{"id":444,"date":"2014-03-01T01:20:00","date_gmt":"2014-03-01T01:20:00","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=444"},"modified":"2014-03-01T01:20:00","modified_gmt":"2014-03-01T01:20:00","slug":"o-colecionador","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/o-colecionador\/","title":{"rendered":"O Colecionador"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\">\n<a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-MFtScuEqfmg\/UxE1q1_5zaI\/AAAAAAAAC8g\/fmxE0UkhVUQ\/s1600\/foto+o+conlecionador.jpg\" imageanchor=\"1\" style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-MFtScuEqfmg\/UxE1q1_5zaI\/AAAAAAAAC8g\/fmxE0UkhVUQ\/s1600\/foto+o+conlecionador.jpg\" height=\"265\" width=\"400\" \/><\/a><\/div>\n<p>\n\u201cVoc\u00eas me desculpem, eu ainda n\u00e3o tenho uma cole\u00e7\u00e3o muito grande, porque estou come\u00e7ando. Mas essa cole\u00e7\u00e3o n\u00e3o vai ficar muito grande, pois pretendo ter s\u00f3 uma de cada modalidade\u201d. \u00c9 com essas palavras que Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Oliveira de Resende, 52 anos, professor do curso de Letras da Universidade Federal de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei (UFSJ), recebeu-nos em sua casa, no bairro S\u00e3o Caetano. O nosso interesse era saber um pouco mais sobre aquelas bolas enfileiradas numa estante, e ele fez quest\u00e3o de nos contar n\u00e3o s\u00f3 sobre sua cole\u00e7\u00e3o de bolas raras, mas tamb\u00e9m sobre um pouquinho de sua vida. Entre as v\u00e1rias estantes, livros e outras cole\u00e7\u00f5es, Jos\u00e9 Ant\u00f4nio retruca: \u201ca n\u00e3o ser que seja uma bola muito bonita, rara, a\u00ed eu posso repetir. S\u00e3o bem caras, mas vale \u00e0 pena\u201d.<\/p>\n<p>S\u00e3o-joanense, Jos\u00e9 Ant\u00f4nio se lembra da inf\u00e2ncia e da adolesc\u00eancia jogando futebol de sal\u00e3o. Ele gostava de como o futebol era levado a s\u00e9rio, de como era realmente um esporte para ser levado no cora\u00e7\u00e3o. Hoje, ele tem uma vis\u00e3o triste, pessimista sobre o futebol. N\u00e3o se pode comemorar, n\u00e3o se pode mostrar a arte no gramado, nem ser ousado. A cole\u00e7\u00e3o, subjetivamente, come\u00e7ou desta frustra\u00e7\u00e3o pessoal. \u201cOlha como o futebol vem perdendo a identidade. Os times n\u00e3o s\u00e3o fieis mais \u00e0s suas cores, ao seu hino. Mas a \u00fanica coisa que fica \u00e9 a bola. Essa n\u00e3o tem jeito de voc\u00ea mexer\u201d, explica sobre por que come\u00e7ou sua cole\u00e7\u00e3o de bolas, as primeiras, de futebol. \u201c\u00c9 um respeito com a fidelidade que eu tenho com o futebol, com o esporte em geral\u201d.<br \/>\n&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;<br \/>\nAs bolas ficam enfileiradas numa estante: pingue pongue, futebol, basquete, rugby, handebol, basebol, espiribol, e a famosa bolinha de gude. Cada uma tem sua hist\u00f3ria, e Jos\u00e9 Ant\u00f4nio conta como elas foram parar na sua casa. \u201cEssa \u00e9 de pingue pongue brasileira, essa j\u00e1 \u00e9 de pingue pongue chinesa. Essas bolas que eu vou mostrar para voc\u00eas nunca foram usadas. Mal, mal cai no ch\u00e3o\u201d, explica. O esporte de mesa, muito praticado por Jos\u00e9 Ant\u00f4nio no passado, deixa saudades, e elas ficam nas bolinhas da cole\u00e7\u00e3o. \u201cEu viajo muito, ent\u00e3o quando fico em hotel que tem \u00e1rea de mesa, eu e meu filho aproveitamos bastante\u201d, conta.<\/p>\n<p>\u201cEssa aqui \u00e9 uma bola do Barcelona, oficial. Essa aqui \u00e9 uma miniatura de bola de basquete. Eu at\u00e9 poderia comprar uma bola de basquete e vou comprar, mas por ser muito comum eu preferi comprar uma miniatura, porque ela \u00e9 mais rara\u201d, explica Jos\u00e9 Ant\u00f4nio. \u201cEssa aqui \u00e9 de rugby. A de futebol americano \u00e9 um pouquinho menor, mas eu n\u00e3o achei ainda\u201d. A bola de handebol \u00e9 oficial. \u201cEu n\u00e3o sabia que bola de handebol era t\u00e3o chatinha, durinha e pesadinha. Pensei que era leve\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Algumas de suas bolas s\u00e3o de colecionador. S\u00e3o de pequena escala e nem mesmo s\u00e3o de alguma modalidade esportiva. Umas s\u00e3o bolas de sal\u00e3o, outra de campeonato italiano, ingl\u00eas. O Brasil gostou da id\u00e9ia e lan\u00e7ou duas miniaturas de dois times. \u201cO Brasil copiou e lan\u00e7ou duas de dois times que eu detesto, a dos corintianos e a dos flamenguistas. Mas ficaram bolas muito bonitas\u201d, brinca, rindo. Atualmente atleticano Jos\u00e9 Ant\u00f4nio n\u00e3o \u00e9 fan\u00e1tico. Inclusive tem as bolinhas dos outros times.