{"id":8175,"date":"2018-01-03T20:00:14","date_gmt":"2018-01-03T22:00:14","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=8175"},"modified":"2018-01-03T20:00:14","modified_gmt":"2018-01-03T22:00:14","slug":"lixo-do-comercio-atrapalha-pedestres-e-imagem-turistica-da-cidade","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/lixo-do-comercio-atrapalha-pedestres-e-imagem-turistica-da-cidade\/","title":{"rendered":"Lixo do com\u00e9rcio atrapalha pedestres e imagem tur\u00edstica da cidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em>Mobilidade nas cal\u00e7adas de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei \u00e9 prejudicada por dificuldade do munic\u00edpio em lidar com o lixo<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As vias p\u00fablicas de cidades muito antigas costumam ser pequenas. E com o crescimento populacional, as cal\u00e7adas parecem ainda menores. No caso de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei, a situa\u00e7\u00e3o se agrava no fim da tarde, quando o lixo descartado pelo com\u00e9rcio acaba por dificultar a passagem dos moradores. Como cidade tur\u00edstica, a imagem do munic\u00edpio tamb\u00e9m \u00e9 prejudicada. Os visitantes s\u00e3o obrigados a registrar, nas fotografias do passeio, o ac\u00famulo de papel\u00f5es e outros res\u00edduos s\u00f3lidos descartados pelas lojas do centro, bem perto dos pontos hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p>Apesar do caminh\u00e3o da prefeitura passar duas vezes ao dia nessa parte da cidade, exceto aos domingos, a coleta ainda \u00e9 ineficiente. O zelador de um edif\u00edcio residencial do centro, Raimundo In\u00e1cio de Souza, 52 anos, diz que tenta contribuir arrumando o lixo que moradores de rua e cachorros abrem e remexem. No entanto, admite que n\u00e3o os armazena nos lat\u00f5es indicados pela Prefeitura, numa dist\u00e2ncia maior da que ele costuma colocar, porque o volume descartado dos apartamentos \u00e9 grande. \u201cEnfeia a cidade esse lixo aqui, mas o que posso fazer se \u00e9 aqui que todo mundo deixa?\u201d, questiona.<\/p>\n<p>A instru\u00e7\u00e3o da Prefeitura \u00e9 que se coloque o lixo daquela parte do centro da cidade no Largo Tamandar\u00e9, onde h\u00e1 alguns lat\u00f5es. Mas, comerciantes como Silvia Machado de Moraes, \u00a039 anos, n\u00e3o parecem concordar com a solu\u00e7\u00e3o. Para ela, isso acarreta uma bagun\u00e7a e, na falta de uma lixeira maior e mais pr\u00f3xima a seu estabelecimento, n\u00e3o v\u00ea alternativa sen\u00e3o armazenar seu lixo na cal\u00e7ada. \u201cColoco na via todo final de tarde mesmo, pois n\u00e3o vejo alternativa. A Prefeitura n\u00e3o me d\u00e1 alternativa. Se eu colocar um lat\u00e3o ou uma lixeira grande aqui, o patrim\u00f4nio \u00e9 capaz de me multar e encher o meu saco\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o dos Catadores de Material Recicl\u00e1vel (Ascas) recolhe os res\u00edduos s\u00f3lidos recicl\u00e1veis. A presidente da entidade, Cristina Raimundo Cardoso, estima que s\u00e3o retiradas das ruas de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei pelos catadores uma m\u00e9dia de 20 toneladas de lixo. No entanto, a coleta \u00e9 feita diariamente apenas no bairro Matosinhos. Ela explica que o problema \u00e9 transporte e, j\u00e1 que a sede funciona ali, eles ficam restritos ao com\u00e9rcio e resid\u00eancias daquele local. Todo dia, os associados levam o material para a Ascas, onde \u00e9 feita a triagem, a compacta\u00e7\u00e3o e o encaminhamento para compradores de Prados e Belo Horizonte.