{"id":789,"date":"2012-05-31T19:00:00","date_gmt":"2012-05-31T19:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=789"},"modified":"2012-05-31T19:00:00","modified_gmt":"2012-05-31T19:00:00","slug":"mobiles-de-areia-valorizacao-e","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/mobiles-de-areia-valorizacao-e\/","title":{"rendered":"M\u00f3biles de Areia: valoriza\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o da literatura em Minas Gerais"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"separator\" style=\"border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;\">\n<a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-MrQwzFo5IvU\/T9INRWAXnRI\/AAAAAAAAAoE\/fZ9bsaLwvGI\/s1600\/Evaldo+Balbino+VAN.jpg\" imageanchor=\"1\" style=\"clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" fba=\"true\" height=\"240\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-MrQwzFo5IvU\/T9INRWAXnRI\/AAAAAAAAAoE\/fZ9bsaLwvGI\/s320\/Evaldo+Balbino+VAN.jpg\" width=\"320\" \/><\/a><\/div>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Compartilhando as festividades dos 100 anos de emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da cidade de Resende Costa, a Associa\u00e7\u00e3o dos Amigos da Cultura de Resende Costa (AMIRCO) lan\u00e7ar\u00e1 o 3\u00ba livro da Cole\u00e7\u00e3o Lageana, intitulado M\u00f3biles de areia, do j\u00e1 premiado poeta resende-costense Evaldo Balbino. O evento, que conta com o apoio da Prefeitura Municipal, vai acontecer no dia 22 de junho, \u00e0s 20h, no Centro Pastoral Paroquial (CPP), em Resende Costa. A entrada \u00e9 franca e o livro ser\u00e1 vendido a R$10.<\/p><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;\">\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A publica\u00e7\u00e3o tem o patroc\u00ednio do Fundo Estadual de Cultura (FEC). Para a idealizadora do projeto Cole\u00e7\u00e3o Lageana, duas vezes aprovado pelo FEC, Elaine Martins, a edi\u00e7\u00e3o do livro de Evaldo ser\u00e1 mais que um presente para Resende Costa e para os resende-costenses: \u201cA publica\u00e7\u00e3o de M\u00f3biles de areia pela Cole\u00e7\u00e3o Lageana representa o reconhecimento e refor\u00e7o do la\u00e7o entre Evaldo e a sua terra, pois essa origem atravessa a sua vida e a sua literatura. Essa publica\u00e7\u00e3o representa ainda um incentivo e valoriza\u00e7\u00e3o da literatura de jovens escritores produzida em Minas. \u00c9 uma das formas de democratiza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 literatura de qualidade que, no caso, \u00e9 a prosa refinadamente po\u00e9tica de Balbino\u201d.<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;\">\n<strong>\u00c1vida Palavra<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;\">\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em M\u00f3biles de areia, Evaldo Balbino tece 33 cr\u00f4nicas nas quais, entre mem\u00f3rias e palavras, borda seu passado e o de outros, nos tempos da pequena cidade, tempos que ainda se fazem presentes. Segundo o autor, essa publica\u00e7\u00e3o ser\u00e1 sua estr\u00e9ia no universo da prosa, da cr\u00f4nica.<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;\">\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos 33 textos que comp\u00f5em o livro, quatro s\u00e3o in\u00e9ditos e os outros 29 j\u00e1 foram publicados. A sele\u00e7\u00e3o das cr\u00f4nicas, que passaram por mudan\u00e7as, foi feita pelo pr\u00f3prio autor e revela uma forte simbologia que cristaliza a presen\u00e7a do sagrado e da mem\u00f3ria na sua produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria.<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;\">\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A cr\u00f4nica de abertura, \u201c\u00c1vida Palavra\u201d, funciona como uma esp\u00e9cie de pr\u00f3logo liter\u00e1rio do livro. Revisitando a tradi\u00e7\u00e3o grega, o autor evoca a palavra, escrita e falada, cantando-a como um rapsodo que se vale da mem\u00f3ria, mas n\u00e3o a mem\u00f3ria ideal cuja morte foi decretada por Plat\u00e3o. Esta \u00e9 contestada porque as palavras, depois de ouvidas e olvidas, moldadas pelas m\u00e3os feito barro e enraizadas no papel, s\u00e3o mem\u00f3rias em potencial e pulsam no autor, para quem \u201cfalar \u00e9 lutar contra a morte\u201d.