{"id":849,"date":"2012-01-11T00:22:00","date_gmt":"2012-01-11T00:22:00","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=849"},"modified":"2012-01-11T00:22:00","modified_gmt":"2012-01-11T00:22:00","slug":"em-nome-do-pai","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/em-nome-do-pai\/","title":{"rendered":"Em nome do Pai"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\">\n<a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-KoTHScMp69g\/T6m9vdwyzmI\/AAAAAAAAAgY\/9wOWXzMhflY\/s1600\/Foto+01.jpg\" imageanchor=\"1\" style=\"clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"320\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-KoTHScMp69g\/T6m9vdwyzmI\/AAAAAAAAAgY\/9wOWXzMhflY\/s320\/Foto+01.jpg\" width=\"268\" \/><\/a><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\">\n<i>Lendas e hist\u00f3rias de fantasmas povoam a imagina\u00e7\u00e3o de<br \/>\npessoas que moram em pequenas cidades de Minas Gerais. Esses casos v\u00eam de uma<br \/>\n\u00e9poca que nem existia luz el\u00e9trica. Mas, at\u00e9 hoje, eles metem medo em muita<br \/>\ngente.<\/i><\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\">\nBruno Ribeiro, Douglas Caputo, Michele Santana<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\nO que n\u00e3o falta no<br \/>\ninterior de Minas Gerais s\u00e3o hist\u00f3rias de assombra\u00e7\u00e3o e lendas que atravessam<br \/>\ngera\u00e7\u00f5es. Por aqui, as crian\u00e7as j\u00e1 nascem envolvidas com esses casos. Os pais<br \/>\nacreditam que devem enterrar o cord\u00e3o umbilical dos filhos para que ratos n\u00e3o o<br \/>\ncomam. Caso contr\u00e1rio, a pessoa pode virar ladr\u00e3o. Tamb\u00e9m v\u00eam de pequenas<br \/>\ncidades mineiras e de suas fazendas coloniais mitos de fantasmas que povoam a<br \/>\nimagina\u00e7\u00e3o das pessoas. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil encontrar um morador que n\u00e3o tenha presenciado<br \/>\nou ouvido falar de barulhos de correntes, choro de escravos ou passos de<br \/>\npessoas madrugada afora. <\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\nUm exemplo disso<br \/>\n\u00e9 a aposentada s\u00e3o-tiaguense Maria Caputo de Castro. Ela conta o aperto que<br \/>\npassou com os irm\u00e3os numa noite escura na ro\u00e7a. \u201cQuando eu deitei, a cama come\u00e7ou<br \/>\na gemer. Chamei uma irm\u00e3 mais velha, que disse que era coisa da minha cabe\u00e7a. Mas<br \/>\namolei tanto, que ela resolveu pegar uma lamparina para procurarmos alguma<br \/>\ncoisa debaixo das camas, mas n\u00e3o encontramos nada. A\u00ed, quando a gente deitou de<br \/>\nnovo, foi um barulh\u00e3o de t\u00e1bua caindo no sobrado. Tivemos tanto medo que enrolamos<br \/>\nem cobertores e fomos pra casa de um vizinho acabar de passar a noite, pois os<br \/>\nbarulhos n\u00e3o iam embora. No outro dia, quando voltamos para nossa fazenda,<br \/>\nestava tudo em ordem, inclusive as t\u00e1buas do sobrado\u201d. Maria n\u00e3o sabe explicar<br \/>\no que aconteceu naquela noite, mas desde crian\u00e7a ouvia dizer que a casa era<br \/>\nassombrada e at\u00e9 hoje n\u00e3o gosta de se lembrar daquela passagem.<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\nEssas hist\u00f3rias<br \/>\ns\u00e3o t\u00e3o famosas no interior mineiro que em S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei foi criado, em 2007, o grupo<br \/>\n\u201cLendas S\u00e3o-Joanenses\u201d, com o objetivo de preservar relatos que contam um pouco<br \/>\nda hist\u00f3ria local. Pelo menos uma vez por m\u00eas, 14 pessoas, entre guias<br \/>\ntur\u00edsticos e atores, levam visitantes para conhecerem locais com epis\u00f3dios de<br \/>\narrepiar. S\u00e3o 12 encena\u00e7\u00f5es no total, mas segundo o organizador do grupo, o<br \/>\nguia Jadir Janio, tr\u00eas delas se destacam no itiner\u00e1rio das apresenta\u00e7\u00f5es<br \/>\nnoturnas pelas ruas hist\u00f3ricas da cidade. Um destes mitos \u00e9 o que d\u00e1 nome ao<br \/>\nbairro Segredo. Janio comenta que o epis\u00f3dio vem da \u00e9poca da escravid\u00e3o, quando<br \/>\numa sinh\u00e1 resolveu se vingar do marido e de sua amante, uma escrava da fam\u00edlia.<br \/>\n\u201cAo descobrir a trai\u00e7\u00e3o, a senhora matou a ad\u00faltera e cozinhou seu cora\u00e7\u00e3o para<br \/>\nque o esposo comesse. O fato foi escondido do marido e o segredo acabou<br \/>\nnomeando a regi\u00e3o onde o epis\u00f3dio teria acontecido\u201d, explica.