{"id":7629,"date":"2017-10-25T15:59:09","date_gmt":"2017-10-25T17:59:09","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=7629"},"modified":"2017-10-26T09:09:36","modified_gmt":"2017-10-26T11:09:36","slug":"brasil-possui-o-5-maior-indice-de-violencia-contra-a-mulher-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/brasil-possui-o-5-maior-indice-de-violencia-contra-a-mulher-do-mundo\/","title":{"rendered":"Brasil possui o 5\u00b0 maior \u00edndice de viol\u00eancia contra a mulher do mundo"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar dos avan\u00e7os conquistados pelos movimentos, viol\u00eancia continua constante<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O Brasil possui atualmente a 5\u00b0 maior taxa de viol\u00eancia contra a mulher do mundo, segundo a <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">(OMS). Segundo o <\/span><a href=\"http:\/\/www.forumseguranca.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/relatorio-pesquisa-vs4.pdf\"><span style=\"font-weight: 400;\">relat\u00f3rio de pesquisa<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> do DataFolha deste ano, 73% da popula\u00e7\u00e3o brasileira acredita que a viol\u00eancia contra a mulher aumentou nos \u00faltimos 10 anos. Entre as mulheres, essa porcentagem aumenta para 76%. A pesquisa tamb\u00e9m mostrou que 29% das mulheres entrevistadas j\u00e1 sofreu algum tipo de viol\u00eancia, e que desse conjunto de ofensas, 22% foi verbal e 18% de amea\u00e7a de agress\u00e3o. A vitimiza\u00e7\u00e3o sobressai entre as mais jovens, sobretudo as de 16 a 24 anos, cuja taxa chega a 45%, assim como entre as mulheres negras (31%) em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s brancas (25%), sendo que as solteiras s\u00e3o mais vitimadas do que as casadas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dentre as mulheres que sofreram viol\u00eancia, 52% n\u00e3o fizeram nada sobre. apenas 11% procuraram as autoridades e 13% recorreram \u00e0 ajuda de familiares e amigos. Nesses casos, 61% dos agressores eram conhecidos, 19% companheiros e 16% ex-companheiros. A maioria dos casos ocorreu em casa, mas as agress\u00f5es em lugares p\u00fablicos tamb\u00e9m possuem um n\u00famero alto. <\/span><\/p>\n<p><b>No Campo das Vertentes<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No campo das Vertentes, as principais formas de viol\u00eancia denunciadas s\u00e3o os crimes de amea\u00e7a, les\u00f5es corporais e contraven\u00e7\u00f5es penais de vias de fatos (entende-se por contraven\u00e7\u00e3o de vias de fato a infra\u00e7\u00e3o penal expressamente subsidi\u00e1ria, em que o autor emprega viol\u00eancia contra determinada pessoa sem causar les\u00f5es corporais ou morte). Segundo a delegada da 15\u00aa Delegacia de Pol\u00edcia Civil de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei, Alessandra Aparecida Azalim, h\u00e1 uma desigualdade no tratamento do homem e da mulher, que \u00e9 onde atua a lei Maria da Penha: \u201cA gente busca a igualdade, mas a gente tem uma pr\u00f3pria lei Maria da Penha, que mostra que se existe essa lei \u00e9 porque ainda existe a desigualdade\u201d. Ela exemplifica com um caso que ouviu na delegacia: \u201cEssa semana eu ouvi um homem falar assim \u2018a igualdade n\u00e3o existe porque o homem tamb\u00e9m frente a mulher tem um tratamento desigual\u2019, pelo contr\u00e1rio. Se tem a lei, \u00e9 para buscar a igualdade material\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A delegada Ana Paula Arruda, da 1\u00b0 Delegacia Regional de Pol\u00edcia Civil de Lavras, conta que quase nenhuma mulher que vai at\u00e9 a delegacia registra boletim de ocorr\u00eancia. \u201cA mulher tem que ser autora da pr\u00f3pria hist\u00f3ria. A mudan\u00e7a est\u00e1 no empoderamento feminino, e n\u00e3o na lei. Enquanto a mulher n\u00e3o for empoderada, nada vai mudar\u201d, afirma. