{"id":6355,"date":"2017-05-07T12:18:23","date_gmt":"2017-05-07T15:18:23","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=6355"},"modified":"2017-05-07T14:27:50","modified_gmt":"2017-05-07T17:27:50","slug":"entrevista-com-re-martelli-a-primeira-tatuadora-mulher-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/entrevista-com-re-martelli-a-primeira-tatuadora-mulher-do-brasil\/","title":{"rendered":"Entrevista com Re Martelli, a primeira tatuadora mulher do Brasil"},"content":{"rendered":"<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Em evento que reuniu v\u00e1rias tatuadoras mulheres da regi\u00e3o, a convidada Re Martelli concedeu \u00e0 VAN uma entrevista sobre sua vida e carreira<\/span><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_6357\" aria-describedby=\"caption-attachment-6357\" style=\"width: 3395px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Foto-Sagner-Alves..jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6357\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Foto-Sagner-Alves..jpg\" alt=\"Foto: Sagner Alves\" width=\"3395\" height=\"2248\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Foto-Sagner-Alves..jpg 3395w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Foto-Sagner-Alves.-300x199.jpg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Foto-Sagner-Alves.-768x509.jpg 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Foto-Sagner-Alves.-1024x678.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 3395px) 100vw, 3395px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-6357\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Sagner Alves<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Renan Morais Martelli \u00e9 veterin\u00e1ria e tamb\u00e9m uma super veterana no ramo das tatuagens. Sendo a primeira mulher a exercer a profiss\u00e3o de tatuadora no Brasil, ela faz parte do corpo docente da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Angel\u2019s Tattoo School<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, importante escola em Campinas que oferece n\u00e3o s\u00f3 cursos profissionalizantes em tatuagem, como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">bodypiercing<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> e outros. Re Martelli tatua h\u00e1 19 anos e participou do primeiro encontro de mulheres tatuadoras em Tiradentes, onde nos concedeu uma entrevista especial. <\/span><\/p>\n<p><b>Quando voc\u00ea percebeu que queria entrar no ramo de tatuagens, que at\u00e9 ent\u00e3o era dominado s\u00f3 por homens? <\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eu j\u00e1 pintava quadros desde os meus 12 anos de idade, a\u00ed eu tentava vend\u00ea-los numa feira <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">hippie<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> que tem l\u00e1 em Campinas, mas demorava muito pra vender um quadro. Eu comecei a reparar que, infelizmente, n\u00e3o \u00e9 toda arte que \u00e9 valorizada no Brasil. Aqui a tatuagem \u00e9 uma das poucas artes valorizadas, onde voc\u00ea consegue viver de arte. Ent\u00e3o eu fui fazer uma tatuagem pequena em um est\u00fadio, coisa de 15 minutos, o tatuador fez o desenho e conseguiu colocar aquela arte pra sempre na minha pele. Isso me encantou demais, eu falei que queria me tornar tatuadora, a\u00ed minha av\u00f3 e minha m\u00e3e me deram um kit e eu acabei entrando pro mundo da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">tattoo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> assim. <\/span><\/p>\n<p><b>Qual foi a maior dificuldade que j\u00e1 enfrentou enquanto tatuadora? <\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ah, com certeza o preconceito n\u00e9. Quando comecei tatuar, nenhum tatuador dava dica de nada. N\u00e3o me deixavam ficar no est\u00fadio olhando eles tatuarem, nada. Eu pedia, \u00e0s vezes, pra ser faxineira do est\u00fadio, eu falava \u201ceu fa\u00e7o a faxina, a\u00ed no final quero aprender a tatuar\u201d, mas n\u00e3o, de jeito nenhum. Eles n\u00e3o falavam onde se compra material, n\u00e3o