<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<table cellpadding=\"0\" cellspacing=\"0\" class=\"tr-caption-container\" style=\"float: right; text-align: right;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-VIt3TBaASnU\/T6m9xOK3AaI\/AAAAAAAAAgo\/lSkgyFArlHI\/s1600\/Jadir+1.jpg\" imageanchor=\"1\" style=\"clear: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" border=\"0\" height=\"240\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-VIt3TBaASnU\/T6m9xOK3AaI\/AAAAAAAAAgo\/lSkgyFArlHI\/s320\/Jadir+1.jpg\" title=\"Chica mal-acabada\" width=\"320\" \/><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"tr-caption\" style=\"text-align: center;\">Chica arranca os<br \/>\nolhos para n\u00e3o ver o diabo.<br \/>\nFoto: Lendas SJ\/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td class=\"tr-caption\" style=\"text-align: center;\"><\/td>\n<td class=\"tr-caption\" style=\"text-align: center;\"><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<table cellpadding=\"0\" cellspacing=\"0\" class=\"tr-caption-container\" style=\"float: left; margin-right: 1em; text-align: left;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-4x96U7KSJt4\/T6m9x7YNQLI\/AAAAAAAAAgw\/ziMVqOJkXIk\/s1600\/Jadir+2.jpg\" imageanchor=\"1\" style=\"clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"240\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-4x96U7KSJt4\/T6m9x7YNQLI\/AAAAAAAAAgw\/ziMVqOJkXIk\/s320\/Jadir+2.jpg\" width=\"320\" \/><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"tr-caption\" style=\"text-align: center;\">Lenda do Retrato. Foto: Lendas SJ\/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Outra lenda que<br \/>\nchama aten\u00e7\u00e3o dos turistas em<br \/>\n S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei \u00e9 da \u201cChica mal-acabada\u201d.<br \/>\nJanio diz que se trata de uma mulher que ia \u00e0 igreja e colocava um espelho na<br \/>\nb\u00edblia para paquerar um rapaz que se sentava atr\u00e1s dela. \u201cComo isso \u00e9 pecado,<br \/>\nela passou a ver, no lugar da imagem de seu pretendido, a figura do diabo. Para<br \/>\nparar de ter vis\u00f5es de Satan\u00e1s, a \u2018Chica\u2019 arrancou os pr\u00f3prios olhos\u201d. A lenda do<a class=\"msocomanchor\" href=\"http:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=1664899142700754245#_msocom_2\" id=\"_anchor_2\" name=\"_msoanchor_2\"><\/a><br \/>\n\u201cretrato\u201d tamb\u00e9m faz sucesso entre as pessoas que acompanham o grupo. Trata-se<br \/>\nde uma senhora que abordou um padre, rec\u00e9m chegado a S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei, e pediu<br \/>\nque ele fosse at\u00e9 a sua casa para confessar o filho \u00e0 beira da morte. Quando<br \/>\nchegou ao local, o religioso viu uma foto da mulher que havia pedido o<br \/>\nsacramento. Perguntou para os moradores da casa onde ela estava e foi informado<br \/>\nque ela havia morrido fazia tr\u00eas anos.<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\nJanio explica<br \/>\nque essas hist\u00f3rias surgiram num cen\u00e1rio que estimulava a cria\u00e7\u00e3o de narrativas<br \/>\nfant\u00e1sticas. Isso porque, \u201cna escurid\u00e3o da \u00e9poca, sem luz el\u00e9trica, o ambiente ajudava<br \/>\na causar o medo que alimentava a imagina\u00e7\u00e3o das pessoas\u201d. O grupo \u201cLendas S\u00e3o-Joanenses\u201d<br \/>\nfoi inspirado pelo livro &#8220;Contam que&#8221;, escrito entre as d\u00e9cadas de<br \/>\n1930 e 1940 pelo jornalista local Lincoln de Souza. At\u00e9 o momento, Janio estima<br \/>\nque cerca de quatro mil pessoas j\u00e1 assistiram \u00e0s apresenta\u00e7\u00f5es.&nbsp; Os interessados em participar do passeio<br \/>\npodem entrar em contato pelo telefone 32 8844-0245<br \/>\nou pelo site <a href=\"http:\/\/www.lendassj.com.br\/\">Lendas SJ<\/a>. O valor do espet\u00e1culo<br \/>\n\u00e9 R$10.&nbsp;&nbsp;<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<b style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\">Luz do Mundo<\/b><\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<table cellpadding=\"0\" cellspacing=\"0\" class=\"tr-caption-container\" style=\"float: left; text-align: right;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-YFPG8YklJNA\/T6m9u6Pta3I\/AAAAAAAAAgQ\/HKOv5Viz850\/s1600\/Erm%25C3%25ADnia+Caputo.jpg\" imageanchor=\"1\" style=\"clear: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"257\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-YFPG8YklJNA\/T6m9u6Pta3I\/AAAAAAAAAgQ\/HKOv5Viz850\/s320\/Erm%25C3%25ADnia+Caputo.jpg\" width=\"320\" \/><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"tr-caption\" style=\"text-align: center;\">Da janela da cozinha,<br \/>\nErm\u00ednia se lembra das<br \/>\n&nbsp;apari\u00e7\u00f5es da Luz