{"id":5662,"date":"2016-11-11T14:37:06","date_gmt":"2016-11-11T16:37:06","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=5662"},"modified":"2016-11-11T14:37:06","modified_gmt":"2016-11-11T16:37:06","slug":"os-novos-trens-de-minas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/os-novos-trens-de-minas\/","title":{"rendered":"Os novos trens de Minas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><i>Associa\u00e7\u00e3o em Lavras entrega trecho restaurado de linha ferrovi\u00e1ria at\u00e9 o fim do ano<\/i><\/p>\n<p>\u00a0Um dos maiores \u00edcones de Minas Gerais sempre foi, e continua sendo, o trem de ferro. O transporte ferrovi\u00e1rio teve, ao longo da hist\u00f3ria mineira, a fun\u00e7\u00e3o principal de levar nossas riquezas at\u00e9 portos no Oceano Atl\u00e2ntico, principalmente os da Bahia. Mas n\u00e3o era s\u00f3 de com\u00e9rcio que o trem sobrevivia: entre viagens tur\u00edsticas e mudan\u00e7as definitivas de endere\u00e7o, o trem marcou toda uma gera\u00e7\u00e3o, \u00a0que via nele seu projeto de vida, seus encontros e despedidas rotineiros.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5663\" aria-describedby=\"caption-attachment-5663\" style=\"width: 680px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5663\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/105-Esta\u00e7\u00e3o-de-Lavras-d\u00e9cada-de-1940.jpg\" alt=\"Esta\u00e7\u00e3o de Lavras, d\u00e9cada de 1940.\" width=\"680\" height=\"358\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/105-Esta\u00e7\u00e3o-de-Lavras-d\u00e9cada-de-1940.jpg 680w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/105-Esta\u00e7\u00e3o-de-Lavras-d\u00e9cada-de-1940-300x158.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5663\" class=\"wp-caption-text\">Esta\u00e7\u00e3o de Lavras, d\u00e9cada de 1940.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Entre as principais linhas de Minas Gerais, estava a estrada de ferro Bahia e Minas (EFBM), inaugurada em 1881, ap\u00f3s san\u00e7\u00e3o da Lei Imperial, levando madeira e caf\u00e9 ao o porto em Caravelas (BA) at\u00e9 1966, quando foi extinta.<\/p>\n<p>O aposentado Jos\u00e9 Muniz, nascido em Ladainha, hoje residente em Lavras e funcion\u00e1rio durante mais de uma d\u00e9cada da EFBM, conta que na \u00e9poca os trabalhadores se consideravam uma fam\u00edlia, pois foram muitos anos juntos. \u201cSe o trem voltasse ia ser bom. Hoje temos que tolerar o carro, muita gasolina, muita fuma\u00e7a dentro da cidade. O trem deixou saudade\u201d, \u00a0afirma, pensativo.<\/p>\n<p>Conterr\u00e2neo de Muniz e colega de trabalho, Arysbure Batista Eleut\u00e9rio escreveu em seu livro, E<i>strada de Ferro Bahia e Minas \u2013 A ferrovia do adeus (1991)<\/i>, uma descri\u00e7\u00e3o de toda a constru\u00e7\u00e3o da via f\u00e9rrea de 600 quil\u00f4metros, suas dificuldades e acertos, afirmando que a extin\u00e7\u00e3o do trem s\u00f3 trouxe pobreza. \u201cA estrada era um projeto local, express\u00e3o localizada de movimento comercial e desenvolvimento. A rodovia asfaltada subordina periferia a centros, ordena e hierarquiza. A primeira foi express\u00e3o de riqueza; a segunda, s\u00f3 nos deixa pensar em mis\u00e9ria\u201d, afirma o autor.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5664\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/64e.jpg\" alt=\"64e\" width=\"1270\" height=\"836\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/64e.jpg 1270w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/64e-300x197.jpg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/64e-768x506.jpg 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/64e-1024x674.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 1270px) 100vw, 1270px\" \/><\/p>\n<p><b>Campo das Vertentes em trilhos<\/b><\/p>\n<p>No Campo das Vertentes, a linha de trem de passageiros e cargas que ligava Lavras a Tr\u00eas Cora\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m teve in\u00edcio no s\u00e9culo XVIII. A iniciativa partiu do \u00a0Bar\u00e3o de Mau\u00e1 e D. Pedro II e tinha aproximadamente 20 trens em funcionamento. Por\u00e9m, ap\u00f3s a privatiza\u00e7\u00e3o do sistema ferrovi\u00e1rio e consequente sucateamento de todas as linhas, o abandono das esta\u00e7\u00f5es e trens, que outrora eram imprescind\u00edveis para desenvolvimento