falavam nada. Eles vendiam assim, gota de tinta sabe, tipo voc\u00ea ia com o batoque\u00b9 l\u00e1, eles enchiam seu batoque pra voc\u00ea ir embora. Tanto que veio um kit l\u00e1, s\u00f3 com duas agulhas soldadas, eu acabei aprendendo a tatuar s\u00f3 com aqueles modelos de agulhas, eu nem sabia que exisitiam outros modelos. Ent\u00e3o eu achei que foi muito preconceito mesmo. Quando eu comecei a tatuar bem, alguns est\u00fadios de tatuagens queriam me contratar pra eu ganhar 20% do que eu fazia, enquanto os homens ganhavam 40. Desde o in\u00edcio eu sempre tive meu est\u00fadio, e a\u00ed depois continuei tendo est\u00fadio em sociedade com uma amiga minha, a Fabiana. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00b9<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Pequeno recipiente para depositar a tinta de tatuagem.<\/span><\/i><\/p>\n<p><b>Voc\u00ea j\u00e1 sofreu ass\u00e9dio no trabalho? <\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o, nunca sofri ass\u00e9dio, ou pelo menos n\u00e3o me lembro de um caso espec\u00edfico. Foi mais preconceito mesmo. Eles n\u00e3o queriam me deixar entrar no ramo j\u00e1 que eu conquistava um mercado muito f\u00e1cil. Porque aquela mulher que queria tatuar a virilha ou aquele homem ciumento que n\u00e3o queria que nenhum outro homem colocasse a m\u00e3o na mulher dele, todos vinham pra mim, viravam meus clientes muito f\u00e1cil. O respeito dos clientes veio bem mais r\u00e1pido, \u00e9 l\u00f3gico que a gente percebe que, at\u00e9 hoje, tem gente que n\u00e3o quer ser tatuado por mulher, por incr\u00edvel que pare\u00e7a. Acham que um homem, sendo mais m\u00e1sculo, estaria mais apto aquela fun\u00e7\u00e3o. \u00a0A\u00ed eles perguntam \u201cn\u00e3o tem nenhum homem no seu est\u00fadio?\u201d A\u00ed respondo que sim, porque somos sete mulheres e dois homens. <\/span><\/p>\n<p><b>Vejo que voc\u00ea tem muitas tatuagens, \u00e9 voc\u00ea mesmo que se tatua ou voc\u00ea prefere que outra pessoa fa\u00e7a isso?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na verdade, como temos a \u00fanica escola de tatuagem e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">bodypiercing<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> do Brasil com certifica\u00e7\u00e3o v\u00e1lida, todas as minhas tatuagens s\u00e3o de alunos. Tenho 67 tatuagens todas feitas por alunos. A primeira tatuagem de cada aluno. Hoje eu n\u00e3o tenho de todos os alunos porque a gente j\u00e1 tem mais de 700 alunos, mas onde foi tendo espa\u00e7o eu fui deixando eles tatuarem. <\/span><\/p>\n<p><b>Voc\u00ea consegue descrever uma tatuagem, um trabalho que fez e mais te marcou?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eu acho que as tatuagens que mais marcam s\u00e3o aquelas que tem hist\u00f3ria por tr\u00e1s. \u00c0s vezes uma pessoa vai fazer uma frase porque lembrou da av\u00f3, que faleceu. H\u00e1 um m\u00eas eu tatuei uma frase que marcou bastante, foi uma aluna minha que quis tatuar um poema que a av\u00f3 dela escreveu pra ela tr\u00eas dias antes de falecer, ent\u00e3o aquilo me tocou muito, at\u00e9 porque eu tamb\u00e9m havia perdido minha av\u00f3 a pouco tempo, e \u00e9 uma coisa que voc\u00ea sente que tem sentimento envolvido. S\u00e3o as que mais marcam.<\/span><\/p>\n<p><b>Quais s\u00e3o as maiores diferen\u00e7as entre quando voc\u00ea come\u00e7ou no universo da tatuagem e hoje em dia? <\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As diferen\u00e7as variam desde os tipos de trabalho mais solicitados, at\u00e9 o tipo de material que a gente utiliza. Ent\u00e3o a \u00e9poca que comecei a tatuar era muito tribal, muito golfinho, muita ilha. Hoje \u00e9 mais aquarela, eu acho que tem muito mais arte envolvida na tatuagem. As t\u00e9cnicas mudaram muito, foram se aprimorando, os trabalhos tamb\u00e9m, e assim, tatuagem \u00e9 de \u00e9pocas n\u00e9, uma \u00e9poca \u00e9 o pontilhismo que est\u00e1 em moda, em outra \u00e9 aquarelado. Mas eu vejo cada vez mais a arte sendo inserida no mundo da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">tattoo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Em