{"id":4653,"date":"2016-06-19T14:00:42","date_gmt":"2016-06-19T17:00:42","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=4653"},"modified":"2016-06-19T16:25:32","modified_gmt":"2016-06-19T19:25:32","slug":"um-mes-que-abre-coracoes","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/um-mes-que-abre-coracoes\/","title":{"rendered":"Um m\u00eas que abre cora\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">Essa n\u00e3o \u00e9 a \u201cQuadrilha\u201d do Jo\u00e3o que amava a Teresa que amava o Raimundo, de Drummond. Essa \u00e9 a quadrilha em que as formas de amor s\u00e3o rec\u00edprocas. Vamos l\u00e1.<\/span><\/i><\/p>\n<figure id=\"attachment_4654\" aria-describedby=\"caption-attachment-4654\" style=\"width: 2826px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4654\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/WP_20150613_047.jpg\" alt=\"Junho veste todo mundo de jeca, na simplicidade, no sossego, pra mostrar que a vida tem jeito. FOTO\/VAN: Emanuel Reis\" width=\"2826\" height=\"2000\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/WP_20150613_047.jpg 2826w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/WP_20150613_047-300x212.jpg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/WP_20150613_047-768x544.jpg 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/WP_20150613_047-1024x725.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 2826px) 100vw, 2826px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4654\" class=\"wp-caption-text\">Junho veste todo mundo de jeca, na simplicidade, no sossego, pra mostrar que a vida tem jeito. FOTO\/VAN: Emanuel Reis<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os dias passam r\u00e1pido, o que faz com que o ano tamb\u00e9m passe. Parece que h\u00e1 poucos instantes est\u00e1vamos festejando a virada do ano e &#8211; \u00a0pasmem! &#8211; j\u00e1 estamos no meio de 2016. \u00c9 junho. O m\u00eas dos meios. Dos dias e das noites frias, mas dos cora\u00e7\u00f5es quentes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Junho fecha as portas para a esta\u00e7\u00e3o das folhas secas e as abre para a esta\u00e7\u00e3o em que as folhas s\u00e3o cada vez mais ausentes. Em junho, Pedro, Jo\u00e3o e Ant\u00f4nio festejam no c\u00e9u e s\u00e3o celebrados na Terra. Em junho, a noite tem mais estrelas, e acendemos fogueiras. Junho \u00e9 o m\u00eas da simplicidade, do romantismo, da felicidade encontrada no pouco. Em junho, dan\u00e7amos quadrilha e, nesse m\u00eas, nessa dan\u00e7a, todo mundo \u00e9 igual. E esse \u00e9 o ponto principal deste \u00a0texto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Basicamente, nas quadrilhas, encena-se um casamento. Os casais d\u00e3o os bra\u00e7os e come\u00e7am a dan\u00e7ar. Esse \u00e9 o foco da noite. \u00c9 um momento de proximidade e de comunh\u00e3o entre as pessoas. At\u00e9 o padre entra na roda! S\u00f3 que a noiva e o noivo n\u00e3o s\u00e3o o centro, pelo menos n\u00e3o aqui. Vamos falar de quem \u00e9 comum, de quem \u00e9 de todo dia, de quem comemora. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Independente da pessoa que \u00e9 seu par, voc\u00ea ainda ir\u00e1 passar por todos. Em algum momento, os casais mudam. A dama passa para o cavaleiro da frente, como um ciclo. Essa ideia de ter que lidar com todo mundo da roda \u00e9 incr\u00edvel! H\u00e1 quem d\u00ea apenas alguns passos t\u00edmidos, mas pelo instante de intimidade, dali a pouco os \u201cjecas\u201d se soltam. Na roda da quadrilha, todo mundo \u00e9 amigo e precisa ser. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E tem gente que torce pra forrozear com algu\u00e9m interessante. Olhares descarados n\u00e3o combinam com o romantismo da noite. Ent\u00e3o, voc\u00ea joga aquele charme e finge ou sente timidez. Procura despertar o interesse de quem toca o seu cora\u00e7\u00e3o, assim como quem toca a viola ou a sanfona para seguir com a m\u00fasica. E bate aquela inseguran\u00e7a de com quem vamos fazer o \u201ctu\u201d? Se cair com quem se desejava, bem, mas se n\u00e3o cair? Tem-se sempre outra chance. Porque o \u201csang\u00ea\u201d ainda n\u00e3o acabou, e ainda vai chegar o \u201cgavi\u00e3o\u201d, em que voc\u00ea escolhe com quem dan\u00e7a. