{"id":4823,"date":"2016-07-10T09:00:17","date_gmt":"2016-07-10T12:00:17","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=4823"},"modified":"2016-07-10T09:05:27","modified_gmt":"2016-07-10T12:05:27","slug":"ela-existe-ela-resiste","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/ela-existe-ela-resiste\/","title":{"rendered":"Ela existe, ela resiste"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em>Caroline sempre soube quem era. Sempre soube de sua identidade.<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_4816\" aria-describedby=\"caption-attachment-4816\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4816\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/perfil-caroline.png\" alt=\"ARTE\/VAN: Laila Zin\" width=\"1200\" height=\"627\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/perfil-caroline.png 1200w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/perfil-caroline-300x157.png 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/perfil-caroline-768x401.png 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/perfil-caroline-1024x535.png 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4816\" class=\"wp-caption-text\">ARTE\/VAN: Laila Zin<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Caroline Andrade, 21 anos, nascida em Te\u00f3filo Otoni, transexual. N\u00e3o se resume a ser o que se espera de voc\u00ea, mas a ser quem realmente \u00e9. Caroline via-se tratada como homem, via-se for\u00e7ada a ser um, mas n\u00e3o era. Caroline n\u00e3o \u00e9. Quando crian\u00e7a, sempre foi sonhadora, vivia envolta em livros, fantasias e contos. Mesmo que t\u00edmida, havia sempre espontaneidade e humor em seus tra\u00e7os, caracter\u00edsticas com as quais tentava contornar a inseguran\u00e7a. A d\u00favida, por\u00e9m, era fator constante.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Durante sua inf\u00e2ncia, vivia no limiar, pois tinha certeza que um dia tudo aquilo teria de ser deixado para tr\u00e1s. Um medo do desconhecido. Durante esse tempo, Caroline sentia-se inquieta, um tanto pela transexualidade, outro por quest\u00f5es relacionadas ao desconforto de se viver no interior de Minas Gerais, em uma casa com uma fam\u00edlia essencialmente evang\u00e9lica. At\u00e9 mesmo adolescentes e crian\u00e7as de sua cidade natal faziam piadas e apontavam quando ela andava pela rua. \u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O processo de aceita\u00e7\u00e3o por parte de sua fam\u00edlia foi complicado e, at\u00e9 hoje, h\u00e1 problemas. Os pais amea\u00e7aram expuls\u00e1-la de casa no in\u00edcio, as discuss\u00f5es e brigas eram frequentes. Ap\u00f3s uma s\u00e9rie de eventos transf\u00f3bicos, Caroline resolveu exp\u00f4-los nas redes sociais e, nesse momento, as coisas pioraram. Seus pais a impediram de usar o computador novamente, meio com o qual ela trabalhava e, ent\u00e3o, mandaram-na embora.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ap\u00f3s esses acontecimentos, Caroline morou tr\u00eas meses em uma rep\u00fablica de estudantes universit\u00e1rios. Atualmente, reside em Belo Horizonte, na Casa Coletiva Fora Do Eixo, onde trabalha com produ\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica e tamb\u00e9m desenvolve tudo relacionado a sua carreira art\u00edstica, como shows, agenciamento e produ\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"> Caroline sempre soube quem era. Sempre soube de sua identidade. N\u00e3o houve, portanto, momento de descoberta acerca de sua personalidade, mas sim daquilo que n\u00e3o lhe pertencia, houve a descoberta de se estar vivendo uma vida que n\u00e3o era sua. Alguns de seus amigos ainda n\u00e3o a consideram \u201cfeminina o suficiente\u201d, alguns acreditam que \u00e9 \u201cuma fase que vai passar\u201d ou ainda que \u00e9 \u201ccoisa de sua cabe\u00e7a\u201d. Mas ela tem certeza sobre quem \u00e9.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Caroline lida com o preconceito diariamente; tarefas simples, como ir \u00e0 padaria, despertam medo. J\u00e1 foi perseguida, amea\u00e7ada e humilhada em p\u00fablico. O respeito ao pr\u00f3ximo parece ter sido substitu\u00eddo pelo \u00f3dio gratuito. A inseguran\u00e7a toma conta de seus dias, o temor de ser agredida por um homem, at\u00e9 mesmo por aqueles com os quais se relacionou, a assombra constantemente quando passa pelas ruas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda assim, Caroline resiste. Faz apresenta\u00e7\u00f5es em eventos com os quais se identifica. Caroline luta. E, por onde passa, traz a mensagem de aceita\u00e7\u00e3o e respeito, traz tamb\u00e9m toda uma aura de surrealidade com a qual est\u00e1 sempre envolta e que \u00e9 respons\u00e1vel por prender a aten\u00e7\u00e3o de todos quando fala. Caroline n\u00e3o est\u00e1 sozinha, h\u00e1 um pouco dela em cada um de n\u00f3s. H\u00e1 um pouco de medo e h\u00e1 muita resist\u00eancia.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400;\">Texto\/VAN: Ana Carolina Rodrigues<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Caroline sempre soube quem era. Sempre soube de sua identidade. N\u00e3o houve, portanto, momento de descoberta acerca de sua personalidade, mas sim daquilo que n\u00e3o lhe pertencia, houve a descoberta de se estar vivendo uma vida que n\u00e3o era sua.&#8221; Clique e leia o perfil completo escrito pela rep\u00f3rter Ana Carolina Rodrigues:<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4816,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"cybocfi_hide_featured_image":"","footnotes":""},"categories":[470,8],"tags":[72,471],"class_list":["post-4823","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-perfil-editorias","category-variedades","tag-perfil","tag-variedades"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4823","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4823"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4823\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4825,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4823\/revisions\/4825"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4816"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4823"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4823"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4823"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}