das cidades, foi inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>E foi como tentativa de restaura\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o dessa hist\u00f3ria que surgiu a Associa\u00e7\u00e3o do Circuito Ferrovi\u00e1rio Vale Verde (ACFVV), que est\u00e1 fazendo o reparo dos trilhos e preparando a reativa\u00e7\u00e3o da linha. \u201cElas [as empresas privadas] escolheram o que queriam usar, e aquilo que n\u00e3o queriam foi abandonado, apodrecendo pa\u00eds afora: esta\u00e7\u00f5es, p\u00e1tios, equipamentos, locomotivas, vag\u00f5es, carros de passageiros, ferramentas e m\u00f3veis que foram perdidos para sempre\u201d, afirma C\u00e9sar Mori, presidente da Associa\u00e7\u00e3o e um dos respons\u00e1veis pelo processo de reconstru\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio perdido.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5665\" aria-describedby=\"caption-attachment-5665\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5665\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Mais-uma-foto-da-RMV-233-em-Lavras-MG-feita-em-1998.-FOTO_-Observat\u00f3rio-de-Lavras-300x197.jpg\" alt=\"RMV 233 , em Lavras - MG , 1998. 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O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) j\u00e1 \u00a0autorizou a realiza\u00e7\u00e3o do processo. O intuito n\u00e3o \u00e9 somente a restaura\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m n\u00e3o desperdi\u00e7ar o dinheiro que j\u00e1 foi gasto. \u201cO patrim\u00f4nio est\u00e1 sendo ocupado, o povo volta a usar o trem aqui na regi\u00e3o, o com\u00e9rcio em torno do trem melhora, as cidades se desenvolvem no eixo do trem, melhora a qualidade de vida das pessoas em fun\u00e7\u00e3o do projeto\u201d, afirma Mori.<\/p>\n<p>A estudante Helena Muniz acredita que essa linha vai ajudar na economia de Lavras, al\u00e9m de dar mais uma oportunidade de lazer \u00e0 popula\u00e7\u00e3o das cidades pelas quais a linha passar\u00e1. \u201cMuitas pessoas v\u00e3o sentir vontade de conhecer o passeio e levar amigos e fam\u00edlia, porque \u00e9 um trajeto bonito. E, mesmo que a taxa seja simb\u00f3lica, esse dinheiro vai ajudando a restaurar mais e mais esta\u00e7\u00f5es e linhas\u201d, avalia.<\/p>\n<p>\u201cPonta de areia, ponto final\/ Da Bahia-Minas estrada natural\/ Que ligava Minas ao porto, ao mar\/ Caminho de ferro mandaram arrancar\u201d. A m\u00fasica <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=_CmItBar3to\">Ponta de Areia<\/a>, de Milton Nascimento, nos conta da Maria Fuma\u00e7a que trazia alegria ao povo mineiro, que trouxe, por tanto tempo, a vida por essas terras e que hoje n\u00e3o passa de uma \u201cpra\u00e7a vazia\u201d. A hist\u00f3ria do trem dentro do estado se entrela\u00e7a com a hist\u00f3ria social e cultural mineira e simbolicamente \u00e9 gratificante pensar que, ao resgatar uma, estamos, concomitantemente, resgatando a outra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>TEXTO\/VAN: Talita Tonso<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como tentativa de restaura\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria dos trens no Campo das Vertentes surge Associa\u00e7\u00e3o do Circuito Ferrovi\u00e1rio Vale Verde (ACFVV), que est\u00e1 fazendo o reparo dos trilhos e preparando a reativa\u00e7\u00e3o da linha que liga Lavras a Tr\u00eas Cora\u00e7\u00f5es. Conhe\u00e7a:<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":5664,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"cybocfi_hide_featured_image":"","footnotes":""},"categories":[17,13,25],"tags":[],"class_list":["post-5662","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cidade","category-cultura","category-lavras"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5662","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5662"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5662\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5667,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5662\/revisions\/5667"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5664"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5662"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5662"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5662"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}