do Mundo <\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o<br \/>\nraras as hist\u00f3rias de pessoas que j\u00e1 tiveram algum contato com objetos voadores<br \/>\nque emitem luzes. Apesar de o nome ser diferente em cada cidade da regi\u00e3o dos<br \/>\nCampos das Vertentes, em S\u00e3o<br \/>\n Tiago, a 45 quil\u00f4metros de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei, o fen\u00f4meno<br \/>\n\u00e9 popularmente conhecido como \u201cLuz do Mundo\u201d. Por l\u00e1, a hist\u00f3ria \u00e9 levada t\u00e3o a<br \/>\ns\u00e9rio, que tem at\u00e9 livro que trata sobre o assunto. Em 2008, a pedagoga aposentada,<br \/>\nErm\u00ednia Caputo, reuniu narrativas que ouviu e vivenciou ao longo dos anos. Na<br \/>\nobra intitulada \u201cAcaso s\u00e3o estes os S\u00edtios Formosos?\u201d, a escritora descreve<br \/>\ncenas de apari\u00e7\u00e3o da Luz do Mundo.&nbsp;<\/p><\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\nN\u00e3o existem<br \/>\nestudos cient\u00edficos sobre o fen\u00f4meno, mas no imagin\u00e1rio popular a explica\u00e7\u00e3o<br \/>\nvem de fatos religiosos. A narrativa oral informa que a Luz do Mundo teve<br \/>\norigem numa maldi\u00e7\u00e3o. Uma jovem teria sido enterrada com uma fita que simboliza<br \/>\na irmandade cat\u00f3lica das Filhas de Maria, o que \u00e9 proibido. Por conta disso, a<br \/>\nalma da mo\u00e7a se transformou em uma luz que vaga pelo mundo. Seu descanso s\u00f3<br \/>\nviria se algum corajoso lhe retirasse a fita. E gente disposta a fazer isso tem<br \/>\naos bocados em S\u00e3o Tiago.<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\nEm seu livro,<br \/>\nErm\u00ednia relata o epis\u00f3dio de um senhor que desafiou o medo e tentou apanhar a<br \/>\nfita do esp\u00edrito. \u201cNo local denominado Vargem (pr\u00f3ximo ao centro da cidade), a<br \/>\nLuz aparecia muito, beirando o esbarrancado que h\u00e1 por l\u00e1. Um senhor muito<br \/>\nsimples, que vivia a puxar esterco para vender, dizia n\u00e3o ter medo da Luz e se<br \/>\nprop\u00f4s a tirar-lhe a fita de Filha de Maria. Um dia ela apareceu e, corajoso,<br \/>\nele chegou perto dela. \u00c0 medida que se aproximava, ela ia se afastando, at\u00e9 que<br \/>\nele caiu no esbarrancado\u201d. Erm\u00ednia diz que o homem n\u00e3o se machucou, mas tamb\u00e9m<br \/>\nn\u00e3o conseguiu pegar o que queria.<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\nOutra hist\u00f3ria<br \/>\nde gente que enfrentou a tal Luz aconteceu numa noite de pescaria. O aposentado<br \/>\nJos\u00e9 Batista Santana, que garante j\u00e1 ter visto o fen\u00f4meno v\u00e1rias vezes, conta o<br \/>\nmedo que passou com um amigo. \u201cA gente saiu para pescar num lugar conhecido<br \/>\ncomo Ribeir\u00e3o da F\u00e1brica (a oito quil\u00f4metros do centro de S\u00e3o Tiago). No meio<br \/>\ndo caminho, encontramos um conhecido, que disse que a gente ia encontrar a Luz.<br \/>\nMeu companheiro zombou do mo\u00e7o e falou que se encontrasse a Luz, ia puxar o seu<br \/>\np\u00e9. Quando a gente estava perto do Ribeir\u00e3o, avistamos de longe uma brasa de<br \/>\nfogo. Ficamos um pouco receosos, sem saber o que era aquela luz, mas<br \/>\ncontinuamos. A luz foi ficando mais forte e clareou as \u00e1guas do rio. Ficamos<br \/>\ncom tanto medo que resolvemos voltar para a cidade\u201d, admite.&nbsp;<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\nMas o que a<br \/>\ndupla de pescadores n\u00e3o esperava \u00e9 que a Luz fosse acompanh\u00e1-los at\u00e9 bem<br \/>\npr\u00f3ximo da cidade. \u201cQuando a gente chegou perto duma porteira, l\u00e1 estava ela.<br \/>\nSem saber o que fazer, tiramos o chap\u00e9u em respeito e passamos no meio do<br \/>\nclar\u00e3o. Depois disso ela voltou pro mato e sumiu dentro de um esbarrancado\u201d.<br \/>\nSantana conta ainda que ficou arrepiado, mas garante que o amigo ficou mais<br \/>\napavorado ainda e que nem teve coragem para puxar o p\u00e9 da assombra\u00e7\u00e3o. Depois<br \/>\ndesse epis\u00f3dio, o aposentado, ressabiado, afirma que \u201cn\u00e3o se deve abusar com<br \/>\nessas coisas\u201d.<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\nEsse n\u00e3o foi o<br \/>\n\u00fanico caso de apari\u00e7\u00e3o da Luz para a fam\u00edlia Santana. O aposentado lembra que<br \/>\nsua m\u00e3e viu o espectro perto do moinho que tinha na ro\u00e7a em que moravam.