{"id":5597,"date":"2016-10-30T16:43:08","date_gmt":"2016-10-30T18:43:08","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=5597"},"modified":"2016-10-30T16:43:08","modified_gmt":"2016-10-30T18:43:08","slug":"doces-ou-travessuras","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/doces-ou-travessuras\/","title":{"rendered":"Doces ou travessuras?"},"content":{"rendered":"<p>Nunca fui apegada aos costumes do Halloween. Pode ser que tenha alguma rela\u00e7\u00e3o com a minha cria\u00e7\u00e3o. Minha fam\u00edlia, sempre muito religiosa, associava a tradi\u00e7\u00e3o estadunidense com coisas ruins. Eu simplesmente n\u00e3o me importava.<\/p>\n<p>Lembro de ter sempre festinhas produzidas por algumas escolas, e tamb\u00e9m me recordo de sempre ficar de fora delas. Halloween era um daqueles dias que passavam batido no meu calend\u00e1rio.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5599\" aria-describedby=\"caption-attachment-5599\" style=\"width: 420px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-5599\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/maedomeujeito-234x300.jpg\" alt=\"FOTO: Site M\u00e3e do Meu Jeito\" width=\"420\" height=\"538\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5599\" class=\"wp-caption-text\">FOTO: Site M\u00e3e do Meu Jeito<\/figcaption><\/figure>\n<p>Uma vez, estudei em uma escola no ensino fundamental que promovia um projeto chamado Cultura Brasileira. N\u00f3s estud\u00e1vamos, entre outras coisas, como surgiu essa variedade t\u00e3o grande que podemos chamar de NOSSA cultura. O folclore, com toda certeza, era uma das partes mais legais de ser estudadas. Nessa escola, o Halloween nunca tinha vez. J\u00e1 o Saci Perer\u00ea, Boto cor de Rosa, Iara&#8230;<\/p>\n<p>Eu era a amante do projeto. Estava em todas as apresenta\u00e7\u00f5es, e minha maior frustra\u00e7\u00e3o aos 11 anos, foi n\u00e3o ter sido a Iara na pe\u00e7a da escola. Hoje, pensando na pr\u00f3xima festa do Halloween que fui convidada, paro para refletir onde foi parar o meu eu que adorava saber das lendas brasileiras. E o porqu\u00ea me deixo levar pelas as introdu\u00e7\u00f5es de outras culturas no meu pa\u00eds.<\/p>\n<p>N\u00e3o me lembrava que exatamente no dia 31 de outubro, al\u00e9m do Dia das Bruxas, tamb\u00e9m comemora o dia do Saci Perer\u00ea. O nosso Saci. Muita gente nem sequer sabe disso. O Halloween \u00e9 t\u00e3o difundido no nosso imagin\u00e1rio, que se torna muito mais comum comemor\u00e1-lo do que apreciar algo que seja propriamente brasileiro.<\/p>\n<p>O dia do Saci, \u00e9 apenas figurativo. Dia 31 de Outubro foi intitulado como dia nacional do folclore brasileiro, personalizado pela figura do nosso amiguinho de uma perna. Foi definido como uma forma de resist\u00eancia \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o da cultura estadunidense. Mas, quanto mais o tempo passa, menos as pessoas falam sobre isso.<\/p>\n<p>\u00c9 legal se fantasiar e curtir toda a monstruosa brincadeira do Halloween, e a bagagem hist\u00f3rica cultural que ele traz tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 de se jogar fora. Mas, por que n\u00e3o falamos sobre o folclore? Por que, assim que crescemos, deixamos de lado a nossa admira\u00e7\u00e3o pelas lendas brasileiras?<\/p>\n<p>Existe uma certa exalta\u00e7\u00e3o dos movimentos que s\u00e3o estrangeiros, principalmente se for norte-americano. Nos anos 1930, no per\u00edodo entre guerras, os E.U.A. promoveu uma pol\u00edtica de boa vizinhan\u00e7a adotando nos pa\u00edses o <i>American Way of Life. &#8211; <\/i>Modo de vida americano, e por americano, entende-se estadunidense. Por\u00e9m, qual a rela\u00e7\u00e3o disso com o Halloween? O Brasil, foi um desses pa\u00edses que introduziu cada ano mais os costumes do Tio Sam. Desde o modo de vestir at\u00e9 a cultura local. O Halloween est\u00e1 presente nisso. Com o tempo, ficou cada vez mais dif\u00edcil definir o que \u00e9 brasileiro e o que n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p>Falta muito ainda para o Brasil valorizar a sua cultura. Talvez, minha escola fosse essa rara exce\u00e7\u00e3o das escolas p\u00fablicas que promoviam um debate pedag\u00f3gico sobre o assunto. Ou talvez, essa discuss\u00e3o s\u00f3 ressurge porque eu ainda levo a frustra\u00e7\u00e3o de n\u00e3o ter sido a Iara com 11 anos&#8230; Mas, o importante \u00e9 saber que para al\u00e9m das fantasias do Halloween, e dos &#8221; Doces ou travessuras?!&#8221;, h\u00e1 uma resist\u00eancia cultural. H\u00e1 uma linha t\u00eanue, na importa\u00e7\u00e3o dos \u00a0costumes, entre apreci\u00e1-los \u00e0 torn\u00e1-los comuns.<\/p>\n<p>Crescemos. E o folclore foi parar na gaveta com as lembran\u00e7as da inf\u00e2ncia. J\u00e1 o Halloween virou o tema das festas mais cobi\u00e7adas do m\u00eas de outubro. Admiramos a cultura alheia; esquecemos da nossa. \u00a0No entanto, o dia 31 \u00e9 tudo isso. \u00c9 o Dia das Bruxas, \u00e9 o dia do Saci, \u00e9 o dia para, acima de qualquer coisa, respeitar todas as culturas. E se divertir!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>T<\/b><b>EXTO\/VAN:<\/b> Beatriz Estima<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea sabia que amanh\u00e3 (31), al\u00e9m do dia das Bruxas, \u00e9 dia do Saci? Leia:<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":5599,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"cybocfi_hide_featured_image":"","footnotes":""},"categories":[10,13,6,7,5,8],"tags":[515,619,514,620],"class_list":["post-5597","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cronica","category-cultura","category-microrregiao-de-barbacena","category-microrregiao-de-lavras","category-microrregiao-de-sao-joao-del-rei","category-variedades","tag-cultura-brasileira","tag-dia-do-saci","tag-folclore","tag-halloween"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5597","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5597"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5597\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5602,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5597\/revisions\/5602"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5599"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5597"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5597"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5597"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}