{"id":8563,"date":"2018-02-05T14:48:00","date_gmt":"2018-02-05T16:48:00","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=8563"},"modified":"2018-02-05T14:48:00","modified_gmt":"2018-02-05T16:48:00","slug":"quanto-falta-para-o-paraiso","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/quanto-falta-para-o-paraiso\/","title":{"rendered":"QUANTO FALTA PARA O PARA\u00cdSO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em>A realidade das professoras universit\u00e1rias: em menor n\u00famero e fora dos cargos de lideran\u00e7a, elas ainda se sentem respeitadas<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Por Ana Resende Quadros<\/p>\n<figure id=\"attachment_8570\" aria-describedby=\"caption-attachment-8570\" style=\"width: 5184px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-8570 aligncenter\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Professora-Isabela-Queiroz.-Foto-Ana-Resende-Quadros.jpg\" alt=\"Professora-Isabela-Queiroz.-Foto---Ana-Resende-Quadros\" width=\"5184\" height=\"3456\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Professora-Isabela-Queiroz.-Foto-Ana-Resende-Quadros.jpg 5184w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Professora-Isabela-Queiroz.-Foto-Ana-Resende-Quadros-300x200.jpg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Professora-Isabela-Queiroz.-Foto-Ana-Resende-Quadros-768x512.jpg 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Professora-Isabela-Queiroz.-Foto-Ana-Resende-Quadros-1024x683.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 5184px) 100vw, 5184px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-8570\" class=\"wp-caption-text\">Isabela Queiroz alerta para a naturaliza\u00e7\u00e3o da desigualdade. &#8211; Foto\/Mulheres na Universidade: Ana Resende Quadros<\/figcaption><\/figure>\n<p>A universidade tem, j\u00e1 na origem da palavra, um sentido de universalidade. Espa\u00e7o de propaga\u00e7\u00e3o de conhecimento, de debate sobre os rumos que devemos tomar no futuro. Por d\u00e9cadas a fio, a universidade foi, pelo menos em teoria, espa\u00e7o de constru\u00e7\u00e3o de um mundo melhor. Mas, a realidade \u00e9 um pouco diferente.<\/p>\n<p>\u201cA universidade vive um momento em que professores e pesquisadores se prendem muito \u00e0 produtividade. Isso talvez tenha estrangulado muito a universidade daquilo que ela foi, um espa\u00e7o de grandes debates sobre quest\u00f5es essenciais para o avan\u00e7o das concep\u00e7\u00f5es\u201d, comenta o vice-reitor da Universidade Federal de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei (UFSJ), Marcelo Pereira de Andrade.<\/p>\n<figure id=\"attachment_8576\" aria-describedby=\"caption-attachment-8576\" style=\"width: 5184px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-8576 aligncenter\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Vice-reitor-Marcelo.-Foto-Ana-Resende-Quadros.jpg\" alt=\"Vice-reitor-Marcelo.-Foto-Ana-Resende-Quadros\" width=\"5184\" height=\"3456\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Vice-reitor-Marcelo.-Foto-Ana-Resende-Quadros.jpg 5184w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Vice-reitor-Marcelo.-Foto-Ana-Resende-Quadros-300x200.jpg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Vice-reitor-Marcelo.-Foto-Ana-Resende-Quadros-768x512.jpg 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Vice-reitor-Marcelo.-Foto-Ana-Resende-Quadros-1024x683.