<br \/>\nSozinha com os filhos pequenos, Ant\u00f4nia Liberata de Jesus precisava buscar o<br \/>\nfub\u00e1 para o jantar. No meio do pasto, deparou-se com o clar\u00e3o. O horror foi<br \/>\ntanto que ela voltou \u00e0s pressas para a fazenda. Mas a Luz a seguiu at\u00e9 uma<br \/>\nporteira. Sem saber o que fazer, Ant\u00f4nia come\u00e7ou a rezar e passou no meio<br \/>\ndaquele brilho. Assim que chegou \u00e0 casa, guardou os cachorros, ordenou que os<br \/>\nfilhos ficassem quietos e continuou a reza\u00e7\u00e3o. Logo em seguida a Luz foi<br \/>\nembora.&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\nErm\u00ednia, a<br \/>\nescritora, tamb\u00e9m garante j\u00e1 ter visto a Luz v\u00e1rias vezes da janela de casa,<br \/>\nprincipalmente no entardecer. \u201cOra ela andava, ora ela aumentava de tamanho,<br \/>\nora ela abaixava o facho. Tinha cor amarelada. Eu nunca a ouvi chiar, mas tem<br \/>\nmuita gente que diz ter ouvido barulho vindo da Luz\u201d. Erm\u00ednia n\u00e3o acredita na<br \/>\nlenda da assombra\u00e7\u00e3o com fita no pesco\u00e7o e assegura que n\u00e3o sente medo. Mas,<br \/>\npara ela o fen\u00f4meno pode ter explica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. \u201c\u00c9 alguma coisa natural.<br \/>\nPode ser um fogo-f\u00e1tuo (gases de decomposi\u00e7\u00e3o que em contato com oxig\u00eanio<br \/>\nentram em combust\u00e3o), um bal\u00e3ozinho. Eu acredito nisso, mesmo com tantas<br \/>\nhist\u00f3rias de pessoas mais velhas e at\u00e9 da minha idade acreditarem no mito da<br \/>\nLuz\u201d, afirma.<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\nN\u00e3o se sabe ao<br \/>\ncerto de onde vem a lenda da Luz do Mundo. Hoje, poucas pessoas relatam sua<br \/>\napari\u00e7\u00e3o, apesar de quase todo mundo da cidade conhecer suas hist\u00f3rias. Erm\u00ednia<br \/>\ndiz que isso \u00e9 um fato importante, porque se trata do registro da hist\u00f3ria de<br \/>\num povo. \u201cEra um tempo que n\u00e3o havia luz el\u00e9trica, televis\u00e3o, computador. Mas<br \/>\nesses casos v\u00eam da oralidade, do passar de um para outro. Eles tinham a fun\u00e7\u00e3o<br \/>\nde alentar nas noites escuras. \u00c9 um patrim\u00f4nio imaterial. Assim como a gente<br \/>\ntem os livros, as roupas, os \u00e1lbuns dos antepassados, tamb\u00e9m temos que<br \/>\npreservar esse tipo de patrim\u00f4nio\u201d, defende.<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<b style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\">L\u00e1grimas de morte<\/b><\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<table cellpadding=\"0\" cellspacing=\"0\" class=\"tr-caption-container\" style=\"float: right; margin-left: 1em; text-align: right;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-rmvJ_dUiDNc\/T6m90Eky83I\/AAAAAAAAAg4\/P0vZyQIqeeA\/s1600\/Pavuna.jpg\" imageanchor=\"1\" style=\"clear: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"260\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-rmvJ_dUiDNc\/T6m90Eky83I\/AAAAAAAAAg4\/P0vZyQIqeeA\/s320\/Pavuna.jpg\" width=\"320\" \/><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"tr-caption\" style=\"text-align: center;\">Da casa da fam\u00edlia<br \/>\nGabet restaram algumas pedras<br \/>\ne as ru\u00ednas do fog\u00e3o \u00e0 lenha<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Dizem que em<br \/>\nnoites escuras, na regi\u00e3o da Pavuna,<br \/>\na dois quil\u00f4metros do centro de S\u00e3o Tiago, o choro do esp\u00edrito de uma m\u00e3e<br \/>\natordoa quem passa pelo local. Entre as ru\u00ednas de uma casa do in\u00edcio do s\u00e9culo<br \/>\npassado, a alma de Maria Jos\u00e9 Gabet, a Nhanh\u00e1 Gabet, veste preto e vaga em gemidos<br \/>\ne l\u00e1grimas pela morte dos sete filhos e do marido, fato ocorrido dia 13 de<br \/>\nsetembro de 1916. O espanto em torno do caso \u00e9 por conta das circunst\u00e2ncias das<br \/>\nmortes. O pai da fam\u00edlia, Jos\u00e9 Gabet, obrigou todos a tomar verm\u00edfugo. O<br \/>\nrem\u00e9dio, na realidade, era estricnina, um veneno potente. Um a um, os filhos e<br \/>\no casal foram tombando em<br \/>\n agonia. No entanto, Nhanh\u00e1 Gabet sobreviveu gra\u00e7as \u00e0 ajuda<br \/>\ndos vizinhos. De 1916 a<br \/>\n1960, ano de sua morte, a matriarca nunca deixou de vestir roupas pretas, luto<br \/>\neterno que guardou em respeito \u00e0 fam\u00edlia.