{"id":846,"date":"2012-02-28T21:05:00","date_gmt":"2012-02-28T21:05:00","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=846"},"modified":"2012-02-28T21:05:00","modified_gmt":"2012-02-28T21:05:00","slug":"dialogo-tonico-uma-conversa-que","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/dialogo-tonico-uma-conversa-que\/","title":{"rendered":"Di\u00e1logo T\u00f4nico: Uma conversa que dispensa palavras"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div class=\"western\" style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;\">\n<i>Pesquisa<br \/>\n<\/i><i>da<br \/>\nUFSJ comprova a exist\u00eancia de comunica\u00e7\u00e3o corporal nos primeiros<br \/>\nmeses de vida dos beb\u00eas.<\/i>&nbsp; <\/p>\n<\/div>\n<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\">\n<a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-SQOx20J90rI\/T01AZHobmII\/AAAAAAAAAXQ\/-6omD9nTZJU\/s1600\/relacao_mae-bebe.jpg\" imageanchor=\"1\" style=\"clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;\"><img decoding=\"async\" border=\"0\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-SQOx20J90rI\/T01AZHobmII\/AAAAAAAAAXQ\/-6omD9nTZJU\/s1600\/relacao_mae-bebe.jpg\" \/><\/a><\/div>\n<div class=\"western\" style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;\">\nCompreender<br \/>\na rela\u00e7\u00e3o m\u00e3e-beb\u00ea nos tr\u00eas primeiros meses de vida a partir do<br \/>\nreferencial te\u00f3rico do m\u00e9dico e psic\u00f3logo franc\u00eas Henri<br \/>\nWallon (1879- 1962). Este foi o objetivo da pesquisa desenvolvida<br \/>\nentre 2010 e 2011 pelo professor Dener Luiz da Silva, da \u00e1rea de<br \/>\nPsicologia Educacional e Escolar da Universidade Federal de S\u00e3o Jo\u00e3o<br \/>\ndel-Rei (UFSJ).<\/div>\n<div class=\"western\" style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;\">\n A<br \/>\npesquisa de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, financiada pela FAPEMIG, teve<br \/>\nin\u00edcio em abril de 2010 e encerrou as atividades daquela fase no<br \/>\nprimeiro semestre de 2011. Agora o professor tenta continuar os<br \/>\nestudos, com beb\u00eas maiores que tr\u00eas meses, submetendo novo projeto<br \/>\n\u00e0 Funda\u00e7\u00e3o de Amparo a Pesquisa do Estado de Minas Gerais.<\/div>\n<div class=\"western\" style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.25cm;\">\nA Teoria de Wallon<br \/>\ntrabalha com o di\u00e1logo t\u00f4nico, a comunica\u00e7\u00e3o sem o uso da l\u00edngua<br \/>\nconstru\u00edda entre dois seres humanos. Wallon acredita que o beb\u00ea<br \/>\ndialoga com a m\u00e3e por meio de suas rea\u00e7\u00f5es corporais e desde o<br \/>\nmomento da concep\u00e7\u00e3o, j\u00e1 podem come\u00e7ar a construir o di\u00e1logo<br \/>\nt\u00f4nico, atrav\u00e9s da fala da m\u00e3e e car\u00edcias da mesma, com a sua<br \/>\nbarriga. As sensa\u00e7\u00f5es intrauterinas, que o beb\u00ea vai vivenciar<br \/>\ndessa intimidade, s\u00e3o de fundamental import\u00e2ncia para o seu<br \/>\ndesenvolvimento ap\u00f3s o parto.\n<\/div>\n<div class=\"western\" style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.25cm;\">\nNa pesquisa desenvolvida<br \/>\nna UFSJ foram analisados os estados hiper e hipot\u00f4nico dos<br \/>\nvolunt\u00e1rios. Quando o corpo est\u00e1 r\u00edgido, ele est\u00e1 em um estado<br \/>\nhipert\u00f4nico. Significa que a pessoa tem alguma insatisfa\u00e7\u00e3o e<br \/>\npossui uma necessidade fisiol\u00f3gica. J\u00e1 quando o corpo est\u00e1<br \/>\nrelaxado, quer dizer que est\u00e1 satisfeito, o que caracteriza o estado<br \/>\nhipot\u00f4nico. Conforme explica Dener, com base na teoria de Wallon,<br \/>\neste \u00e9 o primeiro est\u00e1gio de comunica\u00e7\u00e3o do ser humano, o que<br \/>\npromove v\u00ednculo social.<\/div>\n<div class=\"western\" style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;\">\n A<br \/>\npesquisa foi realizada para tentar confirmar esta teoria, que foi<br \/>\nproposta no s\u00e9culo XX pelo psic\u00f3logo franc\u00eas.