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A agente penitenci\u00e1ria Luana Grott conta que os principais motivos que levam os agressores para a pris\u00e3o \u00e9 o envolvimento com drogas, tanto l\u00edcitas como il\u00edcitas, \u00a0e o ci\u00fame. Ela tamb\u00e9m fala dos poss\u00edveis motivos que levam muitas mulheres a n\u00e3o denunciarem: \u201cO problema maior n\u00e3o tem jeito. A lei tem a supervaloriza\u00e7\u00e3o do homem e a desvaloriza\u00e7\u00e3o da mulher. O que acontece \u00e9 que muitas dessas mulheres que s\u00e3o agredidas ficam t\u00e3o fragilizadas que que elas n\u00e3o conseguem reagir\u201d. A agente conta que sempre que vai falar sobre esse assunto ela tamb\u00e9m fica fragilizada, pois ela se coloca no lugar das v\u00edtimas, se sente pr\u00f3xima delas. \u201cEu, como mulher, como pessoa, d\u00f3i em mim. D\u00f3i porque eu conhe\u00e7o cada um desses indiv\u00edduos no local em que eu trabalho, e infelizmente eu os conhe\u00e7o\u201d.<\/span><\/p>\n<p><b>Conscientiza\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Foi por causa dessa desvaloriza\u00e7\u00e3o feminina que a professora Isabela Saraiva de Queiroz organizou o I Semin\u00e1rio de Enfrentamento \u00e0 Viol\u00eancia da Mulher. \u201cSabemos que os \u00edndices de viol\u00eancia contra a mulher t\u00eam aumentado no pa\u00eds e, conforme o Mapa da Viol\u00eancia de 2015, o Brasil ocupa a inc\u00f4moda 5\u00ba posi\u00e7\u00e3o em um ranking global de assassinatos de mulheres\u201d, conta ela. O evento \u00a0acontecer\u00e1 no dia 27 de outubro no anfiteatro do Campus Dom Bosco da UFSJ. O semin\u00e1rio contar\u00e1 com uma mesa redonda com a presen\u00e7a de Msc. Daniele Caldas, psic\u00f3loga do Centro de Apoio \u00e0 Mulher &#8211; Benvinda (PBH), Msc. S\u00edlvia Adriana Silva, do Servi\u00e7o de Preven\u00e7\u00e3o \u00e0 Viol\u00eancia Dom\u00e9stica (PMMG) e Cl\u00e1udia Sim\u00f5es, integrante do Coletivo Carcar\u00e1 de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_7638\" aria-describedby=\"caption-attachment-7638\" style=\"width: 905px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-7638\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Cartaz-do-I-Semin\u00e1rio-de-Enfrentamento-\u00e0-Viol\u00eancia-da-Mulher..jpg\" alt=\"Cartaz do I Semin\u00e1rio de Enfrentamento \u00e0 Viol\u00eancia da Mulher.\" width=\"905\" height=\"1280\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Cartaz-do-I-Semin\u00e1rio-de-Enfrentamento-\u00e0-Viol\u00eancia-da-Mulher..jpg 905w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Cartaz-do-I-Semin\u00e1rio-de-Enfrentamento-\u00e0-Viol\u00eancia-da-Mulher.-212x300.jpg 212w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Cartaz-do-I-Semin\u00e1rio-de-Enfrentamento-\u00e0-Viol\u00eancia-da-Mulher.-768x1086.jpg 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Cartaz-do-I-Semin\u00e1rio-de-Enfrentamento-\u00e0-Viol\u00eancia-da-Mulher.-724x1024.jpg 724w\" sizes=\"auto, (max-width: 905px) 100vw, 905px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-7638\" class=\"wp-caption-text\">Cartaz do I Semin\u00e1rio de Enfrentamento \u00e0 Viol\u00eancia da Mulher. FOTO: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p><b>A viol\u00eancia cotidiana<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A quest\u00e3o da viol\u00eancia contra a mulher \u00e9 algo que vem se tornando cada vez mais destaque. Larissa*, estudante da UFSJ, contou a hist\u00f3ria sobre como passou por um relacionamento abusivo e conseguiu se libertar: \u201cFoi um ano, um m\u00eas, e uma semana. E n\u00e3o fui eu que fiz essa contagem. Foi ele\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No in\u00edcio, Rafael* era muito carinhoso. Levava flores, chocolates (embora ela n\u00e3o gostasse muito do doce), apoiava, ajudava a estudar. Depois de tr\u00eas meses de relacionamento que seu comportamento mudou. Mandava indiretas e tentava induzi-la a frequentar sua casa, o que conseguiu depois de um tempo. Ele passou a se tornar mais dependente dela, dizendo que estava doente e que queria faltar \u00e0 faculdade. Larissa disse que passou a se tornar \u201cm\u00e3e\u201d dele. Mandava-o para o m\u00e9dico, para a faculdade, entre outros. Durante esse tempo, ele tamb\u00e9m demonstrava n\u00e3o gostar dos amigos dela: dizia que eles n\u00e3o gostavam dele, acusava-os de o exclu\u00edrem da roda de conversas. Isso come\u00e7ou as brigas entre os dois.