<\/p><\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\nMas, o que teria<br \/>\nmotivado o pai a matar os filhos, a mulher e a cometer suic\u00eddio? Segundo as<br \/>\nhist\u00f3rias contadas ao longo dos anos, Jos\u00e9 Gabet era um boiadeiro que sempre<br \/>\nviajava em comitivas de gado para o oeste de Minas Gerais. Numa dessas idas, engravidou<br \/>\numa filha de coronel. \u201cIsso aconteceu na ocasi\u00e3o em que o pe\u00e3o contraiu febre<br \/>\namarela e teve que ficar por mais tempo que o esperado numa fazenda que servia<br \/>\nde pousada. Por l\u00e1, conheceu uma jovem com a qual teve um caso, e acabou<br \/>\ntirando sua honra. O pai da mo\u00e7a, um homem muito r\u00edgido, prometeu vingan\u00e7a. Seu<br \/>\nobjetivo era matar Jos\u00e9 Gabet e sua fam\u00edlia em S\u00e3o Tiago\u201d, conta Ana<br \/>\nPaula Lara, professora de hist\u00f3ria que fez sua monografia sobre o assunto.<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\nAinda de acordo<br \/>\ncom Ana Paula, a mo\u00e7a gr\u00e1vida teve pena do que poderia acontecer com boiadeiro.<br \/>\nMandou um mensageiro avisar Jos\u00e9 Gabet sobre risco que estava correndo. \u201cSem<br \/>\nsaber o que fazer e num ato desesperado, o pe\u00e3o foi a S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei e<br \/>\ncomprou veneno numa botica para matar toda a fam\u00edlia. Depois de beber com o<br \/>\nmarido e dar o tal verm\u00edfugo para os filhos, Nhanh\u00e1 Gabet percebeu que&nbsp; as crian\u00e7as estavam agonizando. Ela come\u00e7ou a<br \/>\ngritar e os vizinhos foram acudir. Ao verem a cena, os moradores do local deram<br \/>\nleite para a mulher que vomitou o veneno\u201d. Mas, para Ana Paula, \u201ca m\u00e3e<br \/>\nsobreviveu porque tomou veneno em c\u00e1psula, enquanto o resto da fam\u00edlia ingeriu<br \/>\na estricnina em p\u00f3, que tem a\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida no organismo\u201d, afirma.<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n&nbsp;&nbsp; <\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\nA como\u00e7\u00e3o social<br \/>\nem torno do caso gerou lendas sobre a fam\u00edlia. A agente de sa\u00fade K\u00e1ssia Campos<br \/>\nmorre de medo s\u00f3 de ouvir falar no nome de Nhanh\u00e1 Gabet. Moradora de regi\u00e3o<br \/>\npr\u00f3xima ao local do crime, ela conta que s\u00e3o comuns os relatos de pessoas que<br \/>\nj\u00e1 ouviram o choro triste da m\u00e3e que perdeu os sete filhos. A pr\u00f3pria agente de<br \/>\nsa\u00fade relata j\u00e1 ter escutado gemidos vindos do lugar. \u201cQuando eu era crian\u00e7a,<br \/>\nfui com minhas irm\u00e3s e primas at\u00e9 a Pavuna. L\u00e1, n\u00f3s escutamos vozes de outras<br \/>\ncrian\u00e7as, mas n\u00e3o tinha ningu\u00e9m\u201d. Nessa \u00e9poca, K\u00e1ssia ainda n\u00e3o conhecia a<br \/>\nhist\u00f3ria do crime. Foi na adolesc\u00eancia que ela descobriu sobre as mortes e<br \/>\nencontrou uma explica\u00e7\u00e3o para o barulho de crian\u00e7as que ouviu no passado. \u201cDa\u00ed<br \/>\neu liguei os gritos daquelas crian\u00e7as com as pessoas que haviam morrido. E isso<br \/>\ngerou o pavor que tenho s\u00f3 de pensar naquele lugar\u201d. A agente de sa\u00fade diz<br \/>\nainda que nem de carro gosta de passar pela Pavuna.<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\nO comerciante<br \/>\nJo\u00e3o Batista de Andrade, o Batista, tem uma venda pr\u00f3xima ao local em que<br \/>\naconteceram as mortes da fam\u00edlia Gabet. E ele pr\u00f3prio garante j\u00e1 ter visto<br \/>\ncoisas estranhas por l\u00e1. Em 1973, quando sua esposa entrou em trabalho de<br \/>\nparto, teve que ir buscar uma parteira numa rua pr\u00f3xima de sua casa. No meio do<br \/>\ncaminho, ao avistar a Pavuna, viu uma luz estranha no local. \u201cSai de casa por<br \/>\nvolta das duas da madrugada e por acaso olhei para o caminho que levava \u00e0<br \/>\nPavuna. Vi uma luz na casa de Nhanh\u00e1 Gabet. O clar\u00e3o ia e voltava, parecendo<br \/>\nprocurar algo ou algu\u00e9m. Isso me fez arrepiar e ao me lembrar das mortes, fiquei<br \/>\nmais apavorado ainda\u201d, lembra.<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\nEm sua venda,<br \/>\nt\u00edpica do interior de Minas Gerais, Batista ouve contar muitas dessas<br \/>\nhist\u00f3rias. A que chamou mais a aten\u00e7\u00e3o do comerciante foi a do enterro fantasma<br \/>\ndos Gabet. Batista se lembra do relato de um homem que teria tido uma vis\u00e3o de<br \/>\nassombrar. \u201cSeu Geraldo Campos contava que depois de jogar baralho por um longo<br \/>\ntempo na casa de um amigo, na cidade, precisava voltar para sua casa, na ro\u00e7a.<br \/>\nO caminho era pela Pavuna e, como de costume, seguiu tranquilo em seu cavalo.<br \/>\nAo passar pela \u2018cava\u2019 que se estendia at\u00e9 pr\u00f3ximo \u00e0 casa dos Gabet, viu um<br \/>\nfuneral, com oito pessoas carregando um caix\u00e3o. Achou aquilo estranho,<br \/>\nprincipalmente porque era tarde da noite. Parou o cavalo, tirou o chap\u00e9u, fez<br \/>\numa ora\u00e7\u00e3o e depois seguiu caminho. No dia seguinte voltou \u00e0 cidade e, ao<br \/>\nquestionar algumas pessoas, inclusive o coveiro, descobriu que ningu\u00e9m havia<br \/>\nsido enterrado aquela noite\u201d, diz Batista.