{"id":4145,"date":"2016-05-12T09:00:15","date_gmt":"2016-05-12T12:00:15","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=4145"},"modified":"2016-05-13T00:01:33","modified_gmt":"2016-05-13T03:01:33","slug":"abolicao-da-escravatura-uma-data-para-refletir","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/abolicao-da-escravatura-uma-data-para-refletir\/","title":{"rendered":"Aboli\u00e7\u00e3o da escravatura: uma data para refletir"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 raz\u00f5es para comemorar?<\/span><\/i><\/p>\n<figure id=\"attachment_4147\" aria-describedby=\"caption-attachment-4147\" style=\"width: 701px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4147 \" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Pintura-de-Jean-Baptiste-Debret-sobre-a-escravid\u00e3o.-FOTO-Reprodu\u00e7\u00e3o-300x219.jpg\" alt=\"Pintura de Jean-Baptiste Debret sobre a escravid\u00e3o.FOTO:Reprodu\u00e7\u00e3o\" width=\"701\" height=\"512\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Pintura-de-Jean-Baptiste-Debret-sobre-a-escravid\u00e3o.-FOTO-Reprodu\u00e7\u00e3o-300x219.jpg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Pintura-de-Jean-Baptiste-Debret-sobre-a-escravid\u00e3o.-FOTO-Reprodu\u00e7\u00e3o.jpg 479w\" sizes=\"auto, (max-width: 701px) 100vw, 701px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4147\" class=\"wp-caption-text\">Pintura de Jean-Baptiste Debret sobre a escravid\u00e3o.FOTO:Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Lei \u00c1urea, que aboliu oficialmente a escravid\u00e3o no Brasil, foi assinada em 13 de maio de 1888 pela Princesa Isabel &#8211; regente do trono brasileiro. A data, que encerrou tr\u00eas s\u00e9culos de escravid\u00e3o no pa\u00eds, no entanto, n\u00e3o \u00e9 comemorada pelo Movimento Negro em raz\u00e3o do \u00a0tratamento direcionado aos ex-escravos na \u00e9poca. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O sociol\u00f3go Floristan Fernandes afirmava, em 1964, que as classes dominantes n\u00e3o contribu\u00edram para inserir o ex-escravo na sociedade. O Dandara de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei \u00e9 um grupo feminista negro que, desde 2013, discute quest\u00f5es relacionadas a pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para a popula\u00e7\u00e3o negra, principalmente os direitos da mulher. O grupo tamb\u00e9m problematiza a falta de pol\u00edticas de inser\u00e7\u00e3o dos rec\u00e9m-libertos. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo Cl\u00e9o Souza, uma das participantes do Dandara, a data deve ser entendida como cr\u00edtica e um est\u00edmulo \u00e0 reflex\u00e3o. De acordo com a estudante, em 2015, na comemora\u00e7\u00e3o da Aboli\u00e7\u00e3o, o grupo fez uma interven\u00e7\u00e3o chamada \u2018Ah, branco, d\u00e1 um tempo\u2019, \u00a0que consistia em fotografias de pessoas negras, segurando placas com frases de cunho racista, ainda ditas no ambiente acad\u00eamico. \u201cA data foi escolhida, pois o grupo entende que, apesar da Aboli\u00e7\u00e3o da Escravatura, estamos falando historicamente de uma popula\u00e7\u00e3o negra rec\u00e9m-liberta, que, desde ent\u00e3o, \u00e9 neglicenciada em rela\u00e7\u00e3o a v\u00e1rias quest\u00f5es sociais e teve de enfrentar uma grande dificuldade para adquirir determinados direitos no p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o\u201d, explica. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para o professor de hist\u00f3ria <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Asafe Luiz Sarkis Luz, a data deve ser lembrada e estudada para que a sociedade se conscientize<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">. \u201c<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">A sala de aula \u00e9 o espa\u00e7o ideal para que o professor, independente de cada mat\u00e9ria, transmita um senso cr\u00edtico, uma abordagem social e uma conscientiza\u00e7\u00e3o educacional\u201d, afirma.