{"id":4343,"date":"2016-05-22T09:00:38","date_gmt":"2016-05-22T12:00:38","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=4343"},"modified":"2016-05-21T18:50:21","modified_gmt":"2016-05-21T21:50:21","slug":"todo-mundo-devia-nessa-historia-se-ligar-a-caca-aos-zes-e-aos-chicos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/todo-mundo-devia-nessa-historia-se-ligar-a-caca-aos-zes-e-aos-chicos\/","title":{"rendered":"Todo mundo devia nessa hist\u00f3ria se ligar, a ca\u00e7a aos Z\u00e9s e aos Chicos"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_4344\" aria-describedby=\"caption-attachment-4344\" style=\"width: 5612px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4344\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Jo\u00e3oHenriqueCr\u00f4nicaFoto-Josh-Zakary.jpg\" alt=\"FOTO: Josh Zakary\" width=\"5612\" height=\"3571\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Jo\u00e3oHenriqueCr\u00f4nicaFoto-Josh-Zakary.jpg 5612w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Jo\u00e3oHenriqueCr\u00f4nicaFoto-Josh-Zakary-300x191.jpg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Jo\u00e3oHenriqueCr\u00f4nicaFoto-Josh-Zakary-768x489.jpg 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Jo\u00e3oHenriqueCr\u00f4nicaFoto-Josh-Zakary-1024x652.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 5612px) 100vw, 5612px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4344\" class=\"wp-caption-text\">FOTO: Josh Zakary<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Era trabalhador, pegava um trem lotado. Tinha boa vizinhan\u00e7a, era considerado. E todo mundo dizia que era um cara maneiro. Outros o criticavam porque ele era funkeiro. Os versos da famosa can\u00e7\u00e3o de MC Bob Rum traduzem bem os perfis de dois irm\u00e3os cariocas, Z\u00e9 Caveiros da Silva e Chico Cunha da Silva.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Z\u00e9 e Chico moram no Complexo de Favelas do Alem\u00e3o. Todos os dias, acordam cedo para vender balas e doces nos sinais de tr\u00e2nsito da zona sul da capital carioca. Mas, na sexta-feira, 2 de outubro de 2009, os irm\u00e3os pegaram sua melhor camisa e foram rumo \u00e0 praia de Copacabana. Juntaram-se a milhares de pessoas na torcida para que o Rio de Janeiro ganhasse o direito de sediar os Jogos Ol\u00edmpicos em 2016.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A disputa seria acirrada, o Rio de Janeiro disputava com tr\u00eas cidades do chamado primeiro mundo: Madri, T\u00f3quio e Chicago. Mesmo assim, por volta de 10 horas da manh\u00e3, veio a not\u00edcia t\u00e3o esperada. Ap\u00f3s a quarta tentativa, a cidade brasileira iria sediar os Jogos Ol\u00edmpicos e Paraol\u00edmpicos em 2016. Em Copacabana, os irm\u00e3os Silva e toda aquela multid\u00e3o explodiram de emo\u00e7\u00e3o. A alegria foi ainda maior, pois a cidade sediaria dois anos antes, a final da Copa do Mundo de Futebol.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Terminada a festa em Copacabana, Z\u00e9 e Chico voltavam para casa planejando ir ao maior n\u00famero poss\u00edvel de eventos nos Jogos Ol\u00edmpicos e tamb\u00e9m na Copa do Mundo. J\u00e1 sonhavam em estar no Maracan\u00e3 em 2014. Queriam ver o Brasil campe\u00e3o mundial e com o in\u00e9dito ouro ol\u00edmpico dois anos mais tarde.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nem mesmo a frustra\u00e7\u00e3o por n\u00e3o assistirem a nenhum evento dos jogos pan-americanos em 2007 tirava a esperan\u00e7a dos jovens. Na \u00e9poca do maior evento esportivo do continente, os garotos ainda n\u00e3o trabalhavam, e os ingressos estavam muito caros. Esperavam que a Copa do Mundo e as Olimp\u00edadas fossem eventos para o povo, como anunciavam os governantes cheios de orgulho.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os anos se passaram e os irm\u00e3os Silva seguiam vendendo suas balas e doces pelos sem\u00e1foros cariocas, planejando participar da Copa do Mundo e das Olimp\u00edadas. \u00a0Em 2013, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Empolgados com a vit\u00f3ria brasileira sobre a atual campe\u00e3 mundial, Espanha, na final<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> da Copa das Confedera\u00e7\u00f5es, Z\u00e9 e Chico tentaram comprar ingressos do primeiro lote para assistir ao mundial de futebol, encontraram entradas muito caras, fora da realidade de um trabalhador brasileiro. Era o come\u00e7o da ca\u00e7a aos Z\u00e9s e aos Chicos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mesmo com os altos pre\u00e7os, os jovens trabalhavam dia e noite, para tentar participar de alguma forma do evento pelo qual se dizia que o futebol voltaria para casa. Mesmo assim n\u00e3o foi poss\u00edvel, os ingressos eram caros. Restou aos Z\u00e9s, aos Chicos, aos Silvas assistirem \u00e0 Copa do Mundo em casa. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Domingo de sol, manh\u00e3 do dia 13 de julho de 2014, os irm\u00e3os sa\u00edram para jogar o seu futebol. Enquanto isso, muita gente que sequer sabia o que \u00e9 futebol se preparava para ir ao Maracan\u00e3. Nesse dia, o que viram foi Mario<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> G\u00f6tze dar \u00e0 Alemanha seu quarto t\u00edtulo mundial.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nem mesmo o fato de ficarem fora da Copa do Mundo desanimou os irm\u00e3os Silva. Eles continuaram sua rotina, s\u00f3 que com dificuldades para venderem suas balas. Dizem que uma tal de crise econ\u00f4mica diminui as vendas. Al\u00e9m disso, Z\u00e9 e Chico est\u00e3o com mais gastos, cada um j\u00e1 tem o seu filho. Agora, al\u00e9m de funkeiros, s\u00e3o pais de fam\u00edlia. Mas nem as dificuldades diminuem as esperan\u00e7as deles em acompanharem os Jogos Ol\u00edmpicos junto com a fam\u00edlia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">At\u00e9 que enfim chegou 2016, o t\u00e3o esperado ano ol\u00edmpico. E j\u00e1 elegeram o maior inimigo dos jogos. Esqueceram o andamento das obras, o custo ou a prepara\u00e7\u00e3o das instala\u00e7\u00f5es esportivas, limpeza da Ba\u00eda de Guanabara ou o tr\u00e2nsito do Rio de Janeiro. Escolheram um mosquito transmissor do Zika v\u00edrus e Chikungunya, para representar a amea\u00e7a principal \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o do evento. E, a partir da\u00ed, come\u00e7aram a ca\u00e7a desenfreada aos inimigos, querem matar o Zika e o Chikungunya.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas ser\u00e1 mesmo que a organiza\u00e7\u00e3o do evento n\u00e3o quer eliminar na verdade, os Chicos, os Z\u00e9s e os Silvas? V\u00e3o dizer que querem fazer a maior olimp\u00edada da hist\u00f3ria, mas n\u00e3o querem que essa estrela brilhe para todos.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400;\">TEXTO\/VAN: Jo\u00e3o Henrique Castro<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;At\u00e9 que enfim chegou 2016, o t\u00e3o esperado ano ol\u00edmpico. E, a partir da\u00ed, come\u00e7aram a ca\u00e7a desenfreada aos inimigos, querem matar o Zika e o Chikungunya. 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