<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<table cellpadding=\"0\" cellspacing=\"0\" class=\"tr-caption-container\" style=\"float: left; margin-right: 1em; text-align: left;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-VzxLmTm6OZU\/T6m9t2zc0jI\/AAAAAAAAAgI\/rS5L1zxe-9Y\/s1600\/Casa+da+cidade.jpg\" imageanchor=\"1\" style=\"clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"287\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-VzxLmTm6OZU\/T6m9t2zc0jI\/AAAAAAAAAgI\/rS5L1zxe-9Y\/s320\/Casa+da+cidade.jpg\" width=\"320\" \/><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"tr-caption\" style=\"text-align: center;\">Nhanh\u00e1 Gabet passou<br \/>\nos resto de sua vida nessa casa,<br \/>\nno centro de S\u00e3o Tiago<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Mas, a<br \/>\nprofessora Ana Paula descarta essas vers\u00f5es sobrenaturais em torno do ocorrido.<br \/>\nPara ela, n\u00e3o h\u00e1 justificativa para o choro p\u00f3stumo de Nhanh\u00e1 Gabet, j\u00e1 que a<br \/>\nmatriarca poderia ter feito isso ao longo dos 44 anos&nbsp;<br \/>\nem que viveu sem a fam\u00edlia. \u201cApesar do grande choque, ela levou sua vida em frente. Trabalhou<br \/>\nem Bom Sucesso (cidade vizinha a S\u00e3o Tiago) como diretora de um orfanato e, ao<br \/>\nvoltar para sua terra, dedicou-se a ajudar quem necessitava. Boa parte do seu<br \/>\ntempo passava dentro da Igreja\u201d, comenta.<\/p><\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\nA hist\u00f3ria<br \/>\nmarcou o ent\u00e3o distrito de S\u00e3o Tiago. O enterro, com oito caix\u00f5es ao mesmo tempo,<br \/>\nera in\u00e9dito na localidade. No registro de \u00f3bito da fam\u00edlia, consta que o filho<br \/>\nmais velho tinha doze anos e o mais novo apenas tr\u00eas meses de idade. Todos<br \/>\nmorreram por volta das sete horas da manh\u00e3.<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\nEnquanto os<br \/>\ncorpos eram velados, os capangas do coronel chegaram a S\u00e3o Tiago para matar a<br \/>\nfam\u00edlia. Ao perguntarem onde os \u2018Gabet\u2019 moravam, foram informados do vel\u00f3rio na<br \/>\nigreja e n\u00e3o puderam cumprir a ordem do patr\u00e3o e levar um peda\u00e7o da orelha de<br \/>\nJos\u00e9 Gabet como prova de sua morte. \u201cApesar de parecerem ter vindo de muito<br \/>\nlonge, esses jagun\u00e7os eram da regi\u00e3o de Campo Belo, distante 110 quil\u00f4metros de<br \/>\nS\u00e3o Tiago\u201d, diz Ana Paula.<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<b style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\">Ca\u00e7a ao tesouro fantasma<\/b><\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<table cellpadding=\"0\" cellspacing=\"0\" class=\"tr-caption-container\" style=\"float: right; margin-left: 1em; text-align: right;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-UMVo6eK0R_I\/T6m9wCwHAyI\/AAAAAAAAAgg\/7jG41HIIKJ4\/s1600\/Gamelas.jpg\" imageanchor=\"1\" style=\"clear: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"320\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-UMVo6eK0R_I\/T6m9wCwHAyI\/AAAAAAAAAgg\/7jG41HIIKJ4\/s320\/Gamelas.jpg\" width=\"279\" \/><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"tr-caption\" style=\"text-align: center;\">Entrada para a gruta<br \/>\nmal-assombrada<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Na regi\u00e3o rural<br \/>\nde S\u00e3o Tiago conhecida como Gamelas<a class=\"msocomanchor\" href=\"http:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=1664899142700754245#_msocom_6\" id=\"_anchor_6\" name=\"_msoanchor_6\"><\/a>,<br \/>\nquem espanta os visitantes \u00e9 o esp\u00edrito de um padre \u201cdoido\u201d por metais<br \/>\npreciosos. Segundo a historiadora e professora Elena Campos, por volta de 1708,<br \/>\n\u00e9poca do Brasil col\u00f4nia, o religioso Jos\u00e9 Manuel era dono de escravos e extra\u00eda<br \/>\nouro de sua propriedade. \u201cO que se conta \u00e9 que para presentear o rei de Portugal,<br \/>\no cl\u00e9rigo mandou fundir parte do ouro em forma de cacho de bananas. Por\u00e9m, o<br \/>\nrei, sabendo disso antes de receber o tal presente, considerou a atitude de<br \/>\nJos\u00e9 Manoel uma ofensa ou at\u00e9 mesmo um risco \u00e0 Coroa, e mandou prender o padre<br \/>\ne confiscar seus bens. Mas, antes de ser preso, o cl\u00e9rigo escondeu o ouro em<br \/>\nalguma parte de suas terras, para evitar que outras pessoas sofressem como<br \/>\nele\u201d, conta.