<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os textos de Balbino s\u00e3o tecidos em prosa-po\u00e9tica, permeados por imagens, lugares da mem\u00f3ria e objetos biogr\u00e1ficos e atravessados pela humildade.O autor recria experi\u00eancias, lugares, causos e cousas em meio a reflex\u00f5es. Com uma linguagem refinadamente po\u00e9tica, ele dialoga com os seus poetas, escritores e fil\u00f3sofos e com os leitores. Fala da efemeridade da vida.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;\">\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Outras cr\u00f4nicas do livro: \u201cA boa morte\u201d; \u201cPiteiras e emplastros\u201d; \u201cPor quem os sinos dobram\u201d; \u201cAs geografias desnorteadas\u201d; \u201cM\u00f3biles de areia\u201d, \u201cLeituras de Teot\u00f4nio\u201d; \u201cPalavras a uma jovem\u201d; \u201cO pintor\u201d; \u201c\u00c1lbum de fotografias\u201d; \u201cO menino e as chinelas do menino\u201d; \u201cA aranha e as paredes\u201d; \u201cO presente\u201d; \u201cAs m\u00e3os de minha m\u00e3e\u201d; \u201cRaimundo Mundo\u201d; \u201cEm preto e branco\u201d; \u201cAs grandes miudezas\u201d; \u201cCr\u00f4nica de Natal\u201d; \u201cO bolo sem gra\u00e7a\u201d; \u201cNo armarinho da mem\u00f3ria\u201d; \u201cA missa e o homic\u00eddio\u201d; \u201cA amante\u201d; \u201cO cavalo de tr\u00eas pernas\u201d; \u201cO palha\u00e7o\u201d; \u201cRelembran\u00e7as\u201d; \u201cEst\u00e1tuas a\u00e9reas\u201d; \u201cCr\u00f4nica de um educador\u201d; \u201cCatar feij\u00e3o\u201d; \u201cA esposa esbelta\u201d; \u201cDeclara\u00e7\u00e3o de amor\u201d; \u201cPromessa \u00e9 d\u00edvida\u201d.<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;\">\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sua \u00faltima cr\u00f4nica, &#8220;Ao r\u00e9s-do-ch\u00e3o&#8221;, retoma de certo modo a primeira cr\u00f4nica e refor\u00e7a uma das grandes marcas do autor: a humildade. A palavra bruta moldada no moinho da cria\u00e7\u00e3o po\u00e9tica e tudo o que perpassa o livro \u00e9 reafirmado.<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O intuito dos cronistas e da cr\u00f4nica, segundo o grande cr\u00edtico Antonio Candido, \u201cn\u00e3o \u00e9 o dos escritores que pensam em \u2018ficar\u2019, isto \u00e9, permanecer na lembran\u00e7a e na admira\u00e7\u00e3o da posteridade; e a sua perspectiva n\u00e3o \u00e9 a dos que escrevem do alto da montanha, mas do simples r\u00e9s-do-ch\u00e3o. Por isso mesmo, consegue quase sem querer transformar a literatura em algo \u00edntimo com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida de cada um; e, quando passa do jornal ao livro, n\u00f3s verificamos meio espantados que a sua durabilidade pode ser maior do que ela pr\u00f3pria pensava, talvez como pr\u00eamio por ser t\u00e3o despretensiosa, insinuante e reveladora.\u201d Assim s\u00e3o Evaldo Balbino e as suas cr\u00f4nicas, os seus m\u00f3biles de areia.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<strong>Entrevista com o autor<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<strong>1. Quando voc\u00ea come\u00e7ou a escrever?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Comecei a escrever em torno dos meus 15 anos. Escrever com pretens\u00e3o de fazer literatura. E comecei a publicar em antologias, via concursos, aos 17 anos.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<strong>2. A sua forma\u00e7\u00e3o escolar \u00e9 voltada para o mundo das letras e da literatura. Haveria um entrelugar entre o cr\u00edtico e o autor (poeta, escritor)? Qual a rela\u00e7\u00e3o entre o ler e fazer literatura?