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A partir da\u00ed, as brigas aconteceram com mais frequ\u00eancia. Sentia ci\u00fames de todos os homens que falavam com ela, desde primos \u00e0 namorados das amigas. Ele fazia com que ela acreditasse que era sempre a errada da situa\u00e7\u00e3o. Ele come\u00e7ou tentar for\u00e7ar rela\u00e7\u00e3o sexual, a afast\u00e1-la dos amigos, a control\u00e1-la. Mesmo com todas as negativas, as brigas, ele continuou a for\u00e7ar. E um dia, ele conseguiu. De tanto Rafael for\u00e7ar, ela acabou cedendo, mesmo sem querer aquilo. Naquele dia, Larissa voltou para casa chorando. Sempre que brigavam, ela se submetia \u00e0quilo para parar com a discuss\u00e3o. Um dia ele at\u00e9 bateu nela, em uma noite de carnaval, por causa de ci\u00fames de um amigo de um primo de Larissa. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quanto mais o tempo passava, mais abusiva a rela\u00e7\u00e3o se tornava. Ele invadia suas redes sociais, a mantinha longe de seus amigos, brigava com frequ\u00eancia, abusava dela, vigiava seus passos com rastreador do celular. Chegou a um ponto que ela n\u00e3o aguentou mais. A gota d&#8217;\u00e1gua foi quando ele acreditou que ela estava gr\u00e1vida e n\u00e3o a deixou em paz sobre isso. Chegou at\u00e9 a sugerir aborto, coisa que a assustou. Insistiu que ela fizesse um teste de farm\u00e1cia. Ela fez, e quando deu negativo, ela explodiu. \u201cDeu negativo. E deu um al\u00edvio t\u00e3o grande, que eu joguei tudo na cara dele. Eu joguei o que eu podia, o que eu n\u00e3o podia, o que eu devia, o que eu n\u00e3o devia. E eu gritava\u201d. A partir daquele dia, ela come\u00e7ou a se libertar. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na semana seguinte, Larissa terminou o relacionamento. Ele tentou contornar o t\u00e9rmino, mas ela decidiu que n\u00e3o ia mais se submeter aos abusos novamente. Ela o deixou para tr\u00e1s, mas o medo ainda a persegue. Hoje ela namora um outro rapaz, que ela diz ser completamente diferente de Rafael. Larissa disse que se pudesse voltar no tempo, diria para si mesma prestar mais aten\u00e7\u00e3o em seus pr\u00f3prios sentimentos. \u201cSe ouve, porque voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 errada. Na hora que seu cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 gritando, ele est\u00e1 gritando, velho. Voc\u00ea n\u00e3o tem que silenciar ele\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Depois do t\u00e9rmino, Rafael mandou uma carta e dois DVDs em um envelope. Ela leu a carta, mas nunca visualizou o conte\u00fado dos DVDs, que est\u00e3o guardados em algum lugar de seu quarto que ela n\u00e3o lembra mais. Ela queimou todas as evid\u00eancias do relacionamento, como fotos. A \u00fanica coisa que ficou foi um d\u00e1lmata de pel\u00facia que a m\u00e3e de Rafael deu de presente. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">*Os nomes foram modificados para preserva\u00e7\u00e3o da identidade da v\u00edtima.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Texto\/VAN: Clara Mattoso<\/span><\/p>\n<p>Colabora\u00e7\u00e3o\/VAN: Talita Tonso<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Foto\/VAN: Reprodu\u00e7\u00e3o <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar dos avan\u00e7os conquistados pelos movimentos, viol\u00eancia continua constante O Brasil possui atualmente a 5\u00b0 maior taxa de viol\u00eancia contra a mulher do mundo, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":7633,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"cybocfi_hide_featured_image":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-7629","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7629","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7629"}],"version-history":[{"count":15,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7629\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7646,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7629\/revisions\/7646"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7633"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7629"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7629"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7629"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}