<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n&nbsp;&nbsp;<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\nMas, a hist\u00f3ria<br \/>\nse espalhou e o que n\u00e3o faltou foi gente atr\u00e1s do tesouro. O escritor Ademir<br \/>\nMendes \u00e9 uma dessas pessoas. No livro que publicou em 2011, ele conta o<br \/>\nmist\u00e9rio do ouro das Gamelas. Junto de alguns amigos, aventurou-se dentro da<br \/>\ngruta com o objetivo de ficar rico. \u201cEntramos, um a um, muito receosos e<br \/>\nprevenidos para alguma emerg\u00eancia. A passagem era muito estreita, permitia a<br \/>\nentrada de uma pessoa de cada vez. Dentro do buraco o espa\u00e7o era maior e n\u00f3s<br \/>\nconseguimos ficar de p\u00e9 andar normalmente. A luz do dia foi ficando escassa e<br \/>\nimpediu que n\u00f3s continu\u00e1ssemos nossa jornada. Ouvimos dizer que lanterna n\u00e3o<br \/>\nfunciona dentro do buraco e, do lado de fora, funciona normalmente. N\u00e3o<br \/>\naventuramos ir muito longe no escuro, pois falavam da exist\u00eancia de uma fenda<br \/>\nmuito profunda, sem fim, dentro da gruta\u201d. O grupo de rapazes desistiu de<br \/>\nencontrar o ouro e voltou para cidade sem se tornarem milion\u00e1rios.<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\nO t\u00e9cnico de<br \/>\nsom, Rosauro Caputo, tamb\u00e9m se aventurou atr\u00e1s do tesouro. Com 53 anos, ainda<br \/>\nse lembra da aventura que passou quando tinha 20. Junto de uma turma, Caputo<br \/>\ndecidiu procurar o cacho de banana dourado. \u201cConseguimos entrar apenas uns tr\u00eas<br \/>\nmetros dentro da gruta, pois a gente n\u00e3o tinha luz e havia muitos animais. Se<br \/>\nfoi coisa do padre ou n\u00e3o, tivemos que sair correndo, pois fomos atacados por<br \/>\num enxame de maribondos\u201d, conta. N\u00e3o por acaso nossa equipe de reportagem<br \/>\ntamb\u00e9m foi atacada por uma nuvem de maribondos enquanto fazia uma fotografia<br \/>\npara mat\u00e9ria.<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\nO t\u00e9cnico de som<br \/>\ntamb\u00e9m traz na mem\u00f3ria muitas hist\u00f3rias sobre o local. A mais impressionante \u00e9<br \/>\na de um homem de Oliveira, cidade distante 56 quil\u00f4metros de S\u00e3o<br \/>\nTiago. O tal homem se dizia guiado por um esp\u00edrito e foi at\u00e9 a Fazenda das<br \/>\nGamelas tentar a sorte. \u201cEle furou um buraco muito grande. Durante o trabalho,<br \/>\nteria ficado louco, fato que motivou sua fam\u00edlia busc\u00e1-lo e lev\u00e1-lo amarrado<br \/>\npara a casa. Depois de voltar para Oliveira, a fam\u00edlia do homem teria ficado<br \/>\nrica\u201d, diz Rosauro.<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\nSegundo Elena,<br \/>\nessa hist\u00f3ria tem um fundo de verdade, j\u00e1 que, de acordo com registros, as<br \/>\nterras eram mesmo desse padre. Mas, a historiadora ressalta que \u00e9 preciso<br \/>\ncuidado, j\u00e1 que n\u00e3o existem ind\u00edcios de garimpo na fazenda das Gamelas. \u201cApesar<br \/>\nde a lenda afirmar que as terras eram ricas em ouro, alguns historiadores n\u00e3o<br \/>\nacreditam nessa hip\u00f3tese, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 ind\u00edcios de que houve grande<br \/>\nmovimenta\u00e7\u00e3o de minera\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o. O fato \u00e9 que a hist\u00f3ria surgiu n\u00e3o se sabe<br \/>\nao certo porque, mas at\u00e9 hoje mexe com o imagin\u00e1rio das pessoas\u201d, afirma.&nbsp;<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n&nbsp;&nbsp; <\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<b>Bens imateriais<\/b><\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\nEm entrevista<br \/>\npor e-mail, o historiador e t\u00e9cnico em assuntos culturais<br \/>\ndo Museu Villa-Lobos no Rio de Janeiro, Pedro Henrique Belchior, diz que as<br \/>\npol\u00edticas de patrim\u00f4nio sofreram mudan\u00e7as importantes na d\u00e9cada de 1980, com a<br \/>\ncria\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Pr\u00f3-Mem\u00f3ria, liderada pelo pernambucano Aloisio Magalh\u00e3es.<br \/>\nSegundo Belchior, os bens intang\u00edveis passaram a figurar como acervo fundamental<br \/>\nda hist\u00f3ria da sociedade. \u201cA import\u00e2ncia desses bens, na interpreta\u00e7\u00e3o dos intelectuais<br \/>\nfundadores do Servi\u00e7o de Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional, consistia<br \/>\nno fato de que seriam testemunhos incontest\u00e1veis da forma\u00e7\u00e3o da identidade e da<br \/>\ncultura nacional\u201d, comenta.