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Fazer literatura tem que ser resultado de ler literatura. Muitas vezes alunos meus, de Letras, diziam que adoravam escrever e n\u00e3o gostavam de ler. Isso, para mim, \u00e9 imposs\u00edvel. Eu s\u00f3 escrevo a escrita dos outros. Em outras palavras, e tentando dizer disso que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil de ser dito, eu reescrevo o que outros j\u00e1 disseram. Reescrevo a meu modo. Nada nasce do nada. N\u00e3o existe gera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea. Quanto aos meus dois pap\u00e9is, o de cr\u00edtico e o de escritor, penso que um trabalho suplementa o outro. Uso aqui o conceito de suplemento de Derrida. N\u00e3o falo de complemento. Complementar \u00e9 acrescentar algo a um todo, contribuindo para sua constitui\u00e7\u00e3o. J\u00e1 suplementar \u00e9 trazer algo a mais que desestabiliza o suposto todo j\u00e1 existente. Assim, ao fazer literatura, vou para al\u00e9m das amarras que o cr\u00edtico que existe em mim mesmo me coloca. N\u00e3o quero dizer que escrevo sem aparatos cr\u00edticos. Todo poeta, todo escritor, tem aparatos cr\u00edticos. E tem isso porque \u00e9 leitor. Leitor aberto, amplo, e n\u00e3o preso apenas a textos te\u00f3ricos. O problema, a meu ver, \u00e9 quando o artista se prende muito a uma forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e acaba por fazer uma arte somente para iniciados. Ou seja, temos a\u00ed escritores escrevendo apenas para seus pares. O aparato cr\u00edtico, que paulatinamente adquiro, me ajuda a escrever literatura, mas a literatura n\u00e3o deve, na minha humilde opini\u00e3o, estar a servi\u00e7o da cr\u00edtica. \u00c9 ela, a cr\u00edtica, quem deve buscar a literatura e se produzir a partir dela.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<strong>3. Em um de seus escritos voc\u00ea afirma que \u201cescrever \u00e9 lutar contra a morte\u201d. Que rela\u00e7\u00e3o \u00e9 essa?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isso j\u00e1 foi dito aos quatro ventos do mundo desde que a humanidade se deparou com o sil\u00eancio da morte, teve consci\u00eancia disso. O que nos amedronta deve ser exorcizado, ou melhor, deve ser chamado, evocado para as nossas vidas, para fazer parte delas, para tornar-se tamb\u00e9m vida. Numa perspectiva puramente material, sem levar em conta as cren\u00e7as no plano espiritual em que eu acredito piamente, eu lan\u00e7o m\u00e3o da linguagem \u2013 dessa beleza que o humano criou \u2013 para falar, falar e falar. Falar antes que o Grande Sil\u00eancio tome conta do meu corpo. Porque nada sei do outro mundo. Ou sei pouco. Ent\u00e3o n\u00e3o tenho garantias do que me ser\u00e1 poss\u00edvel ap\u00f3s a morte.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<strong>4. A sua produ\u00e7\u00e3o em versos (Moinho, Filhos da pedra) \u00e9 maior que a produ\u00e7\u00e3o em prosa, por enquanto. Como se d\u00e1 esse salto entre a verso e a prosa?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Creio que n\u00e3o fa\u00e7o muito esse salto. De fato, de tudo o que j\u00e1 escrevi at\u00e9 hoje (e tenho mais livros no prelo, que sair\u00e3o logo se Deus quiser), tenho feito mais poemas do que prosa. Prefiro a distin\u00e7\u00e3o entre poema e prosa. Assim, o que posso dizer \u00e9 que tenho escrito mais na forma de versos do que na forma de par\u00e1grafos. J\u00e1 a poesia, a poiesis grega, o fazer po\u00e9tico, essa poesia est\u00e1 em quase tudo o que escrevo. At\u00e9 mesmo nos meus textos de cr\u00edtica liter\u00e1ria eu me permito os voos da linguagem po\u00e9tica. Minhas cr\u00f4nicas, por exemplo, s\u00e3o atravessadas por imagens po\u00e9ticas, por poesia. S\u00f3 consigo escrever assim. A diferen\u00e7a \u00e9 que, quando fa\u00e7o versos, busco uma linguagem mais contida, \u00e0s vezes supostamente mais contida.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<strong>5. A cr\u00f4nica, como a entendemos hoje, requer um exerc\u00edcio que, no seu caso, \u00e9 mensal. Como come\u00e7ou e \u00e9 a sua rela\u00e7\u00e3o com esse g\u00eanero liter\u00e1rio?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sempre tive medo de praticar a cr\u00f4nica. Como ainda tenho medo de escrever, por exemplo, uma pe\u00e7a de teatro. Imagine voc\u00ea, colocar personagens em a\u00e7\u00e3o sem a fala tagarela de um narrador? Eu sou escravo dos narradores, os que falam, os que contam, os que erigem mundos. N\u00e3o consigo trilhar a literatura sem eles. E eu tinha medo de tentar a escrita de uma cr\u00f4nica, e sair tudo, menos uma cr\u00f4nica. V\u00ea-se que eu estava, nesse tempo, preso a uma rigidez desnecess\u00e1ria. Comecei a praticar a cr\u00f4nica \u2013 esse g\u00eanero t\u00e3o fluido como todos os g\u00eaneros \u2013, e comecei a faz\u00ea-lo mais sistematicamente (em m\u00e9dia uma por m\u00eas), a partir de 2009, quando me tornei colunista do Jornal das Lajes. Escrever cr\u00f4nicas tem sido para mim um grande exerc\u00edcio, uma lenta aprendizagem no terreno da prosa, um acurado e paulatino caminhar nos meandros das constru\u00e7\u00f5es de narradores, espa\u00e7os e personagens. Tenho aprendido muito com tudo isso.