{"id":813,"date":"2012-05-02T22:13:00","date_gmt":"2012-05-02T22:13:00","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=813"},"modified":"2012-05-02T22:13:00","modified_gmt":"2012-05-02T22:13:00","slug":"extracao-de-ouro-traz-riscos-para","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/extracao-de-ouro-traz-riscos-para\/","title":{"rendered":"Extra\u00e7\u00e3o de ouro traz riscos para a popula\u00e7\u00e3o e patrim\u00f4nio de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei"},"content":{"rendered":"<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: justify;\">\n<a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-FCxs-ShakaU\/T6GwVgnn02I\/AAAAAAAAAeU\/tJhRPB7tKNU\/s1600\/O+ex-garimpeiro,+Joviano+Bem,+mostra+betas+no+terreno+de+sua+casa..jpg\" imageanchor=\"1\" style=\"clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"320\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-FCxs-ShakaU\/T6GwVgnn02I\/AAAAAAAAAeU\/tJhRPB7tKNU\/s320\/O+ex-garimpeiro,+Joviano+Bem,+mostra+betas+no+terreno+de+sua+casa..jpg\" width=\"240\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A minera\u00e7\u00e3o e o com\u00e9rcio, principais fatores de povoamento das cidades<br \/>\nhist\u00f3ricas de Minas Gerais no s\u00e9culo XVIII, deixaram marcas no ambiente natural<br \/>\ne cultural de S\u00e3o Jo\u00e3o del-rei. No centro da cidade se avista o conjunto<br \/>\narquitet\u00f4nico colonial de casas, museus e igrejas barrocas adornadas, mas<br \/>\ntamb\u00e9m s\u00e3o vistas as betas, profundas perfura\u00e7\u00f5es que se faz nas pedras para<br \/>\nperseguir os veios de ouro. Essas betas, concentradas na regi\u00e3o que se denomina<br \/>\ntanque, ainda hoje s\u00e3o alvos de explora\u00e7\u00f5es. Explosivos e outras t\u00e9cnicas utilizadas<br \/>\nna extra\u00e7\u00e3o do ouro colocam em risco as casas hist\u00f3ricas em torno e tamb\u00e9m a<br \/>\npopula\u00e7\u00e3o local e os pr\u00f3prios garimpeiros.<\/p><\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\">\nA ocupa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Jo\u00e3o teve in\u00edcio<br \/>\nainda no s\u00e9culo XVII, quando bandeirantes paulistas, nas buscas pelo ouro,<br \/>\npassavam pelo Caminho do Sert\u00e3o, depois conhecido como Caminho Velho. At\u00e9 o<br \/>\nfinal do s\u00e9culo XVIII a minera\u00e7\u00e3o constituiu a principal atividade econ\u00f4mica da<br \/>\ncidade e regi\u00e3o. A explora\u00e7\u00e3o aur\u00edfera nas encostas da Serra do Lenheiro<br \/>\nestabeleceu o n\u00facleo povoador de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei e, por isso, observamos<br \/>\ngrandes betas sempre em dire\u00e7\u00e3o a esses morros. <\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\">\nO canal dos ingleses, constru\u00eddo no s\u00e9culo XVIII, vai desde o C\u00f3rrego do<br \/>\nLenheiro, passando pelo Morro das Merc\u00eas e chegando na regi\u00e3o do tanque, onde<br \/>\neram feitas as lavagens do ouro. O historiador Roberto Maldos explica que o<br \/>\nouro vem misturado ao cascalho e por isso era necess\u00e1rio separ\u00e1-lo em tanques<br \/>\nde \u00e1gua: \u201cToda a regi\u00e3o ocupada aos redores da igreja do Carmo eram \u00e1reas de<br \/>\nsedimenta\u00e7\u00e3o, de lavagem de ouro, tanto que as casas ali s\u00e3o constru\u00e7\u00f5es mais<br \/>\nrecentes, datam de aproximadamente 1850, devido \u00e0 dire\u00e7\u00e3o que a explora\u00e7\u00e3o<br \/>\ntomava\u201d.<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\">\nAo inv\u00e9s da explora\u00e7\u00e3o aur\u00edfera prosseguir em dire\u00e7\u00e3o aos morros, come\u00e7ou-se<br \/>\na perfurar betas cada vez mais profundas, subterr\u00e2neas, em dire\u00e7\u00e3o ao centro<br \/>\nhist\u00f3rico da cidade. Roberto Boscolo, auxiliar institucional do Museu Regional<br \/>\nde S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei, explica que, mesmo ap\u00f3s a proibi\u00e7\u00e3o da extra\u00e7\u00e3o de ouro,<br \/>\nh\u00e1 aproximadamente 10 anos atr\u00e1s, ainda existem pessoas na atividade. \u201cNa<br \/>\nigreja do Carmo existe uma trinca enorme causada pelos abalos de dinamites do<br \/>\nC.D. em betas na regi\u00e3o do tanque\u201d, comenta Roberto.<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\">\nCasas no bairro S\u00e3o<br \/>\nGeraldo sofrem constantes danifica\u00e7\u00f5es nas suas estruturas, como trincas e<br \/>\nrachaduras. Na regi\u00e3o do tanque, moradores convivem com bichos pe\u00e7onhentos que<br \/>\nencontram abrigo nas betas. O ex-morador do local, Francisco de Guadalupe conta<br \/>\nque j\u00e1 morreram muitas pessoas na extra\u00e7\u00e3o do ouro: \u201cLembro que nos anos 1990, seis<br \/>\njovens garimpeiros de S\u00e3o Gon\u00e7alo do Amarante, que trabalhavam nas betas<br \/>\nfurando pedras para colocar dinamites, morreram com areia no pulm\u00e3o, devido ao<br \/>\np\u00f3 das explos\u00f5es\u201d.