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 5184px) 100vw, 5184px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-8576\" class=\"wp-caption-text\">Vice-Reitor Marcelo Andrade acredita que \u00e9 preciso repensar distribui\u00e7\u00e3o em cargos de comando. &#8211; Foto\/Mulheres na Universidade: Ana Resende Quadros<\/figcaption><\/figure>\n<p>O assunto surgiu enquanto convers\u00e1vamos sobre um dado preocupante. Embora as mulheres sejam a maioria entre estudantes das universidades brasileiras \u2013 p\u00fablicas ou privadas \u2013 essa propor\u00e7\u00e3o n\u00e3o se repete entre os docentes do ensino superior. De acordo com o\u00a0<a href=\"http:\/\/portal.inep.gov.br\/web\/guest\/sinopses-estatisticas-da-educacao-superior\">Censo de Educa\u00e7\u00e3o Superior de 2016<\/a>, nos cursos de gradua\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, apenas 45,46% dos professores s\u00e3o mulheres. Esse n\u00famero \u00e9 ainda mais desigual na UFSJ, onde a quantidade de homens \u00e9 17,8% maior.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\" aligncenter\" style=\"max-width: 100%;\" src=\"https:\/\/mulheresnauniversidade.files.wordpress.com\/2017\/12\/infogracc81fico-3.gif\" \/><\/p>\n<p>Mas qual seria a raz\u00e3o disso? N\u00e3o pode ser a falta de forma\u00e7\u00e3o.\u00a0<a href=\"http:\/\/www.capes.gov.br\/sala-de-imprensa\/noticias\/8315-mulheres-sao-maioria-na-pos-graduacao-brasileira\">Segundo dados da\u00a0Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes)<\/a>, as mulheres est\u00e3o cerca de 7% mais presentes que os homens nos cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Seria poss\u00edvel que estiv\u00e9ssemos condicionados, inconscientemente, a achar os homens s\u00e3o mais capazes que as mulheres?<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"max-width: 100%;\" src=\"https:\/\/mulheresnauniversidade.files.wordpress.com\/2017\/12\/infogracc81fico-2.gif\" \/><\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o d\u00e1 para generalizar. Mas, quanto mais voc\u00ea acha que as categorias g\u00eanero e ra\u00e7a n\u00e3o interferem nas suas escolhas, quanto mais voc\u00ea acredita nessa isen\u00e7\u00e3o, mais estamos submetidos aos preconceitos. Ent\u00e3o, dependendo da \u00e1rea, as chances de cair nesse tipo de engodo \u00e9 maior\u201d, explica a professora do Departamento de Psicologia \u00a0e coordenadora do N\u00facleo de Estudos sobre G\u00eanero, Ra\u00e7a e Direitos Humanos (NEGAH)\u00a0da UFSJ, Isabela Saraiva de Queiroz.<\/p>\n<h2><\/h2>\n<h2><b>Um lugar de respeito?<\/b><\/h2>\n<p>Apesar da predomin\u00e2ncia masculina nos cargos de doc\u00eancia no ensino superior, os casos de desrespeito \u00e0s professoras universit\u00e1rias n\u00e3o acontecem com muita frequ\u00eancia. Ou, pelo menos, n\u00e3o s\u00e3o encontrados relatos facilmente.<\/p>\n<p>\u201cUma \u00fanica vez, presenciei uma situa\u00e7\u00e3o em que uma professora de F\u00edsica, no primeiro dia de aula, foi vestindo uma roupa cor de rosa e la\u00e7o no cabelo, o que causou certo burburinho. Alguns meninos at\u00e9 chegaram a lhe perguntar sobre como era trabalhar no meio cient\u00edfico, prioritariamente masculino, mas, apesar da situa\u00e7\u00e3o desagrad\u00e1vel, a professora respondeu que sempre foi muito respeitada pelo seu trabalho e continuou a aula\u201d, conta a estudante de Engenharia Mec\u00e2nica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Isabela Garcia.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"max-width: 100%;\" src=\"https:\/\/mulheresnauniversidade.files.wordpress.com\/2017\/12\/infogracc81fico-4.gif\" \/><\/p>\n<p>Um ambiente onde a maioria dos trabalhadores s\u00e3o homens e, ainda assim, o desrespeito \u00e0s mulheres \u00e9 exce\u00e7\u00e3o? Parece um ponto fora da curva. Afinal, \u00e9 exatamente a predomin\u00e2ncia masculina e o consequente medo do desrespeito que afastam as mulheres de algumas profiss\u00f5es, como no servi\u00e7o industrial. \u201cQuando eu fazia curso t\u00e9cnico, tentei trabalhar uma vez em uma empresa, mas eles n\u00e3o aceitavam fazer entrevistas com mulheres. Cheguei para fazer a entrevista e disseram que a vaga s\u00f3 podia ser preenchida por homens. Perguntei o porqu\u00ea, mas n\u00e3o me deram nenhuma justificativa, e eu n\u00e3o pude fazer nada\u201d, conta a estudante de Engenharia El\u00e9trica da UFSJ, Lorena Santos.