quest\u00e3o de materiais, quando comecei, n\u00e3o existia nada com registro da Anvisa, as tintas a gente importava ou comprava de fabrica\u00e7\u00e3o caseira. Hoje existem f\u00e1bricas, j\u00e1 existem 6 marcas com registro da Anvisa no Brasil, ent\u00e3o todas essas marcas podem ser comercializadas, as agulhas j\u00e1 vem esterilizadas, a gente n\u00e3o precisa mais soldar agulha. Mudou muito, facilitou muito pro tatuador, e ao mesmo tempo cresceu muito a arte dentro da tatuagem. <\/span><\/p>\n<p><b>Qual o diferencial e a import\u00e2ncia da mulher no universo da tatuagem?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eu acho que a mulher tem que ter espa\u00e7o em qualquer lugar da sociedade e n\u00e3o acho que homens e mulheres s\u00e3o cem por cento iguais. Tudo na gente \u00e9 diferente, ent\u00e3o eu acho que homens e mulheres se completam, seja no trabalho ou em qualquer lugar. E eu acho que o papel da mulher na tatuagem \u00e9 trazer essa leveza de sentimentos que elas podem transcender pra um papel, pra uma pele. Quando eu digo leveza eu quero dizer que a mulher \u00e9 mais sens\u00edvel que o homem, ent\u00e3o nos trabalhos eu vejo muito mais sentimento e express\u00e3o quando \u00e9 uma mulher tatuando. Mas isso \u00e9 uma opini\u00e3o minha. <\/span><\/p>\n<p><b>Quais conselhos voc\u00ea daria para os jovens tatuadores e tamb\u00e9m aqueles que querem se tornar tatuadores? <\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eu acho que primeira coisa, qualquer um que se interesse por qualquer \u00e1rea, tem que procurar um bom profissional e fazer um bom curso. Para tatuagem, aprender principalmente sobre anatomia e fisiologia da pele e biosseguran\u00e7a, porque n\u00e3o adianta desenhar bem se eu n\u00e3o sei o que \u00e9 epiderme ou se eu n\u00e3o sei a composi\u00e7\u00e3o da pele. Tatuagem mexe muito com sa\u00fade, por isso eu aconselho que procurem um bom curso pra a\u00ed sim fazer da tatuagem uma profiss\u00e3o e n\u00e3o um hobby. Ent\u00e3o meu conselho pra quem est\u00e1 come\u00e7ando agora \u00e9 estudar sempre e se aprimorar com responsabilidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Texto\/VAN: Sagner Alves<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_6356\" aria-describedby=\"caption-attachment-6356\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Foto-do-site-oficial-da-escola.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6356\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Foto-do-site-oficial-da-escola.jpg\" alt=\"Foto do site oficial da escola\" width=\"800\" height=\"533\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Foto-do-site-oficial-da-escola.jpg 800w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Foto-do-site-oficial-da-escola-300x200.jpg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Foto-do-site-oficial-da-escola-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-6356\" class=\"wp-caption-text\">Foto do site oficial da escola<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em evento que reuniu v\u00e1rias tatuadoras mulheres da regi\u00e3o, a convidada Re Martelli concedeu \u00e0 VAN uma entrevista sobre sua vida e carreira &nbsp; &nbsp; Renan Morais Martelli \u00e9 veterin\u00e1ria<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":6358,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"cybocfi_hide_featured_image":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-6355","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6355","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6355"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6355\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6360,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6355\/revisions\/6360"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6358"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6355"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6355"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6355"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}