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">O longo tempo de escravid\u00e3o deixou marcas profundas na sociedade brasileira. At\u00e9 hoje, a popula\u00e7\u00e3o negra tem, em m\u00e9dia, \u00a0piores condi\u00e7\u00f5es de vida do que a popula\u00e7\u00e3o branca. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), os trabalhadores negros ganharam, em m\u00e9dia, apenas 59,2% do rendimento dos brancos em 2015. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m disso, de acordo com o \u00cdndice de Vulnerabilidade Juvenil \u00e0 Viol\u00eancia e Desigualdade Racial de 2014, os jovens negros t\u00eam 2,5 mais chances de serem assassinados no Brasil. \u201cS\u00e3o problemas ser\u00edssimos que vieram com os resqu\u00edcios da escravid\u00e3o e interferem at\u00e9 os dias atuais em nossas vidas. \u00c9 hora de fazer reivindica\u00e7\u00f5es, mostrar esses n\u00fameros e de colocar na mesa nossa criticidade em rela\u00e7\u00e3o a essas continuidades e rupturas, tentando estabelecer meios pr\u00e1ticos para combater tais quest\u00f5es.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d, afirma Cl\u00e9o. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Os quilombos<\/b><\/p>\n<figure id=\"attachment_4148\" aria-describedby=\"caption-attachment-4148\" style=\"width: 489px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-4148\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Um-dos-moradores-da-comunidade-Palmital.-FOTO-Al\u00e9xia-PInheiro-300x200.jpg\" alt=\"Um dos moradores da comunidade Palmital. FOTO: Al\u00e9xia PInheiro\" width=\"489\" height=\"326\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Um-dos-moradores-da-comunidade-Palmital.-FOTO-Al\u00e9xia-PInheiro-300x200.jpg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Um-dos-moradores-da-comunidade-Palmital.-FOTO-Al\u00e9xia-PInheiro-768x512.jpg 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Um-dos-moradores-da-comunidade-Palmital.-FOTO-Al\u00e9xia-PInheiro-1024x683.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 489px) 100vw, 489px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4148\" class=\"wp-caption-text\">Um dos moradores da comunidade Palmital. FOTO: Al\u00e9xia Pinheiro<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No per\u00edodo de escravid\u00e3o no Brasil, os negros que conseguiam fugir se refugiavam em locais escondidos e fortificados no meio das matas. Esses locais eram conhecidos como quilombos, onde viviam de acordo com a cultura africana, plantando e produzindo em comunidade. Atualmente, existem mais de 2 mil comunidades quilombolas no Brasil, que lutam para manter suas tradi\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m seu territ\u00f3rio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O professor Asafe explica que a <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">exist\u00eancia de quilombos nos dias atuais \u00e9 o reflexo do processo mal conduzido da liberta\u00e7\u00e3o dos escravos. \u201cA falta de oportunidades para um ex-escravo, a n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o deles nas cidades, o descaso com a condi\u00e7\u00e3o da classe social rec\u00e9m-formada, a vinda de imigrantes para \u201cbranquear\u201d o Brasil e todos os atos governistas que exclu\u00edram por tanto tempo os negros da vida pol\u00edtica do Brasil disseminaram uma mentalidade de fuga e de isolamento de multid\u00f5es negras, que encontraram nos quilombos sua moradia, mesmo com a \u2018liberdade\u2019\u201d, esclarece.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O projeto Programa de Educa\u00e7\u00e3o Financeira para Inclus\u00e3o Sustent\u00e1vel (PEFISS), da Universidade Federal de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei &#8211; UFSJ, busca em conjunto com os cursos de economia, zootecnia, arquitetura, artes aplicadas e jornalismo,<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">ajudar as comunidades quilombolas do Jaguara e do Palmital, na cidade de Nazareno. Os grupos visitam as comunidades normalmente aos s\u00e1bados e contam com transporte da prefeitura para levarem doa\u00e7\u00f5es de utens\u00edlios de primeira necessidade, como roupas e sapatos, e tamb\u00e9m objetos para lazer.