<\/p>\n<p>Mas o que leva a \u00a0universidade a ser um ambiente de mais respeito com suas trabalhadoras? Ser\u00e1 que por estarmos acostumados a vermos mulheres nas \u00e1reas de ensino, mesmo em cursos nos quais a maioria dos alunos s\u00e3o homens, a presen\u00e7a de mulheres lecionando n\u00e3o nos parece incomum?<\/p>\n<p>\u201cEssa ideia de n\u00e3o estranhar porque a gente sempre teve professoras faz sentido. Mas eu acho que tamb\u00e9m tem muita naturaliza\u00e7\u00e3o das viol\u00eancias. \u00c0s vezes, tem uma piadinha machista, mas achamos que \u00e9 normal, \u00e9 s\u00f3 brincadeira. Achamos que n\u00e3o tem tanto problema assim os alunos ou os professores fazerem piadas sobre a sua roupa, seu jeito de andar ou o seu corpo. Ou seja, temos uma naturaliza\u00e7\u00e3o de processos que, muitas vezes, s\u00e3o invasivos, que podem ser nomeados como ass\u00e9dio moral ou sexual. Mas, at\u00e9 por esse processo de subordina\u00e7\u00e3o, muitas mulheres preferem silenciar\u201d, explica a professora Isabela Queiroz.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">&#8220;Nunca tive nenhum problema por ser mulher e estar \u00e0 frente de uma sala de aula. \u00e0s vezes, alguma piadinha sai, mas ofendendo todas as mulheres, n\u00e3o s\u00f3 as professoras.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">&#8211; Roseli Balestra, professora do Departamento de Engenharia Mec\u00e2nica da UFSJ<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Uma vez, durante um evento sobre o machismo na universidade, Isabela presenciou um relato de uma professora de Medicina Veterin\u00e1ria da UFMG que dizia nunca ter sofrido qualquer tipo de experi\u00eancia com o machismo, mesmo atuando no meio de homens em fazendas. \u201cInicialmente, ela disse que nunca tinha sofrido, mas, em outra parte da conversa, contou que, quando se vai levar os alunos para fazerem est\u00e1gio nas fazendas, eles ficam alguns dias. Na parte da noite, os colegas homens saem para comer com os pe\u00f5es e tomar uma cerveja, mas as mulheres n\u00e3o. Segundo ela, as meninas tinham que dormir mais cedo porque precisam se preservar. S\u00f3 os meninos podiam sair. Quando terminou de falar perguntei se ela n\u00e3o percebia que isso era uma pr\u00e1tica machista. Ela disse que n\u00e3o, porque, se as meninas fossem, elas seriam assediadas. Mas tudo \u00e9 machismo: desde elas acharem que n\u00e3o conv\u00e9m ir at\u00e9 irem e serem assediadas\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>Isabela conta que, apesar da isonomia de sal\u00e1rios e da exist\u00eancia de editais amplos dentro da universidade, h\u00e1 diferen\u00e7as no tratamento de homens e mulheres que, normalmente, n\u00e3o s\u00e3o observadas. \u201cN\u00e3o \u00e9 nada objetivo, mas a gente percebe essas diferen\u00e7as no modo como as pessoas determinam certos cargos. Os cargos mais altos na estrutura universit\u00e1ria s\u00e3o ocupados por homens brancos\u201d, conta.<\/p>\n<figure id=\"attachment_8608\" aria-describedby=\"caption-attachment-8608\" style=\"width: 5184px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-8608 aligncenter\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Professora-Lane-Rabelo.-Foto-Ana-Resende-Quadros.jpg\" alt=\"Professora-Lane-Rabelo.