{"id":432,"date":"2014-03-31T00:18:00","date_gmt":"2014-03-31T00:18:00","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=432"},"modified":"2014-03-31T00:18:00","modified_gmt":"2014-03-31T00:18:00","slug":"uma-prosa-com-sabor","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/uma-prosa-com-sabor\/","title":{"rendered":"Uma prosa com sabor"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\">\n<a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-2nvq03yeBRY\/Uzh21cG0WLI\/AAAAAAAAC-8\/Hdk2qpowki4\/s1600\/prosa+e+sabor.png\" imageanchor=\"1\" style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-2nvq03yeBRY\/Uzh21cG0WLI\/AAAAAAAAC-8\/Hdk2qpowki4\/s1600\/prosa+e+sabor.png\" height=\"262\" width=\"400\" \/><\/a><\/div>\n<p>\nUma casa grande, aconchegante. Uma mesa cheia de p\u00e3ezinhos de mel, embrulhados com todo cuidado, em uma bandeja de prata. \u201cFiz para um batizado e estou acabando de arrumar\u201d, diz Meg Calil Zarur, m\u00e3e, cozinheira de m\u00e3o cheia e apresentadora de r\u00e1dio e televis\u00e3o. Uma mulher que se mostra apaixonada pela culin\u00e1ria, pelos filhos, por si mesma e pela vida.&nbsp;<\/p>\n<p>Meg apresenta o programa culin\u00e1rio \u201cSabor em Prosa\u201d, da TV Campos de Minas, e recentemente o programa \u201cFim de Tarde\u201d, da R\u00e1dio S\u00e3o Jo\u00e3o. Especialista em culin\u00e1ria e prosa me recebeu como uma amiga de muitos anos, com muita conversa, v\u00e1rias del\u00edcias feitas por ela, e seu enorme estojo de maquiagem. R\u00edmel, espelhos e dicas de beleza intercalaram momentos da sua vida, contados com risos e emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Do come\u00e7o&nbsp;<\/p>\n<p>A loirinha ca\u00e7ula de cinco filhos morava em frente \u00e0 antiga Escola de Com\u00e9rcio. \u201cA nossa rua tinha muita crian\u00e7a, todas da mesma idade. A gente brincava demais na rua, era muito bom\u201d, relembra Meg, que perdeu o pai com apenas quatro anos de idade. \u201cMinha refer\u00eancia \u00e9 toda minha m\u00e3e\u201d.&nbsp;<\/p>\n<p>A inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia foi vivida em S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei, mas por um tempo, Meg foi passear na casa do irm\u00e3o, em Cuiab\u00e1, e ficou por l\u00e1, durante dois anos e meio. \u201cEu fazia faculdade de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas. Tranquei a faculdade e fui morar l\u00e1\u201d, recorda. A mudan\u00e7a foi em parte uma fuga de um namoradinho que n\u00e3o a deixava em paz. Por l\u00e1 Meg foi at\u00e9 miss. \u201cQue vida boa eu tive l\u00e1. Mas minha m\u00e3e estava se sentindo muito sozinha aqui, ent\u00e3o eu voltei\u201d, diz.&nbsp;<\/p>\n<p>Dos amores&nbsp;<\/p>\n<p>A maior paix\u00e3o de Meg entrou em sua vida em 1986. Depois de retornar para S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei, ela foi a uma festa na casa do amigo da fam\u00edlia Dr. Marcos Campelo. \u201cEle me apresentou o Paulo, que estava namorando. No outro dia n\u00f3s fomos num baile no Social, e realmente s\u00e3o coisas que tem que acontecer\u201d, relembra. Paulo Aur\u00e9lio Campos havia terminado, de um dia para o outro. Na mesma festa estava A\u00e9cio Neves, na \u00e9poca em que lan\u00e7ou sua primeira candidatura. \u201cEu queria o A\u00e9cio, mas foi o Paulo quem investiu\u201d, brinca Meg. Em uma semana ela e Paulo come\u00e7aram a namorar, e se casaram em 1990.&nbsp;<\/p>\n<p>Arquivo pessoal<\/p>\n<p>A parte mais dolorosa de sua vida foi quando perdeu a m\u00e3e, em 2000, e quando ficou vi\u00fava, em 2002. V\u00edtima de c\u00e2ncer, a m\u00e3e de Meg ficou doente por apenas sete meses e se foi. \u201cDeus me mostrou que a gente n\u00e3o pode ser ego\u00edsta\u201d, reflete. Paulo morreu de infarto, aos 47 anos, no dia em que levou a fam\u00edlia para assistir um jogo de futebol em Belo Horizonte. \u201cMeu filho nunca tinha ido ao Mineir\u00e3o, e l\u00e1 Paulo come\u00e7ou a se sentir mal. Ele teve 20 paradas card\u00edacas. Foi a \u00e9poca mais terr\u00edvel da minha vida\u201d, fala. Seus filhos tinham apenas 12 e nove anos. Eles perderam o pai t\u00e3o jovens quanto Meg perdeu o seu. \u201cA hist\u00f3ria se repetiu. E eu tentei ser sempre uma m\u00e3e super carinhosa com os meus filhos. O Rafael \u00e9 minha cara, e a Lila \u00e9 a cara do pai\u201d, emociona-se. Para contar para os seus filhos da morte do pai, Meg contou aos filhos uma hist\u00f3ria de amor, sem final feliz.