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A quadrilha produz o contato, faz com que encostemos nas pessoas. Porque ningu\u00e9m dan\u00e7a forr\u00f3 sem abra\u00e7ar. Em dias cada vez mais corridos e atarefados, as pessoas v\u00e3o se esquecendo de abra\u00e7ar, de ter tempo para as outras. E isso \u00e9 o mais m\u00e1gico. Nesse festejo, todo mundo se esbarra, todo mundo se esquece das preocupa\u00e7\u00f5es. Porque \u00e9 momento de \u201colhar a cobra\u201d, girar e girar por ser \u201cmentira\u201d. \u201cA ponte quebra\u201d, e \u201c\u00e9 mentira\u201d, os problemas n\u00e3o existem, s\u00e3o pequenos e s\u00e3o, como dito, de mentira. Quem dera que a vida fosse assim!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O caracol mistura todo mundo! \u00c9 rico, \u00e9 pobre, \u00e9 branco, \u00e9 preto, \u00e9 pardo, \u00e9 casado, \u00e9 solteiro, \u00e9 gente de toda gente. Voc\u00ea est\u00e1 por dentro da roda e, ap\u00f3s alguns passos, de fora: os altos e baixos, os momentos de transi\u00e7\u00e3o que vivemos. No fim, todo mundo d\u00e1 tchau, acena, manda beijo. A famosa despedida. Mas a quadrilha ainda n\u00e3o acabou.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Chegou a hora das trocas de olhares, antes escritas no papel e entregues nos correios elegantes. A\u00ed, o amor n\u00e3o fica s\u00f3 nos noivos, n\u00e3o fica s\u00f3 na ma\u00e7\u00e3 do amor, mas paira com a brisa geladinha da noite de junho. \u00c9 coisa de gente comum!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ant\u00f4nio, Jo\u00e3o e Pedro ficam l\u00e1 no c\u00e9u colorindo o m\u00eas seis, intercedendo pelos casais que se formam e estreitando os la\u00e7os de amizade entre o povo. Acredito que seja o m\u00eas em que eles d\u00e3o o m\u00e1ximo de si para que tudo d\u00ea certo e para que todos saiam felizes. Tamb\u00e9m acho que junho vem para apaziguar a correria dos outros onze meses.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No fim, isso que \u00e9 o bonito do m\u00eas, o festejo que faz todo mundo, mesmo que vestido de jeca, dar voz aos sentimentos mais puros e mais nobres que temos. A correria do dia apaga o brilho dos nossos olhos, mas aquele calorzinho gostoso da fogueira estrala uma sensa\u00e7\u00e3o de que ainda vale a pena se atrever a ser simples. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>TEXTO\/VAN: Emanuel Reis<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esse \u00e9 o m\u00eas do inverno, de Pedro, Jo\u00e3o e Ant\u00f4nio, m\u00eas do forr\u00f3zinho de frente pra uma fogueira, e tamb\u00e9m m\u00eas de quadrilha! Leia nossa cr\u00f4nica sobre junho:<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4654,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"cybocfi_hide_featured_image":"","footnotes":""},"categories":[10,6,7,5],"tags":[452,453],"class_list":["post-4653","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cronica","category-microrregiao-de-barbacena","category-microrregiao-de-lavras","category-microrregiao-de-sao-joao-del-rei","tag-festa-junina","tag-quadrilha"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4653","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4653"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4653\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4656,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4653\/revisions\/4656"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4654"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4653"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4653"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4653"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}