-Foto---Ana-Resende-Quadros\" width=\"5184\" height=\"3456\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Professora-Lane-Rabelo.-Foto-Ana-Resende-Quadros.jpg 5184w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Professora-Lane-Rabelo.-Foto-Ana-Resende-Quadros-300x200.jpg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Professora-Lane-Rabelo.-Foto-Ana-Resende-Quadros-768x512.jpg 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Professora-Lane-Rabelo.-Foto-Ana-Resende-Quadros-1024x683.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 5184px) 100vw, 5184px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-8608\" class=\"wp-caption-text\">Lane Rabelo destaca desigualdade tamb\u00e9m na pol\u00edtica. &#8211; Foto\/Mulheres na Universidade: Ana Resende Quadros<\/figcaption><\/figure>\n<h2><b>Mulheres no poder<\/b><\/h2>\n<p>Na Federal de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei os cargos de comando est\u00e3o, de fato, sob os cuidados masculinos. Apenas 36% das posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a s\u00e3o ocupadas por mulheres..\u201cIsso \u00e9 reflexo at\u00e9 do Brasil. Quantas mulheres est\u00e3o nos Minist\u00e9rios? O Temer, quando assumiu, foi muito criticado por ter escolhido mais pessoas do sexo masculino que do feminino. Eu acho que a universidade reflete muito essa quest\u00e3o externa, que temos que trabalhar\u201d, diz a professora Lane Rabelo, do Departamento de Engenharia El\u00e9trica da UFSJ.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"max-width: 100%;\" src=\"https:\/\/mulheresnauniversidade.files.wordpress.com\/2017\/12\/infogracc81fico-7.gif\" \/><\/p>\n<p>Atualmente, das sete pr\u00f3-reitorias da universidade, apenas a Pr\u00f3-reitoria de Administra\u00e7\u00e3o e a de Gest\u00e3o de Pessoas s\u00e3o geridas por mulheres. As pr\u00f3-reitorias de ensino, pesquisa e extens\u00e3o, que coordenam as atividades fim da institui\u00e7\u00e3o s\u00e3o comandadas por homens. \u201cEu acho que nessa gest\u00e3o teve um problema de n\u00e3o ter nenhuma professora mulher ocupando uma pr\u00f3-reitoria. \u00c9 uma coisa que temos que repensar. Talvez tenha sido um erro na estrutura de equipe\u201d, admite o vice-reitor<\/p>\n<p>A professora Maria \u00c2ngela Ara\u00fajo Resende leciona na universidade desde antes da federaliza\u00e7\u00e3o e observa que as mulheres raramente ocupam essas posi\u00e7\u00f5es. \u201cEu percebo, nesses anos todos de faculdade, que houve uma prefer\u00eancia por dar esses cargos nas pr\u00f3-reitorias de ensino, pesquisa e extens\u00e3o para homens. N\u00e3o acho que tenha sido intencional, mas causa estranhamento, porque h\u00e1 muitas mulheres capazes e competentes para assumi-los\u201d, comenta.<\/p>\n<figure id=\"attachment_media-46\" aria-describedby=\"caption-attachment-media-46\" style=\"width: 5184px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8617\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Professora-Maria-\u00c2ngela.-Foto-Ana-Resende-Quadros.jpg\" alt=\"Professora-Maria-\u00c2ngela.-Foto---Ana-Resende-Quadros.jpg\" width=\"5184\" height=\"3456\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Professora-Maria-\u00c2ngela.-Foto-Ana-Resende-Quadros.jpg 5184w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Professora-Maria-\u00c2ngela.-Foto-Ana-Resende-Quadros-300x200.jpg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Professora-Maria-\u00c2ngela.-Foto-Ana-Resende-Quadros-768x512.jpg 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Professora-Maria-\u00c2ngela.-Foto-Ana-Resende-Quadros-1024x683.