\n<\/div>\n<div class=\"western\" style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.25cm;\">\nWallon foi o primeiro a<br \/>\nlevar n\u00e3o s\u00f3 o corpo da crian\u00e7a,<br \/>\nmas tamb\u00e9m suas emo\u00e7\u00f5es, para dentro da sala de aula. Fundamentou<br \/>\nsuas ideias em quatro elementos b\u00e1sicos que se comunicam o tempo<br \/>\ntodo: a afetividade, o movimento, a intelig\u00eancia e a forma\u00e7\u00e3o do<br \/>\neu como pessoa.<\/div>\n<div class=\"western\" style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.25cm;\">\nPara analisar a teoria de<br \/>\nWallon, os alunos Marina Sacramento e Rodolfo Batista do curso de<br \/>\nPsicologia da UFSJ acompanharam quatro m\u00e3es prim\u00edparas (que deram a<br \/>\nluz ao primeiro filho) durante os tr\u00eas primeiros meses do beb\u00ea.<br \/>\n\u201dEscolhemos as m\u00e3e prim\u00edparas para que pud\u00e9ssemos ter um padr\u00e3o<br \/>\nentre os sujeitos de pesquisa. Se acompanh\u00e1ssemos uma m\u00e3e do<br \/>\nprimeiro filho e outra do segundo, seria imposs\u00edvel fazer essa<br \/>\ncompara\u00e7\u00e3o. As m\u00e3es de primeira viagem apresentam maiores<br \/>\nproblemas de sa\u00fade p\u00fablica, como frequentes c\u00f3licas nos beb\u00eas, e<br \/>\ndepress\u00e3o p\u00f3s-parto nas m\u00e3es. Nosso objetivo tamb\u00e9m foi trazer<br \/>\nmelhorias para a rela\u00e7\u00e3o dessas m\u00e3es com seus beb\u00eas\u201d, contou o<br \/>\nprofessor.\n<\/div>\n<div class=\"western\" style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.25cm;\">\nA pesquisa recrutou m\u00e3es<br \/>\nvolunt\u00e1rias por<br \/>\nmeio do portal da Universidade e, segundo Dener, houve uma<br \/>\ndificuldade em encontrar m\u00e3es dispostas a participar. \u201cOs<br \/>\nprimeiros meses do beb\u00ea s\u00e3o muito delicados. A pesquisa \u00e9 um pouco<br \/>\ninvasiva, pois a gente pediu para entrar na casa das m\u00e3es, observar<br \/>\no banho, a amamenta\u00e7\u00e3o. Existem problemas \u00e9ticos que tivemos que<br \/>\nlidar com muito cuidado. Por isso a presen\u00e7a da Marina, como mulher,<br \/>\nfoi importante pra deixar as m\u00e3es mais \u00e0 vontade\u201d, comentou.\n<\/div>\n<div class=\"western\" style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.25cm;\">\nDener \u00e9 presidente da<br \/>\nComiss\u00e3o<br \/>\nde \u00c9tica em Pesquisa com Seres Humanos (CEPES) da UFSJ e diz que a<br \/>\nComiss\u00e3o acompanha as pesquisas, garantindo que os sujeitos de<br \/>\npesquisa tenham seu bem estar preservados.<\/div>\n<div class=\"western\" style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.25cm;\">\nMarina diz que houve<br \/>\numa preocupa\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade dos volunt\u00e1rios. \u201cSe estiv\u00e9ssemos<br \/>\ncom algum problema de sa\u00fade, mesmo que gripados, n\u00f3s n\u00e3o \u00edamos<br \/>\nfazer as observa\u00e7\u00f5es para preservar a sa\u00fade das m\u00e3es e dos beb\u00eas.<br \/>\nE nos dias em que eles n\u00e3o estavam se sentindo bem, n\u00f3s tamb\u00e9m n\u00e3o<br \/>\n\u00edamos\u201d, afirmou. A aluna disse que, por esse motivo, houve atrasos<br \/>\nno estudo, mas que eles foram permitidos para garantir o bem estar de<br \/>\ntodos.<\/div>\n<div class=\"western\" style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.25cm;\">\nRodolfo salienta a<br \/>\nimport\u00e2ncia de se ter dois observadores em cada visita. \u201cN\u00f3s<br \/>\n\u00edamos juntos porque enquanto eu observava o di\u00e1logo t\u00f4nico<br \/>\ndisparado pela m\u00e3e, a Marina observava o di\u00e1logo t\u00f4nico disparado<br \/>\npelo beb\u00ea, ou vice-versa. Assim consegu\u00edamos ver ambas as rea\u00e7\u00f5es<br \/>\ne logo ap\u00f3s cada an\u00e1lise n\u00f3s escrev\u00edamos um relato com nossas<br \/>\nobserva\u00e7\u00f5es\u201d, contou o aluno. Al\u00e9m de utilizar essas anota\u00e7\u00f5es<br \/>\npara o desenvolvimento da pesquisa, eles tamb\u00e9m deixavam uma c\u00f3pia<br \/>\ndos relatos com as m\u00e3es.