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<strong>6. O que o leitor encontrar\u00e1 eu seu M\u00f3biles de areia?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Espero que encontre, antes de tudo, poesia e prazer. Poesia, porque sem ela n\u00e3o h\u00e1 cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria. E sem arte n\u00e3o h\u00e1 prazer. Falo aqui de prazer, mas n\u00e3o no sentido de uma autoajuda, de um texto lindo, que me leva \u00e0s alturas, que me tira os p\u00e9s do ch\u00e3o, para al\u00e9m da realidade. Muito antes pelo contr\u00e1rio: falo do prazer de abrirmos os olhos, de encararmos a vida, as dores, as alegrias, os problemas e as flores. A literatura nos d\u00e1 um ch\u00e3o para pisar, mas um ch\u00e3o desestabilizado, cheio de espinhos. Pois, para mim, toda literatura \u2013 toda boa literatura \u2013 \u00e9 realista e, como tal, nos arranca para a realidade e nos faz, de certo modo, sofrer. Falo, ent\u00e3o, aqui, de gozo, no sentido usado por Barthes. E n\u00e3o de um prazer como puro passatempo. Gozar a\/na literatura \u00e9 estar antenado com a vida e com tudo o que lhe diz respeito.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<strong>7. Hoje voc\u00ea vive em um grande centro. O que significa para voc\u00ea publicar um livro na sua cidade natal, por uma editora n\u00e3o comercial?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Publicar meus livros em minha cidade natal foi, \u00e9 e sempre ser\u00e1 minha maior e primeira meta. Independentemente de onde for a editora, sempre farei quest\u00e3o de lan\u00e7ar meus livros em Resende Costa. Tenho carinho pela cidade. Um carinho retorcido, muitos poder\u00e3o dizer. Mas esse meu jeito meio enviesado n\u00e3o \u00e9 por mal. \u00c9 meu jeito de ser e de estar antenado com o mundo, com suas virtudes e com seus problemas, e tamb\u00e9m com minhas virtudes e com meus problemas. N\u00e3o somos perfeitos, n\u00e3o \u00e9 verdade? A meu modo, eu amo Resende Costa. Falemos agora da AMIRCO. N\u00e3o me preocupa publicar por uma editora n\u00e3o comercial. Todo escritor, que de fato escreve por necessidade ps\u00edquico-espiritual e que tem nas palavras o seu ar, \u00e9 v\u00edtima do mercado. O mercado \u00e9 forte, imp\u00e1vido, insens\u00edvel. E nem sempre, sabemos, o que est\u00e1 \u201cbombando\u201d no mercado ou na m\u00eddia \u00e9 o que h\u00e1 de melhor. Primo pela qualidade. Como j\u00e1 dizia Paulo Leminski, \u00e9 melhor ser lido muitas vezes por poucos do que poucas vezes por muitos.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<strong>8. O que \u00e9 ser poeta e escritor hoje (em Minas Gerais, no Brasil e no mundo)?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ser poeta e escritor no mundo \u00e9, cada vez mais, remar contra uma forte corrente. Os gostos cada vez mais se t\u00eam afastado da leitura. O h\u00e1bito de ler bons textos, e faz\u00ea-lo de modo atento e ruminante, sempre foi mania de poucos. Isso n\u00e3o \u00e9 de hoje. Cam\u00f5es, por exemplo, j\u00e1 carpia no seu monumental Os Lus\u00edadas a desvaloriza\u00e7\u00e3o a que o poeta\/escritor \u00e9 relegado na sua pr\u00f3pria cultura. Eu sei que cada vez mais pessoas t\u00eam lido. Entretanto, no grande universo de pessoas do nosso mundo, pouqu\u00edssimas s\u00e3o as que leem literatura. Isso \u00e9 muito evidente hoje. Com a suposta democratiza\u00e7\u00e3o do ensino e das culturas, muito mais pessoas t\u00eam sido supostamente letradas. No entanto, resta saber o que leem, como leem e se de fato d\u00e3o valor \u00e0 literatura que, se n\u00e3o \u00e9 a Grande Arte \u2013 pois isso seria uma ilus\u00e3o \u2013 n\u00e3o deixa de ser arte, manifesta\u00e7\u00e3o cultural. E todo povo, penso, tem que valorizar as diferentes manifesta\u00e7\u00f5es culturais que se d\u00e3o no seu meio, inclusive a literatura. Mas nada de lamento: sempre houve e sempre haver\u00e1, enquanto houver seres humanos na Terra, aqueles, mesmo que poucos, amantes da poesia, da literatura.