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 5184px) 100vw, 5184px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-media-46\" class=\"wp-caption-text\">Maria \u00c2ngela identifica diferen\u00e7a nas oportunidades. &#8211; Foto\/Mulheres na Universidade: Ana Resende Quadros<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ainda nos tempos de FUNREI, Maria \u00c2ngela ocupou o cargo que hoje corresponde \u00e0 pr\u00f3-reitoria de extens\u00e3o e conta que essa experi\u00eancia a fez sentir-se muito respeitada e valorizada, ainda que existissem alguns desafios. \u201cDentro da universidade, n\u00e3o senti qualquer dificuldade de lidar com as pessoas, mas, fora da institui\u00e7\u00e3o, ainda mais sendo uma mulher que ocupava um cargo que exigia visibilidade, havia momentos, em conversas com os empres\u00e1rios, em que eu percebia, por um lado, admira\u00e7\u00e3o e, por outro: \u2018Bem, o que esta mulher est\u00e1 fazendo aqui?\u2019 N\u00e3o era verbalizado, mas eu senti isso\u201d, relata.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"max-width: 100%;\" src=\"https:\/\/mulheresnauniversidade.files.wordpress.com\/2017\/12\/infogracc81fico-6.gif\" \/><\/p>\n<p>Para a professora Roseli Balestra, alguns homens falam de forma diferente com uma mulher e com um homem em posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a. \u201cS\u00e3o algumas coisas de comportamento individual. Eu fui do Colegiado da Engenharia Mec\u00e2nica. Uma vez, terminando uma reuni\u00e3o, um colega de trabalho me falou algumas coisas desagrad\u00e1veis. Mas ele n\u00e3o procurou outro professor que era da mesma \u00e1rea e tamb\u00e9m fazia parte do Colegiado para falar as mesmas coisas. Talvez isso tenha acontecido por eu ser mulher. Se ele tivesse dito o que ele me disse para o outro colega, talvez tivesse at\u00e9 apanhado\u201d, comenta.<\/p>\n<figure id=\"attachment_8624\" aria-describedby=\"caption-attachment-8624\" style=\"width: 720px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-8624 aligncenter\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Professora-Roseli-Balestra.-Foto-Paulo-Carvalho.jpg\" alt=\"Professora-Roseli-Balestra.-Foto---Paulo-Carvalho\" width=\"720\" height=\"480\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Professora-Roseli-Balestra.-Foto-Paulo-Carvalho.jpg 720w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Professora-Roseli-Balestra.-Foto-Paulo-Carvalho-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-8624\" class=\"wp-caption-text\">Maternidade interfere nas escolhas de Roseli Balestra. &#8211; Foto\/Mulheres na Universidade: Paulo Carvalho<\/figcaption><\/figure>\n<p>Entre os desafios a serem enfrentados pelas mulheres que ocupam cargos de lideran\u00e7a, est\u00e1 a preocupa\u00e7\u00e3o com o trabalho dom\u00e9stico. A necessidade de cuidar da fam\u00edlia e da casa pode espantar as mulheres de assumirem cargos que as obriguem a passar mais tempo no trabalho. \u201cEu tenho duas crian\u00e7as, ent\u00e3o tenho o hor\u00e1rio dedicado ao meu trabalho bastante restrito. Se eu ficar assumindo muitos cargos, n\u00e3o vou ter meu tempo para a fam\u00edlia\u201d, conta a professora Roseli.<\/p>\n<p>Os filhos de Vera L\u00facia Meneghini Vale, a pr\u00f3-reitora de administra\u00e7\u00e3o, j\u00e1 s\u00e3o crescidos, n\u00e3o moram mais com ela. Ainda assim, antes de aceitar o cargo na Pr\u00f3-reitoria de Administra\u00e7\u00e3o, surgiu a pergunta: se ela passasse tanto tempo na universidade, quem cuidaria dos afazeres do lar?