<\/span><\/p>\n<p>O bolsista do programa PEFISS Lucas Linduares conta sobre sua experi\u00eancia. \u201cSempre fomos bem recebidos. Buscamos ajudar, porque as duas comunidades s\u00e3o bastante carentes. Nosso trabalho l\u00e1 consiste em fornecer auxilio para o desenvolvimento das comunidades, n\u00e3o s\u00f3 em quest\u00e3o econ\u00f4mica, mas tamb\u00e9m de bem-estar social\u201d, afirma.<\/p>\n<figure id=\"attachment_4146\" aria-describedby=\"caption-attachment-4146\" style=\"width: 856px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-4146\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Estudantes-da-UFSJ-fizeram-campanha-para-doar-produtos-para-comunidade-quilombola-Palmital-em-Nazareno-\u2013-FOTO-Silvia-Cristina-Reis-Divulga\u00e7\u00e3o-300x143.jpg\" alt=\"Estudantes da UFSJ fizeram campanha para doar produtos para comunidade quilombola Palmital, em Nazareno. FOTO: Silvia Cristina Reis\" width=\"856\" height=\"408\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Estudantes-da-UFSJ-fizeram-campanha-para-doar-produtos-para-comunidade-quilombola-Palmital-em-Nazareno-\u2013-FOTO-Silvia-Cristina-Reis-Divulga\u00e7\u00e3o-300x143.jpg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Estudantes-da-UFSJ-fizeram-campanha-para-doar-produtos-para-comunidade-quilombola-Palmital-em-Nazareno-\u2013-FOTO-Silvia-Cristina-Reis-Divulga\u00e7\u00e3o.jpg 525w\" sizes=\"auto, (max-width: 856px) 100vw, 856px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4146\" class=\"wp-caption-text\">Estudantes da UFSJ fizeram campanha para doar produtos para comunidade quilombola Palmital, em Nazareno. FOTO: Silvia Cristina Reis<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Reflex\u00e3o deu samba!<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 1988, a escola de samba Esta\u00e7\u00e3o Primeira de Mangueira desfilou com o enredo \u201cCem Anos de Liberdade, Realidade ou Ilus\u00e3o\u201d. O objetivo foi questionar a suposta liberdade promovida pela Lei \u00c1urea, visto que os rec\u00e9m-libertos continuaram \u00e0 margem da sociedade. Ou\u00e7a o <\/span><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=WySBEVaxP1M\" target=\"_blank\"><span style=\"font-weight: 400;\">samba-enredo<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">TEXTO\/VAN: Elaine Maciel<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">COLABORA\u00c7\u00c3O: Anna Virginia <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 13 de maio de 1888, a Lei \u00c1urea, que acabava oficialmente com a escravid\u00e3o no Brasil, era assinada pela Princesa Isabel. A data n\u00e3o \u00e9 comemorada pelo Movimento Negro em raz\u00e3o do  tratamento direcionado aos ex-escravos na \u00e9poca. Leia mais:<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4148,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"cybocfi_hide_featured_image":"","footnotes":""},"categories":[13,6,7,5,41,109],"tags":[371,372],"class_list":["post-4145","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-microrregiao-de-barbacena","category-microrregiao-de-lavras","category-microrregiao-de-sao-joao-del-rei","category-nazareno","category-sao-joao-del-rei-microrregiao-de-sao-joao-del-rei","tag-abolicao-da-escravatura","tag-comunidade-quilombola-do-palmital"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4145","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4145"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4145\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4155,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4145\/revisions\/4155"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4148"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4145"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4145"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4145"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}