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<strong>Cole\u00e7\u00e3o Lageana<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;\">\n<a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-8dBH16dNJG8\/T8e-5rtN0LI\/AAAAAAAAAnc\/JdDvhTGKAcY\/s1600\/Cole%C3%A7%C3%A3o+Lageana+VAN.jpg\" imageanchor=\"1\" style=\"clear: right; cssfloat: left; cssfloat: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;\"><img decoding=\"async\" border=\"0\" rba=\"true\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-8dBH16dNJG8\/T8e-5rtN0LI\/AAAAAAAAAnc\/JdDvhTGKAcY\/s1600\/Cole%C3%A7%C3%A3o+Lageana+VAN.jpg\" \/><\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Cole\u00e7\u00e3o Lageana \u00e9 um programa editorial institu\u00eddo pela AMIRCO em 2009. Tem como objetivo a publica\u00e7\u00e3o de obras referentes \u00e0 hist\u00f3ria e \u00e0 cultura de Resende Costa e de sua regi\u00e3o. O nome \u201clageana\u201d \u00e9 uma refer\u00eancia hist\u00f3rico-geogr\u00e1fica ao antigo \u201cArraial da Lage\u201d, nascido em meados do s\u00e9culo 18. Ao se emancipar em 1912, a vila tornou-se a cidade de Resende Costa, em homenagem aos seus dois inconfidentes Jos\u00e9 de Resende Costa, pai e filho.<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;\">\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Lageana foi idealizada por Elaine A. Martins, que tamb\u00e9m \u00e9 uma de suas coordenadoras, e criada por meio de um projeto apresentado e aprovado pela Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais por meio do Fundo Estadual de Cultura (FEC).<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;\">\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A AMIRCO, com o patroc\u00ednio do Fundo Estadual de Cultura (FEC), por meio da aprova\u00e7\u00e3o de um segundo projeto, publica agora o terceiro livro da Cole\u00e7\u00e3o Lageana, M\u00f3biles de areia, de Evaldo Balbino, como parte das celebra\u00e7\u00f5es do centen\u00e1rio da emancipa\u00e7\u00e3o de Resende Costa.<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;\">\n<\/div>\n<div style=\"border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;\">\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contribui\u00e7\u00e3o: Elaine Martins.<\/div>\n<div style=\"border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;\">\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Foto 1: Divulga\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div style=\"border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;\">\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Imagem 2: Ilustrativa.<\/div>\n<div style=\"border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;\">\n&#8212;<\/div>\n<div style=\"border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;\">\n<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">\n<div style=\"border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;\">\n<em>Para copiar e reproduzir qualquer conte\u00fado da VAN, envie um e-mail para vanufsj@gmail.com, solicitando a reportagem desejada. \u00c9 simples e gratuito.<\/em><\/div>\n<\/div>\n<div style=\"border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;\">\n<\/div>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Compartilhando as festividades dos 100 anos de emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da cidade de Resende Costa, a Associa\u00e7\u00e3o dos Amigos da Cultura de Resende Costa (AMIRCO) lan\u00e7ar\u00e1 o 3\u00ba livro da<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"cybocfi_hide_featured_image":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[98,164],"class_list":["post-789","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria","tag-geral","tag-resende-costa"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/789","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=789"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/789\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=789"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=789"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=789"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}