{"id":593,"date":"2013-08-13T01:20:00","date_gmt":"2013-08-13T01:20:00","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=593"},"modified":"2013-08-13T01:20:00","modified_gmt":"2013-08-13T01:20:00","slug":"lancamento-de-holocausto-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/lancamento-de-holocausto-brasileiro\/","title":{"rendered":"Lan\u00e7amento de \u201cHolocausto Brasileiro\u201d resgata o triste passado de Barbacena"},"content":{"rendered":"<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\">\n<a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-PLfZL5k58vY\/UgmJxOTg5AI\/AAAAAAAACIU\/OAca80ZfXSY\/s1600\/BARBACENA.png\" imageanchor=\"1\" style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"305\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-PLfZL5k58vY\/UgmJxOTg5AI\/AAAAAAAACIU\/OAca80ZfXSY\/s400\/BARBACENA.png\" width=\"400\" \/><\/a><\/div>\n<p>\nNa pr\u00f3xima quarta-feira, 14, Barbacena completar\u00e1 222 anos. Dentre os eventos para a comemora\u00e7\u00e3o da data, ser\u00e1 destacado o lan\u00e7amento do livro \u201cHolocausto Brasileiro\u201d, que relata o triste passado da cidade, sede do maior hospital psiqui\u00e1trico brasileiro no s\u00e9culo XX, o que tornou Barbacena conhecida como \u201cCidade dos Loucos\u201d.&nbsp;<\/p>\n<p>O Hospital Col\u00f4nia foi fundado em 1903, ap\u00f3s a fria cidade da Zona da Mata ter sido rejeitada como capital do Estado. Inicialmente, pretendia-se que fosse uma institui\u00e7\u00e3o que acolhesse portadores de doen\u00e7as mentais, entretanto esse cen\u00e1rio logo se transformou. Eram internadas pessoas de diversas localidades, sendo que muitas delas chegavam \u00e0 cidade em trens de carga.&nbsp;<\/p>\n<p>Muitos moradores antigos da cidade que vivenciaram esse momento hist\u00f3rico, descrevem como desolados e perdidos os rostos dos internos que chegavam \u00e0 Esta\u00e7\u00e3o Ferrovi\u00e1ria. Hoje h\u00e1 a estimativa de que 70% dos pacientes n\u00e3o sofriam de doen\u00e7as psiqui\u00e1tricas, mas eram internados por serem prostitutas, homossexuais, epil\u00e9ticos, alco\u00f3latras ou, simplesmente, por serem t\u00edmidos. Muitos internos eram mulheres que sofreram estupro ou engravidaram antes do casamento, assim como pessoas de outros grupos sociais rejeitados pela sociedade da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Escrito pela jornalista Daniela Arbex, \u201cHolocausto Brasileiro\u201d descreve as atrocidades financiadas pelo Estado, bem como silenciadas pela popula\u00e7\u00e3o, por m\u00e9dicos e funcion\u00e1rios. Muitas vezes abandonados pela pr\u00f3pria fam\u00edlia, pacientes eram enjaulados, andavam nus pelos p\u00e1tios e eram \u201ctratados\u201d com o chamado eletrochoque. Em um \u00fanico dia, chegavam a morrer at\u00e9 16 internos.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o barbacenense tem se mostrado interessada em participar do lan\u00e7amento do livro. Esse \u00e9 o caso de F\u00e1tima Motta, t\u00e9cnica de enfermagem na Funda\u00e7\u00e3o Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG), e moradora de Barbacena. Ela diz que, apesar de conhecer parte da hist\u00f3ria sobre o Hospital Col\u00f4nia, n\u00e3o tinha no\u00e7\u00e3o da gravidade e dos n\u00fameros apresentados no livro.&nbsp;<\/p>\n<p>Maria do Ros\u00e1rio da Costa, tamb\u00e9m barbacenense, conta que se interessou pela hist\u00f3ria do passado da cidade, e deseja ler o livro. Ela ainda complementa que n\u00e3o concorda com o fato de Barbacena ser conhecida como \u201cCidade dos Loucos\u201d, pois, segundo ela, \u00e9 uma esp\u00e9cie de brincadeira com um fato s\u00e9rio e perturbador.<\/p>\n<p>Paulo Baeta, policial militar, afirma que cresceu ouvindo boatos negativos sobre o \u201chosp\u00edcio\u201d &#8211; como eram chamados os hospitais psiqui\u00e1tricos na \u00e9poca. Para o policial, a obra da jornalista Daniela Arbex \u00e9 de extrema import\u00e2ncia cultural e desvenda a autenticidade dos tais boatos. Nascido em Barbacena, ele n\u00e3o se orgulha desse passado obscuro da atualmente conhecida como \u201cCidade das Flores\u201d.<\/p>\n<p>O livro resgata a hist\u00f3ria do Hospital Col\u00f4nia, em Barbacena, apresentando a estimativa de 60 mil pacientes mortos no per\u00edodo de 1903 a 1980, quando iniciou-se a reforma psiqui\u00e1trica no Brasil. O lan\u00e7amento acontecer\u00e1 na pr\u00f3xima ter\u00e7a-feira, 13, \u00e0s 20 horas, no Museu da Loucura, na FHEMIG.<\/p>\n<div>\n<\/div>\n<div>\nVAN\/ Kellen Lanna; Vin\u00edcius Costa; Mariane Motta<\/div>\n<div>\nFoto: Reprodu\u00e7\u00e3o VAN<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na pr\u00f3xima quarta-feira, 14, Barbacena completar\u00e1 222 anos. 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