],"tags":[],"class_list":["post-8632","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao","category-sao-joao-del-rei-microrregiao-de-sao-joao-del-rei"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8632","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8632"}],"version-history":[{"count":42,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8632\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8692,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8632\/revisions\/8692"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8633"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8632"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8632"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8632"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}