<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\">\nJoviano Bem, morador do tanque e ex-garimpeiro conta que a rua Marconde<br \/>\nNeves foi aberta pela pr\u00f3pria atividade mineradora. \u201cOs dois morros, em ambos<br \/>\nos lados da rua se encontravam, mas devido \u00e0s explora\u00e7\u00f5es abriram esse terreno<br \/>\nque a prefeitura de S\u00e3o Jo\u00e3o aforou para a popula\u00e7\u00e3o carente\u201d, diz Joviano.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/div>\n<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: justify;\">\n<a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-WiKKlpZNMNc\/T6GxNZqMEVI\/AAAAAAAAAec\/6Z_fl69QJQE\/s1600\/Perfura%C3%A7%C3%A3o+de+betas+exp%C3%B5e+minas+de+%C3%A1gua+na+regi%C3%A3o+do+tanque.jpg\" imageanchor=\"1\" style=\"clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"320\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-WiKKlpZNMNc\/T6GxNZqMEVI\/AAAAAAAAAec\/6Z_fl69QJQE\/s320\/Perfura%C3%A7%C3%A3o+de+betas+exp%C3%B5e+minas+de+%C3%A1gua+na+regi%C3%A3o+do+tanque.jpg\" width=\"240\" \/><\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O aforamento da \u00e1rea \u00e9 outro fator preocupante, pois a regi\u00e3o possui muitos<br \/>\nveios de \u00e1gua e minas, prova \u00e9 que o Damae instalou uma bomba de \u00e1gua no local<br \/>\npara abastecer a cidade. As casas s\u00e3o muito \u00famidas e o fundo delas d\u00e3o para<br \/>\nenormes betas abertas, que trazem mofos, podem ocasionar doen\u00e7as respirat\u00f3rias,<br \/>\nescorpi\u00f5es e riscos de desmoronamento para aventureiros que continuam na<br \/>\nexplora\u00e7\u00e3o indevida das betas.<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\">\nOutra quest\u00e3o \u00e9 que as<br \/>\nperfura\u00e7\u00f5es profundas atingem o len\u00e7ol fre\u00e1tico, podendo contaminar a \u00e1gua de<br \/>\nqualidade que existe na regi\u00e3o do tanque. Ao caminhar pela rua Marconde Neves \u00e9<br \/>\nposs\u00edvel ver a \u00e1gua que perfurou o asfalto e mina do solo encharcando a rua. <\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\">\nSegundo Joviano Bem, em 2002 houve uma interven\u00e7\u00e3o Federal que proibiu a<br \/>\nextra\u00e7\u00e3o de ouro no local, principalmente por causa do uso de dinamites. Mas<br \/>\ncomo n\u00e3o existe uma fiscaliza\u00e7\u00e3o recorrente, novas t\u00e9cnicas est\u00e3o sendo<br \/>\nempregadas, clandestinamente para extrair ouro. \u201cA beta do C.D. j\u00e1 pode ser<br \/>\nconsiderada uma mineradora, pois tem aproximadamente 120m de profundidade. E sabemos<br \/>\nque \u00e9 um neg\u00f3cio rent\u00e1vel, eu mesmo tirava 25 gramas de ouro por semana\u201d, conclui<br \/>\nJoviano. <\/div>\n<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;\">\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Reportagem e fotos:<\/p>\n<p>Mariana Fernandes.<\/p><\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<p>&#8212;<\/p>\n<div style=\"text-align: center;\">\n<em>Para copiar e reproduzir qualquer conte\u00fado da VAN, envie um e-mail para vanufsj@gmail.com, solicitando a reportagem desejada. \u00c9 simples e gratuito.<\/em><\/div>\n<p><\/p>\n<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\">\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\">\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A minera\u00e7\u00e3o e o com\u00e9rcio, principais fatores de povoamento das cidades hist\u00f3ricas de Minas Gerais no s\u00e9culo XVIII, deixaram marcas no ambiente natural e cultural de S\u00e3o Jo\u00e3o del-rei.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"cybocfi_hide_featured_image":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[156,14],"class_list":["post-813","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria","tag-meio-ambiente","tag-sao-joao-del-rei"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/813","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=813"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/813\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=813"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=813"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=813"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}