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos 13 associados, existem outros catadores espalhados pela cidade que n\u00e3o fazem parte da Ascas. \u00c9 o caso de Edjalma de Jesus, \u00a053 anos, que h\u00e1 tr\u00eas trabalha recolhendo lixo nas ruas. Segundo ele, coleta cerca de quatro toneladas de papel\u00e3o e uns 500 quilos de pl\u00e1stico por m\u00eas. \u201cTem comerciante que j\u00e1 separa todo o material pra mim. Eles levam no meu carrinho, que fica parado na avenida Tiradentes, porque n\u00e3o posso andar em outras ruas com ele, pois atrapalha o tr\u00e2nsito\u201d, afirma. O catador, que trocou o trabalho na zona rural para viver de recolher lixo, diz que algumas lojas t\u00eam dep\u00f3sito pr\u00f3prio e fidelizaram seu servi\u00e7o. E que, al\u00e9m destes, ainda coleta outros res\u00edduos que s\u00e3o depositados nas ruas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_8180\" aria-describedby=\"caption-attachment-8180\" style=\"width: 3471px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-8180 alignnone\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Edjalma-com-suas-caixas.jpg\" alt=\"__ Edjalma com suas caixas\" width=\"3471\" height=\"2421\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Edjalma-com-suas-caixas.jpg 3471w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Edjalma-com-suas-caixas-300x209.jpg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Edjalma-com-suas-caixas-768x536.jpg 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Edjalma-com-suas-caixas-1024x714.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 3471px) 100vw, 3471px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-8180\" class=\"wp-caption-text\">Edjalma com suas caixas. &#8211; Foto\/Dobras e Sobras: Sinara Piassi<\/figcaption><\/figure>\n<p>Mas Edjalma aponta outro problema, que \u00e9 uma certa concorr\u00eancia e desuni\u00e3o entre os catadores. \u201cO aumento dos catadores na cidade est\u00e1 me atrapalhando um pouco. Antigamente, eu catava mais, hoje em dia tenho que dividir\u201d, reclama. Ele afirma ainda que n\u00e3o participa da Ascas por ver muita confus\u00e3o e briga. Como solu\u00e7\u00e3o, manda sua coleta para Prados (a cerca de 28 km) para ser prensada l\u00e1. \u201cDeus me livre de trabalhar com a Associa\u00e7\u00e3o aqui. Prefiro ganhar menos e trabalhar sozinho\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>De fato, a presidente da Associa\u00e7\u00e3o, Cristina Cardoso, confirma que muitos catadores n\u00e3o gostam de dividir seus lucros. Mas que h\u00e1 ainda outro problema, o da dist\u00e2ncia da sede da Ascas do centro, o que dificulta o transporte do lixo coletado.<\/p>\n<p>Diante do problema, o comerciante Guilherme Carazza, 24 anos, acredita que a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel \u00e9 mesmo fidelizar catadores de lixo. \u201cTodos os dias, chegam de tr\u00eas a quatro caixas. Pe\u00e7o que uma funcion\u00e1ria desmonte todas elas e guarde em nosso dep\u00f3sito, at\u00e9 o catador vir buscar. Ou n\u00f3s mesmos levamos at\u00e9 o carrinho dele\u201d, descreve.<\/p>\n<p>Carazza explica que teve que tomar essa atitude porque, segundo ele, n\u00e3o existe uma pol\u00edtica p\u00fablica para o lixo gerado pelo com\u00e9rcio. E ainda reclama do problema da falta de treinamento por parte dos coletores da Prefeitura e da escassez de garis. \u201cEles [os coletores] s\u00e3o muito baderneiros, j\u00e1 quase causaram transtornos aqui na porta. Eu raramente vejo algu\u00e9m varrendo o centro ap\u00f3s a passagem do caminh\u00e3o, quando sobram alguns res\u00edduos\u201d, reclama.