\n<\/div>\n<div class=\"western\" style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.25cm;\">\nO professor afirma que<br \/>\nainda s\u00e3o necess\u00e1rios alguns dados para ter mais certezas sobre o<br \/>\ndi\u00e1logo entre m\u00e3e e beb\u00ea. \u201cO que a gente concluiu \u00e9 que existe<br \/>\nmesmo esse di\u00e1logo. A m\u00e3e diz algo com o corpo dela tentando<br \/>\nacalentar o beb\u00ea  e ele responde se acalmando ou chorando mais\u201d,<br \/>\nesclareceu Dener Luis. Segundo o pesquisador, esse di\u00e1logo n\u00e3o \u00e9<br \/>\ntotalmente harmonioso. N\u00e3o pode ser comparado a um di\u00e1logo<br \/>\nconvencional entre duas pessoas que falam portugu\u00eas e t\u00eam dom\u00ednio<br \/>\nda l\u00edngua. O beb\u00ea responde aquilo que \u00e9 imediato, ou seja, aquilo<br \/>\nque \u00e9 corporal nele, enquanto a m\u00e3e tenta entender isso e responder<br \/>\nda forma adequada.\n<\/div>\n<div class=\"western\" style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.25cm;\">\nO pesquisador pretende<br \/>\ndar continuidade ao projeto, acompanhando crian\u00e7as de 4 meses a 8<br \/>\nmeses. Segundo o professor Dener, a pr\u00f3xima etapa se justifica, pois<br \/>\nh\u00e1 uma varia\u00e7\u00e3o muito grande no di\u00e1logo entre m\u00e3e e filho de 1 a<br \/>\n3 meses, e de 4 a 8 meses. \u201cO beb\u00ea desenvolve muito r\u00e1pido a sua<br \/>\ncapacidade de comunica\u00e7\u00e3o, tornando-se mais aut\u00f4nomo e a m\u00e3e por<br \/>\nsua vez vai aprendendo a ler os sinais.\u201d conclui.<\/div>\n<div class=\"western\" style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;\">\n<\/div>\n<div class=\"western\" style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;\">\n<b>O<br \/>\nPesquisador<\/b><\/div>\n<div class=\"western\" style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;\">\nDener<br \/>\nLuiz da Silva \u00e9 formado em Psicologia pela Universidade Federal de<br \/>\nSanta Catarina, mestre em Psicologia da Educa\u00e7\u00e3o pela Pontif\u00edcia<br \/>\nUniversidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo e doutor em Educa\u00e7\u00e3o pela<br \/>\nUniversidade Federal de Minas Gerais \u2013 com per\u00edodo \u201csandwiche\u201d<br \/>\nna Universidade de Genebra, na Su\u00ed\u00e7a.  Atualmente \u00e9 professor<br \/>\nadjunto da Universidade Federal de S\u00e3o Jo\u00e3o Del-Rei, onde ministra<br \/>\naulas e atua nos seguintes temas: Psicologia Educacional e Escolar,<br \/>\nHist\u00f3ria da Psicologia, Extens\u00e3o Universit\u00e1ria, Pr\u00e1tica do<br \/>\nPsic\u00f3logo Escolar e Educa\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div class=\"western\" style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;\">\n <\/div>\n<p>Texto: Luis Gustavo Silva dos Santos <br \/>Foto: ufsj.edu.br<i><br \/>&#8212;<br \/>Para copiar e reproduzir qualquer<br \/>\nconte\u00fado da VAN, envie um e-mail para vanufsj@gmail.com, solicitando a<br \/>\nreportagem desejada. \u00c9 simples e gratuito.<\/i><\/p>\n<div class=\"western\" style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;\">\n<\/div>\n<div class=\"western\" style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.25cm;\">\n<\/div>\n<div class=\"western\" style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.25cm;\">\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa da UFSJ comprova a exist\u00eancia de comunica\u00e7\u00e3o corporal nos primeiros meses de vida dos beb\u00eas.&nbsp; Compreender a rela\u00e7\u00e3o m\u00e3e-beb\u00ea nos tr\u00eas primeiros meses de vida a partir do referencial<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"cybocfi_hide_featured_image":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[98,14,159],"class_list":["post-846","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria","tag-geral","tag-sao-joao-del-rei","tag-saude"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/846","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=846"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/846\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=846"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=846"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=846"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}