{"id":4035,"date":"2016-05-08T11:35:27","date_gmt":"2016-05-08T14:35:27","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=4035"},"modified":"2016-05-08T18:13:28","modified_gmt":"2016-05-08T21:13:28","slug":"sentimento-de-voce","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/sentimento-de-voce\/","title":{"rendered":"Sentimento de voc\u00ea"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-4036\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/dia-das-maes-300x288.jpg\" alt=\"dia das maes\" width=\"300\" height=\"288\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/dia-das-maes-300x288.jpg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/dia-das-maes.jpg 403w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Desde pequena, quando ia dormir, voc\u00ea me cobria. Fizesse calor ou n\u00e3o, os velhos cobertores sempre estavam comigo. Apagava a luz, dizia boa noite e at\u00e9 amanh\u00e3. Eu adorava! Meu Deus, era como ter um anjo da guarda me protegendo! Sentia-me amada, recolhida em seu colo. E quando os pesadelos chegavam, era s\u00f3 correr at\u00e9 sua cama e me deliciar no aconchego de seu abra\u00e7o. Fizesse trov\u00f5es, chuvas ou tempestades, eu estaria l\u00e1, segura, com minha m\u00e3e amada.<\/p>\n<p>Contudo o velho tic- tac se aproximava, n\u00e3o era mais crian\u00e7a. O tempo passava. As tarefas antes feitas com voc\u00ea, agora se faziam sozinhas. Era tempo de amadurecer, Cronos dizia. Mas algu\u00e9m havia perguntado algo para mim? Pois n\u00e3o, n\u00e3o havia. E eu fui crescendo. As idas de madrugada ao seu quarto foram diminuindo, at\u00e9 cessarem. O andar de m\u00e3os dadas se tornava t\u00e3o distantes quando jamais achei que pudessem ficar.<\/p>\n<p>Agora era adolescente, e tudo era motivo para discuss\u00f5es. Por que brigar?- pensava. N\u00e3o havia motivos, mas brigava, discutia. Ora, fosse por aquela sa\u00edda negada com os meus amigos, por ter de ficar em casa ajudando. Nada favorecia nossa constante rela\u00e7\u00e3o. Achava que era tempo de me descobrir, de criar minhas opini\u00f5es e deixar as velhas para tr\u00e1s. Deixa que eu resolvo, deixa que eu fa\u00e7o. Eu j\u00e1 sei, n\u00e3o preciso que diga. E assim foram-se muitas das palavras cru\u00e9is que um dia machucaram e fizeram com que a pessoa que mais me ama ficasse preocupada.<\/p>\n<p>Quero me formar, sair de casa, construir minha vida. Repetia aquele mantra para mim mesma, sempre ignorando o quanto voc\u00ea ficava em segundo plano. Criei uma bolha enorme, \u00a0que somente eu fazia parte e quando esta finalmente estourou, vi que quase poderia ser tarde demais. Foi nesse momento em que finalmente estivesse presente, consciente de voc\u00ea, que a realidade me cobriu.<\/p>\n<p>As rugas pequenas, mas presentes em seu rosto. O andar dos anos para voc\u00ea, meio s\u00e9culo j\u00e1 havia se passado. Eu j\u00e1 n\u00e3o era mais crian\u00e7a, mas voc\u00ea, apesar dos anos de diferen\u00e7a, era a mesma. Aquele velho sentimento que sempre estaria presente, t\u00e3o pungente, t\u00e3o vivaz como nunca havia estado. Sentir aquilo foi como um grande tapa, que somente o amadurecimento poderia me dar. Foi reconhecer o tamanho da minha neglig\u00eancia, mesmo estando presente em sua vida por 18 anos.<\/p>\n<p>N\u00e3o queria repetir o mesmo erro, e n\u00e3o iria. Estava livre de qualquer desd\u00e9m. Finalmente, em toda nossa hist\u00f3ria, estava mais presente do que nunca estive.<\/p>\n<p>TEXTO\/VAN: Camille Gallo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Desde pequena, quando ia dormir, voc\u00ea me cobria. Fizesse calor ou n\u00e3o, os velhos cobertores sempre estavam comigo. Apagava a luz, dizia boa noite e at\u00e9 amanh\u00e3. Eu adorava!&#8221; Continue lendo e veja nossa homenagem \u00e0 todas as m\u00e3es que nos acompanham!<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4036,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"cybocfi_hide_featured_image":"","footnotes":""},"categories":[10,8],"tags":[150,354],"class_list":["post-4035","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cronica","category-variedades","tag-cronica","tag-dia-das-maes"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4035","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4035"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4035\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4068,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4035\/revisions\/4068"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4036"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4035"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4035"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4035"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}