{"id":6841,"date":"2017-08-04T12:27:03","date_gmt":"2017-08-04T15:27:03","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=6841"},"modified":"2017-08-04T18:16:34","modified_gmt":"2017-08-04T21:16:34","slug":"sao-joao-del-rei-no-coracao-e-o-mundo-debaixo-dos-pes","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/sao-joao-del-rei-no-coracao-e-o-mundo-debaixo-dos-pes\/","title":{"rendered":"S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei no cora\u00e7\u00e3o e o mundo debaixo dos p\u00e9s"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A artista pl\u00e1stica Z\u00e9lia Mendon\u00e7a participa da XIX Bienal de Cerveira, em Portugal, e revela suas influ\u00eancias e motiva\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Chica-Chica-Boom-Chic.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6842\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Chica-Chica-Boom-Chic.jpg\" alt=\"Chica Chica Boom Chic\" width=\"600\" height=\"567\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Chica-Chica-Boom-Chic.jpg 600w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Chica-Chica-Boom-Chic-300x284.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Z\u00e9lia Mendon\u00e7a n\u00e3o esconde que deseja aquecer o mundo com cores vivas. Suas obras, ao provocarem aproxima\u00e7\u00e3o e distanciamento, chamam aten\u00e7\u00e3o para cada detalhe cotidiano ao mesmo tempo em que permitem uma reflex\u00e3o maior. \u00c9 com este empenho que ela chegou a Portugal para participar da XIX Bienal de Cerveira, que acontece entre os meses que v\u00e3o de julho a setembro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A artista sanjoanense foi contemplada por um concurso internacional, que procurou obras inovadoras e das mais variadas tend\u00eancias sob o tema <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cDa Pop Art \u00e0s Transvanguardas, Apropria\u00e7\u00f5es da Arte Popular\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Com o t\u00edtulo <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cChica Chica Boom Chic\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, levou um quadr\u00edptico (esp\u00e9cie de quatro imagens que dialogam) de Carmem Miranda trabalhado em assemblage, colagem de papel e pintura. \u201c<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 \u00f3bvio n\u00e3o me escapa a dimens\u00e3o p\u00f3s-colonialista desta atua\u00e7\u00e3o da cantora e atriz. Mas sua exist\u00eancia tem a positividade do conceito antropof\u00e1gico brasileiro de Oswald de Andrade\u201d, explica e revela: \u201cPretendi instaurar um nomadismo de ideias e um engajamento indefinido na abordagem que se faz da identidade nacional brasileira, que era tamb\u00e9m uma exig\u00eancia do concurso essa quest\u00e3o de identifica\u00e7\u00e3o\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Contudo, n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que Z\u00e9lia Mendon\u00e7a atravessa o oceano. Ano passado ela participou de uma resid\u00eancia art\u00edstica tamb\u00e9m em Cerveira e fez v\u00e1rias exposi\u00e7\u00f5es coletivas no Porto, Paris (Fran\u00e7a) e Nova York (Estados Unidos). Al\u00e9m de outras t\u00e3o importantes quanto em Belo Horizonte, Tiradentes e S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei. Afinal, apesar de ter aprendido tantas coisas e feito muitos amigos em suas viagens, \u00e9 para o Campo das Vertentes que ela sempre retorna. Nessa entrevista, ela conta como \u00e9 essa \u201ccoisa de artista\u201d, de querer transformar o particular em universal.<\/span><\/p>\n<p><b>Como a arte entrou na sua vida, Z\u00e9lia?<\/b><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">A arte, pra come\u00e7ar, nasceu em mim. No dia em que nasci papai do c\u00e9u falou assim: a arte vai correr no seu sangue. Minha m\u00e3e era artista&#8230; Eu n\u00e3o tive para onde fugir, ainda bem&#8230; Meio a tantas coisas maravilhosas que ela fazia eu me enchia de encantamento, meus olhos brilhavam e me convenciam das coisas lindas que aconteciam quando a gente faz arte.<\/span><\/i><\/p>\n<p><b>De onde vem a sua inspira\u00e7\u00e3o?<\/b><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Do cotidiano. Fa\u00e7o da arte a lida de todo dia. Ela est\u00e1 dentro de mim e eu a vejo nas pessoas o tempo todo. Eu gosto de pessoas, eu adoro pessoas. Adoro conversar, conhecer seus universos, aprender o que cada um tem dentro de si. Por isso digo que a minha arte \u00e9 a do cotidiano, ali, do dia a dia&#8230;<\/span><\/i><\/p>\n<p><b>E as influ\u00eancias? E o que tem te encantado em arte?