<\/p>\n<h3><b>Contraponto<\/b><\/h3>\n<p>O diretor\u00a0de Meio Ambiente da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei, Dalmar Trindade de Moura, diz que o problema \u00e9 cultural. \u201cA comunidade tem dificuldade em entender o sistema de norma sobre como a coleta acontece\u201d, afirma. \u00a0Para sanar o problema, \u00a0a Secretaria procura fazer campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o anualmente. \u201cTrabalho em conjunto com as Secretarias de Sa\u00fade e de Educa\u00e7\u00e3o\u201d, diz. Ele afirma que os coletores n\u00e3o carecem de treinamento. \u201cO problema \u00e9 o lixo mal acondicionado que por vezes se rompe na coleta\u201d, justifica.<\/p>\n<p>Mauri Ferreira, gerente da\u00a0Jht Servi\u00e7os Eireli,\u00a0empresa de Congonhas respons\u00e1vel pela coleta do lixo de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei, compartilha da mesma posi\u00e7\u00e3o. \u201cEm termos de como armazenar o lixo e destin\u00e1-lo ao local correto, depois de todas as cidades onde trabalhei, percebo que aqui falta educa\u00e7\u00e3o por parte de moradores\u201d, observa. E ensina: \u201cLixeiro \u00e9 um termo errado, j\u00e1 que \u2018lixeiro\u2019 \u00e9 quem suja e n\u00e3o quem limpa\u201d. Ferreira tamb\u00e9m afirma que h\u00e1 vassouras nos caminh\u00f5es. Mas, para resolver esse problema, tinha que haver uma \u201cvarre\u00e7\u00e3o\u201d da Prefeitura, e n\u00e3o deles.<\/p>\n<p>O analista ambiental aut\u00f4nomo, Alex Ferreira, cr\u00ea que muito dos problemas de res\u00edduo s\u00f3lido urbano vem da falta de educa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. E que, se houvesse coopera\u00e7\u00e3o entre as pessoas, boa parte da quest\u00e3o se resolveria. \u201cComo analista ambiental, acredito que antes de reciclarmos, ter\u00edamos primeiro que reduzir e reusar. \u00a0N\u00e3o sou contra a reciclagem, mas seria a \u00faltima parte do processo. Sempre quando sou abordado em rela\u00e7\u00e3o ao lixo, digo que todos deveriam conhecer um lix\u00e3o ou at\u00e9 mesmo um aterro sanit\u00e1rio\u201d, afirma. E ainda chama aten\u00e7\u00e3o para a situa\u00e7\u00e3o das galerias subterr\u00e2neas por onde s\u00e3o jogados os \u201cpequenos res\u00edduos\u201d atrav\u00e9s dos bueiros. \u201cPelo menos em m\u00e9dias e grandes, cidades o cen\u00e1rio \u00e9 desolador\u201d, completa.<\/p>\n<p>Para Ferreira, uma boa alternativa para o res\u00edduo s\u00f3lido urbano seria a cobran\u00e7a da taxa de lixo com valor proporcional ao lixo gerado. \u201cSe o \u00f4nus provocado pelo descarte for repassado, haver\u00e1 redu\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de lixo\u201d, acredita. Mas admite: \u201cOs problemas envolvendo a gera\u00e7\u00e3o do lixo s\u00e3o bem complexos, numa \u00e9poca em que a sociedade est\u00e1 cada vez mais consumista. As pessoas ainda n\u00e3o s\u00e3o educadas ambientalmente no sentido de reduzir. O valor economizado na diminui\u00e7\u00e3o da gera\u00e7\u00e3o dos res\u00edduos \u00e9 maior que o ganho com a reciclagem\u201d, conclui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Texto\/Dobras e Sobras: Daniela Mendes, Let\u00edcia Nara e Sinara Piassi<br \/>\nFotos\/Dobras e Sobras: Sinara Piassi<br \/>\nReportagem na \u00edntegra:\u00a0dobrasesobras.wordpress.com\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mobilidade nas cal\u00e7adas de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei \u00e9 prejudicada por dificuldade do munic\u00edpio em lidar com o lixo &nbsp; As vias p\u00fablicas de cidades muito antigas costumam ser pequenas. 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