<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\nA valoriza\u00e7\u00e3o de elementos vindos da cultura oral,<br \/>\nsegundo o t\u00e9cnico do museu, tamb\u00e9m modificou os interesses das abordagens<br \/>\nhist\u00f3ricas. Os grandes personagens da hist\u00f3ria cedem lugar para pessoas e fatos<br \/>\ndo cotidiano. \u201cA perspectiva inaugurada por Aloisio Magalh\u00e3es privilegia o<br \/>\nconceito de \u2018refer\u00eancia cultural\u2019. O foco n\u00e3o mais recai sobre grandes feitos e<br \/>\npersonalidades hist\u00f3ricas, mas sobre a import\u00e2ncia de certas mem\u00f3rias, lugares<br \/>\ne fazeres na vida das comunidades. Assim, narrativas, saberes e fazeres locais<br \/>\npassam a ser t\u00e3o valorizados quanto os tais bens patrimoniais representativos<br \/>\nda cultura brasileira\u201d, explica Belchior.<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\nIsso s\u00f3 foi poss\u00edvel com uma mudan\u00e7a de valoriza\u00e7\u00e3o<br \/>\ndos diferentes tipos de fontes historiogr\u00e1ficas. Belchior sinaliza que<br \/>\nmateriais orais passaram a ter o mesmo valor que os documentos escritos. Essa<br \/>\nnova perspectiva, segundo o historiador, permite entender como determinadas<br \/>\ncomunidades lidam com os fatos do cotidiano. \u201cA disciplina Hist\u00f3ria renovou-se<br \/>\nprofundamente ao longo do s\u00e9culo 20, e incorporou ao estatuto de fonte outros<br \/>\nregistros e mem\u00f3rias\u201d.<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\nMas o que garante a veracidade das hist\u00f3rias contadas<br \/>\npelas pessoas? Belchior descarta uma verdade universal. Para ele, existem<br \/>\ndiferentes olhares sobre o mundo, diferentes formas de encarar a realidade. \u201cEles<br \/>\nn\u00e3o devem ser julgados em sua suposta \u201cveracidade\u201d, mas pelo que nos podem<br \/>\nrevelar sobre o passado, mesmo sem a inten\u00e7\u00e3o de faz\u00ea-lo. Ali\u00e1s, a oralidade \u00e9<br \/>\nmais interessante quando apresenta quest\u00f5es hist\u00f3ricas de modo involunt\u00e1rio. O<br \/>\nque para muitos \u00e9 puro misticismo, para os historiadores pode ser algo<br \/>\nrevelador sobre a sociedade que produz tais lendas\u201d.<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\nBelchior relata ainda que essas hist\u00f3rias t\u00eam grande<br \/>\nimport\u00e2ncia para comunidades pequenas, do interior. Em cidades grandes, como no<br \/>\nRio, as rela\u00e7\u00f5es sociais foram racionalizadas e os mitos perderam import\u00e2ncia<br \/>\nna explica\u00e7\u00e3o de determinados fatos. \u201cNas sociedades ditas \u201ctradicionais\u201d \u2013<br \/>\npequenas comunidades do interior \u2013, a oralidade e os relatos fant\u00e1sticos ocupam<br \/>\num espa\u00e7o maior. Esses relatos s\u00e3o transmitidos de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o, sem que<br \/>\nos la\u00e7os sociais dessas comunidades se percam. H\u00e1 um caldo cultural que<br \/>\npossibilita a continuidade dessas cren\u00e7as, ainda que cada vez mais fragmentadas<br \/>\ne reapropriadas por novos bens simb\u00f3licos, em tempos de globaliza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\nApesar das narrativas fant\u00e1sticas terem perdido<br \/>\nimport\u00e2ncia nos grandes centros, elas ainda despertam interesses de \u00f3rg\u00e3os que<br \/>\ncuidam da salvaguarda hist\u00f3rica. O Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e<br \/>\nArt\u00edstico Nacional (Iphan) \u00e9 um deles. Reuniu quatro livros que trazem a guardam<br \/>\neventos populares como o C\u00edrio de Nazar\u00e9, o samba de roda do Rec\u00f4ncavo Baiano, o<br \/>\nof\u00edcio das baianas de acaraj\u00e9 e o tambor de crioula do Maranh\u00e3o. Esse material<br \/>\nest\u00e1 dispon\u00edvel no site do <a href=\"http:\/\/portal.iphan.gov.br\/portal\/montarPaginaSecao.do?id=12456&amp;retorno=paginaIphan\">Iphan<\/a>.<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\nAl\u00e9m de cuidar<br \/>\nde seus bens materiais, como o casario antigo e as igrejas, pessoas de S\u00e3o Jo\u00e3o<br \/>\ndel-Rei e S\u00e3o Tiago t\u00eam se preocupado em preservar o chamado patrim\u00f4nio<br \/>\nimaterial. As lendas e as hist\u00f3rias de assombra\u00e7\u00e3o fazem parte desses bens<br \/>\nintang\u00edveis e povoam o imagin\u00e1rio popular das pequenas cidades de Minas Gerais.\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Lendas e hist\u00f3rias de fantasmas povoam a imagina\u00e7\u00e3o de pessoas que moram em pequenas cidades de Minas Gerais. 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