<\/b><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Bom, al\u00e9m do meu dia a dia, da vida, de tudo que acontece ao meu lado (risos), eu gosto muito de Picasso, Rodin, Portinari&#8230; Guaglia, Fernando Pacheco, S\u00e9rgio Machado&#8230; Gosto muito de v\u00e1rios artistas brasileiros&#8230; Eu admiro demais tamb\u00e9m o trabalho da Shirley Paes Leme&#8230; S\u00e3o muitos, mas mexe muito comigo, de forma especial, o trabalho de Bispo do Ros\u00e1rio.<\/span><\/i><\/p>\n<p><b>Voc\u00ea destaca algum momento importante na sua carreira?<\/b><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Como? Todos os momentos s\u00e3o importantes, s\u00e3o encontros preciosos. O hoje \u00e9 sempre o mais importante.<\/span><\/i><\/p>\n<p><b>Voc\u00ea fala muito do seu fazer cotidiano e tem viajado bastante, como isso afeta a sua obra?<\/b><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Com certeza minhas viagens, minhas exposi\u00e7\u00f5es no exterior afetam o meu trabalho&#8230; Mas tamb\u00e9m afetam meu cotidiano no sentido de tamb\u00e9m fazerem parte de uma rotina. N\u00e3o h\u00e1 essa ideia de rotina apegada a um lugar. \u00c9 onde eu vejo tudo que conta na minha obra. Ent\u00e3o as viagens influenciam muito. Por exemplo, quando eu fiz a resid\u00eancia em Cerveira estava no auge de toda aquela pol\u00eamica da imigra\u00e7\u00e3o na Europa&#8230; Todas aquelas hist\u00f3rias, as pessoas morrendo, aquela dificuldade toda, como o caso daquele m\u00e9dico que tinha dez crian\u00e7as \u00e0 bordo de um barco e ele pedindo socorro, socorro, e ningu\u00e9m fez nada&#8230; Ent\u00e3o influencia&#8230; Minhas obras que fiz naquele per\u00edodo abordaram esse tema da imigra\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m os sentimentos humanos que vem com ela, os posicionamentos&#8230; Depois, fiz tamb\u00e9m uma exposi\u00e7\u00e3o na Fran\u00e7a, em Montreuil, onde acabei trabalhando com refugiados. Ent\u00e3o, como voc\u00ea v\u00ea, meu dia a dia \u00e9 inquieto (risos).<\/span><\/i><\/p>\n<p><b>Fale sobre a sua t\u00e9cnica.<\/b><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Minha t\u00e9cnica \u00e9 assemblage (<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">colagens com objetos e materiais tridimensionais<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">), mas estou sempre misturando com alguma coisa que vejo da arte contempor\u00e2nea pelo mundo. Ent\u00e3o ela est\u00e1 meio que em muta\u00e7\u00e3o, sempre trago algo novo. E como gosto de trabalhar com den\u00fancias, por exemplo como a minha obra em que denuncio a antecipa\u00e7\u00e3o do mundo adulto na vida das crian\u00e7as&#8230; Acho que a t\u00e9cnica tamb\u00e9m \u00e9 a den\u00fancia. Eu quero que as pessoas saibam de onde eu vim, o que estou fazendo, qual a minha obriga\u00e7\u00e3o&#8230; A t\u00e9cnica aponta para o trabalho e para o que n\u00f3s somos.<\/span><\/i><\/p>\n<p><b>E os desafios de se fazer arte no Brasil?<\/b><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Os desafios da arte brasileira s\u00e3o muitos. Se for enumerar eu vou ficar aqui dois ou tr\u00eas dias&#8230; Porque infelizmente n\u00f3s n\u00e3o temos apoio. Temos que nos fazer por n\u00f3s mesmos, investir de uma forma que nos fa\u00e7a respeitar o tempo todo. \u00c9 sempre uma luta maior do que a que vejo em outros pa\u00edses. Aqui ainda lutamos por um lugar. N\u00e3o tem nada que possa facilitar ao artista mostrar seu trabalho. A reflex\u00e3o sobre o pa\u00eds, sobre a sua cidade \u00e9 um trabalho muito importante que o artista faz e, no entanto, n\u00e3o temos este espa\u00e7o se n\u00e3o estivermos sempre brigando por ele. Ent\u00e3o de todos os desafios, eu destaco o respeito. Sermos respeitados e termos voz, que possamos ser ouvidos, esse \u00e9 o maior desafio.<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Texto\/Van: Daniela Mendes<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A artista pl\u00e1stica Z\u00e9lia Mendon\u00e7a participa da XIX Bienal de Cerveira, em Portugal, e revela suas influ\u00eancias e motiva\u00e7\u00f5es. Z\u00e9lia Mendon\u00e7a n\u00e3o esconde que deseja aquecer o mundo com cores<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":6843,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"cybocfi_hide_featured_image":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-6841","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6841","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6841"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6841\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6847,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6841\/revisions\/6847"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6843"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6841"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6841"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6841"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}