<\/p>\n<p>\u201cEssa aqui \u00e9 uma bola rara de basebol, muito rara. Ela \u00e9 uma pedra\u201d, demonstra Jos\u00e9 Ant\u00f4nio, jogando a bola na mesa, o que surte um barulho forte. Sobre como as compra, ele prefere ir \u00e0 loja. \u201cEu n\u00e3o gosto de comprar pela internet, eu gosto de ir l\u00e1 \u00e0 loja, pois l\u00e1 eu posso pegar, ver\u201d, explica. Mas algumas coisas curiosas o impedem de comprar seus itens colecion\u00e1veis. Ainda indignado, Jos\u00e9 Ant\u00f4nio conta que n\u00e3o conseguiu comprar sua bola de t\u00eanis. \u201cFui comprar a de t\u00eanis semana passada, mas eles s\u00f3 vendem o pacotinho com seis. Ai \u00e9 fogo\u201d, reclama. \u201cCertas coisas tamb\u00e9m que a gente vai comprar, dizem a gente s\u00f3 vende se voc\u00ea tamb\u00e9m comprar a raquete. A do basebol eles queriam me vender os tacos\u201d, conta.<\/p>\n<p>Voltando no tempo, relembrando as brincadeiras de crian\u00e7a, Jos\u00e9 Ant\u00f4nio nos mostra a bola de espiribol, aquela, que amarrada a uma corda, gira com ajuda de socos em torno de uma haste. As bolinhas de gude, talvez no lugar certo, n\u00e3o estavam na sua estante, mas sim na casa da sua m\u00e3e. O lugar onde, geralmente, as bolinhas de gude permanecem, junto com as lembran\u00e7as da inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da cole\u00e7\u00e3o de bolas raras, Jos\u00e9 Ant\u00f4nio tamb\u00e9m tem outras. Livros, copos de \u00e1gua, anjos, latas de cerveja, vinil e suvenires de viagens. Ele mesmo explica. \u201cSe voc\u00ea for para um campo psicanal\u00edtico freudiano, vai ver que toda cole\u00e7\u00e3o \u00e9 uma necessidade que a gente tem de se apegar, ter fixa\u00e7\u00e3o em alguma coisa. Se voc\u00ea for para os estudos culturais, pode ser a montagem de um arquivo de uma representa\u00e7\u00e3o social. Mas eu n\u00e3o me aprendo a esses te\u00f3ricos n\u00e3o, eu fa\u00e7o tudo de cora\u00e7\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Ant\u00f4nio, al\u00e9m de colecionador, tamb\u00e9m j\u00e1 escreveu e dirigiu pe\u00e7as de teatro e \u00e9 compositor (inclusive o hino da UFSJ, letra e m\u00fasica, \u00e9 de sua autoria, al\u00e9m de sambas enredo de escolas de samba local e MPB). Formou-se em Letras pela ent\u00e3o Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ci\u00eancias e Letras, hoje Universidade Federal de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei. \u00c9 p\u00f3s-graduado em L\u00edngua Portuguesa pela PUC-MG, Mestre em L\u00edngua Portuguesa pela UFMG e Doutor em Estudos Ling\u00fc\u00edsticos, tamb\u00e9m pela UFMG. Em 1997 come\u00e7ou a lecionar no curso de Letras, onde est\u00e1 at\u00e9 hoje, dando aulas de latim elementar, intermedi\u00e1rio e avan\u00e7ado. \u201cTrabalho com escrita e criatividade, coisas de efeitos com a linguagem\u201d, diz.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Ant\u00f4nio j\u00e1 publicou oito livros, e escreve cr\u00f4nicas para tr\u00eas jornais, locais e da regi\u00e3o, colecionando j\u00e1 cerca de 300 cr\u00f4nicas. \u201cEu j\u00e1 fiz cr\u00f4nicas sobre futebol. A \u00faltima, dois caras conversam. Intitulada \u2018Papo de bola\u2019, toda a conversa deles eu fui recolhendo frases de futebol que entram no nosso linguajar. \u2018E ai como voc\u00ea t\u00e1? T\u00f4 na \u00e1rea\u2019\u201d, diz. \u201cTudo o que eles falavam era express\u00e3o de futebol. Quem dera se o Juninho fosse Pernambucano, se o Ronaldo fosse ga\u00facho. J\u00e1 que eles n\u00e3o est\u00e3o nem ai para o Brasil, peguei e joguei uns apelidos\u201d, brinca.<br \/>\n&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;<br \/>\nVAN\/Walqu\u00edria Domingues<\/p>\n<div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cVoc\u00eas me desculpem, eu ainda n\u00e3o tenho uma cole\u00e7\u00e3o muito grande, porque estou come\u00e7ando. 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