<\/p>\n<p>\u201cQuando fui assumir o cargo, conversei na minha casa. Conversei com meu marido e pedi a ele compreens\u00e3o, e ele deu toda a compreens\u00e3o do mundo. Mas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, porque n\u00f3s mesmas, como mulheres, nos cobramos com rela\u00e7\u00e3o a isso, de dar conta 100% como era antes. Se fosse ele que tivesse recebido o convite, ele ficaria tranquilo, porque era eu quem cuidava das tarefas da casa\u201d,comenta a pr\u00f3-reitora.<\/p>\n<p>Para quem tem filhos pequenos, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais dif\u00edcil. De acordo com o vice-reitor, muitas professoras desistem dos cargos que ocupam quando ficam gr\u00e1vidas. \u201cUma conduta muito comum para as mulheres que est\u00e3o no Conselho Universit\u00e1rio, em chefias de departamento ou coordenadorias de curso, \u00e9 pedir exonera\u00e7\u00e3o do cargo. Eu tenho falado com elas para n\u00e3o fazerem isso, porque ser m\u00e3e, como ser pai, \u00e9 um direito. O pai n\u00e3o pede exonera\u00e7\u00e3o quando a esposa engravida. \u00c0s vezes, a maternidade \u00e9 entendida como algo que possa atrapalhar o processo de gest\u00e3o, e isso n\u00e3o \u00e9 verdade. Temos que ter essa mudan\u00e7a de cultura na casa \u201d, diz Marcelo.<\/p>\n<h2><\/h2>\n<h2><b>O futuro<\/b><\/h2>\n<p>Se a mudan\u00e7a \u00e9 necess\u00e1ria, tamb\u00e9m \u00e9 preciso encontrar maneiras para faz\u00ea-la acontecer. Para o vice-reitor, o caminho \u00e9 n\u00e3o deixar a identidade da universidade morrer. \u201cA universidade deveria romper com tabus. A partir do momento que ela come\u00e7ar a se dobrar aos tabus, n\u00e3o faz nem sentido ter universidade\u201d, opina.<\/p>\n<p>A universidade \u00e9, certamente, um lugar melhor do que o mundo do lado de fora. Dentro de seus muros, h\u00e1 igualdade salarial, o desrespeito se mostra menos presente, mas ainda falta muito para que seja um para\u00edso. \u201cAqui ainda \u00e9 um espa\u00e7o mais confort\u00e1vel, onde as pessoas se questionam mais. S\u00f3 que n\u00e3o \u00e9 em qualquer contexto que esse debate se d\u00e1 dentro da pr\u00f3pria universidade p\u00fablica. A universidade tem um cen\u00e1rio muito mais favor\u00e1vel que a sociedade, mas a gente ainda precisa avan\u00e7ar muito. N\u00e3o podemos descansar\u201d, conclui a professora Isabela Queiroz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Coordena\u00e7\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o\/Mulheres na Universidade: Janaina Barcelos<br \/>\nEditora\u00e7\u00e3o e artes\/Mulheres na Universidade: Rafael Senna, Clara Rita e Agnes Monteiro<br \/>\nTexto Original:\u00a0mulheresnauniversidade.wordpress.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A realidade das professoras universit\u00e1rias: em menor n\u00famero e fora dos cargos de lideran\u00e7a, elas ainda se sentem respeitadas &nbsp; Por Ana Resende Quadros A universidade tem, j\u00e1 na origem<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8631,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"cybocfi_hide_featured_image":"","footnotes":""},"categories":[387,109],"tags":[],"class_list":["post-8563","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao","category-sao-joao-del-rei-microrregiao-de-sao-joao-del-rei"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8563","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8563"}],"version-history":[{"count":60,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8563\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8630,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8563\/revisions\/8630"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8631"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8563"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8563"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8563"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}