&nbsp;<\/p>\n<p>Dos holofotes&nbsp;<\/p>\n<p>Em 2006 a vida de Meg mudou muito. \u201cChamaram-me pra fazer um teste l\u00e1 na Televis\u00e3o, para um programa de culin\u00e1ria. Eu sempre cozinhei e sempre gostei de cozinhar. Fazia salgadinho pra fora, essa coisa toda. O meu teste foi uma piada\u201d, lembra. A alegria de viver da Meg conquistou a TV Campos de Minas logo neste primeiro teste, com suas brincadeiras e sua risada inconfund\u00edvel. E l\u00e1 permanece at\u00e9 hoje, apresentando o \u201cSabor em Prosa\u201d.&nbsp;<\/p>\n<p>Considerada a Ana Maria Braga da televis\u00e3o local, Meg teve o prazer de conhecer sua colega de trabalho da Rede Globo. \u201cNo dia em que eu vi a Ana Maria Braga, eu dei um grito. Eu a entrevistei l\u00e1 em Tiradentes. Quando ela me viu, ela falou, nossa, que menina grande!\u201d, conta Meg. F\u00e3 da apresentadora, ela brinca, em meio a risadas, que \u00e9 a Ana Maria \u201cBrega\u201d de S\u00e3o Jo\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n<p>Das prosas&nbsp;<\/p>\n<p>A ess\u00eancia do seu programa \u00e9 uma boa conversa, daquelas que s\u00f3 se t\u00eam na cozinha das casas de interior. As pessoas da cidade recebem beijos da apresentadora, e adoram ver seus conhecidos na televis\u00e3o. \u201cFiquei sabendo que tem duas senhoras doentes, que toda quarta-feira n\u00e3o tomam seus rem\u00e9dios pra dormir porque elas v\u00e3o dormir felizes depois de assistirem o programa\u201d, conta. \u201cOlha a responsabilidade, eu fiquei emocionada. Fiquei feliz porque vi que eu estava fazendo bem para o pr\u00f3ximo. Da\u00ed eu gravo o programa pensando nesse tipo de coisa\u201d, diz.&nbsp;<\/p>\n<p>\nArquivo Jota Dangelo<\/p>\n<p>Como para todo mineiro tudo acontece em volta da mesa, at\u00e9 em vel\u00f3rio tem que ter caf\u00e9 e p\u00e3o de queijo. Essa \u00e9 a cultura de Minas. Na nossa mesa sempre cabe mais um. E este \u00e9 o ambiente que o programa apresentado pela Meg proporciona. Boa prosa na beira do fog\u00e3o. Agora ela tamb\u00e9m bate um papo com os ouvintes da R\u00e1dio S\u00e3o Jo\u00e3o, no programa \u201cFim de Tarde\u201d, em que em cada dia um tema diferente \u00e9 abordado, e uma pessoa da \u00e1rea \u00e9 convidada para uma conversa sobre o assunto.&nbsp;<\/p>\n<p>Dos carnavais&nbsp;<\/p>\n<p>\n\u201cNo carnaval eu fervia\u201d, brinca Meg. Foli\u00e3 ass\u00eddua do desfile da Escola de Samba Qualquer Nome Serve, de Jota Dangelo, j\u00e1 foi at\u00e9 porta bandeira. \u201cAqui era o melhor carnaval do interior do Brasil. J\u00e1 me diverti demais\u201d, diz. Todos faziam suas pr\u00f3prias fantasias, que por sinal deviam ser impec\u00e1veis, sen\u00e3o Dangelo n\u00e3o deixava participar no desfile. As plumas eram muito caras, e j\u00e1 com vergonha de pedir mais dinheiro \u00e0 sua m\u00e3e para comprar mais, Meg pedia seu cunhado, que pagava o material das fantasias em troca de uma boa massagem nos p\u00e9s. \u201cEu gosto daquela \u00e9poca, mas hoje tamb\u00e9m \u00e9 \u00f3timo. Eu s\u00f3 n\u00e3o desfilo hoje porque tenho que cobrir o carnaval para a televis\u00e3o\u201d, afirma. Suas coberturas do carnaval s\u00e3o-joanense s\u00e3o t\u00e3o animadas quanto os desfiles, blocos e foli\u00f5es. \u00c9 uma felicidade de algu\u00e9m que j\u00e1 viveu muitas coisas, e que nos serve como exemplo. J\u00e1 houve at\u00e9 quem se fantasiou de Meg Zarur no carnaval. Homenagem mais que merecida.<\/p>\n<p><\/p>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"background: white; line-height: 10.8pt; text-align: justify;\">\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma casa grande, aconchegante. 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