{"id":3923,"date":"2016-05-05T09:00:30","date_gmt":"2016-05-05T12:00:30","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=3923"},"modified":"2016-05-05T15:13:53","modified_gmt":"2016-05-05T18:13:53","slug":"a-cobra-nao-fumou-mas-foi-para-a-europa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/a-cobra-nao-fumou-mas-foi-para-a-europa\/","title":{"rendered":"A cobra n\u00e3o fumou, mas foi para a Europa!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"font-weight: 400;\">Quem achou que era mais f\u00e1cil uma cobra fumar do que o Brasil entrar na Segunda Guerra se en<\/span><\/em><em><span style=\"font-weight: 400;\">ganou<\/span><\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_3925\" aria-describedby=\"caption-attachment-3925\" style=\"width: 737px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3925\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/152.jpg\" alt=\"Registro da \u00faltima missa realizada na Igreja de Nossa Senhora das Merc\u00eas antes da partida dos S\u00e3o-joanenses para a It\u00e1lia. FOTO: Reprodu\u00e7\u00e3o\" width=\"737\" height=\"491\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/152.jpg 5315w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/152-300x200.jpg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/152-768x512.jpg 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/152-1024x683.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 737px) 100vw, 737px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3925\" class=\"wp-caption-text\">Registro da \u00faltima missa realizada na Igreja de Nossa Senhora das Merc\u00eas antes da partida dos S\u00e3o-joanenses para a It\u00e1lia. FOTO: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O dia 5 de maio foi escolhido para homenagear os militares que participaram da For\u00e7a Expedicion\u00e1ria Brasileira (FEB) durante a Segunda Guerra Mundial. A partir das mem\u00f3rias oficiais e tamb\u00e9m daquelas submersas pela FEB, pode-\u00adse observar como a experi\u00eancia de guerra brasileira foi diversa e heterog\u00eanea.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na d\u00e9cada de 1940, o Brasil era um pa\u00eds predominantemente agr\u00e1rio, e a maior parte da popula\u00e7\u00e3o vivia no campo. At\u00e9 ent\u00e3o, as For\u00e7as Armadas n\u00e3o tinham aeron\u00e1utica, contavam apenas com o ex\u00e9rcito e a marinha, ambos completamente ultrapassados. Em 1941, os pa\u00edses do eixo atacaram os navios mercantis brasileiros. A presen\u00e7a de cad\u00e1veres e o cen\u00e1rio de horror no litoral despertaram uma mobiliza\u00e7\u00e3o popular que pressionou o Governo a entrar na guerra.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m disso, o Estado Novo mantido por Get\u00falio Vargas enxergava naquela situa\u00e7\u00e3o uma possibilidade de ganho econ\u00f4mico, militar e, tamb\u00e9m, pol\u00edtico. Ap\u00f3s algumas negocia\u00e7\u00f5es com os Estados Unidos, que j\u00e1 estavam interessados na posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica brasileira, Get\u00falio consolida de vez as rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com o pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p><b>A atua\u00e7\u00e3o do 11\u00ba \u00a0Regimento de Infantaria de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei<\/b><\/p>\n<figure id=\"attachment_3926\" aria-describedby=\"caption-attachment-3926\" style=\"width: 557px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-3926\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/DSC_0004.jpg\" alt=\"Major Ivan conta sobre sua lembran\u00e7as como expedicion\u00e1rio. FOTO\/VAN: Juliana Paravizo.\" width=\"557\" height=\"832\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/DSC_0004.jpg 2592w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/DSC_0004-201x300.jpg 201w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/DSC_0004-768x1147.jpg 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/DSC_0004-685x1024.jpg 685w\" sizes=\"auto, (max-width: 557px) 100vw, 557px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3926\" class=\"wp-caption-text\">Major Ivan conta sobre sua lembran\u00e7as como expedicion\u00e1rio. FOTO\/VAN: Juliana Paravizo.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Diante do decreto de guerra e da exig\u00eancia de Vargas para o envio de tropas ao Velho Continente, os batalh\u00f5es e os regimentos de infantaria deram in\u00edcio ao recrutamento dos futuros combatentes. O 11<b>\u00ba <\/b>\u00a0Regimento de Infantaria, localizado em S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei, foi fundamental nesse contexto. Al\u00e9m do treinamento dos militares, tamb\u00e9m se encarregou de transmitir aos civis recrutados os c\u00f3digos que deveriam ser incorporados para a luta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo a S\u00e3o-\u00adjoanense e tamb\u00e9m historiadora militar da For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira Virg\u00ednia Mercedes Guimar\u00e3es Carvalho,\u00a0\u201co 11<b>\u00ba <\/b>\u00a0R. I n\u00e3o era voltado necessariamente para a regi\u00e3o, tinha um contexto mais amplo, era algo a n\u00edvel nacional. Algumas pessoas vinham do nordeste para serem treinadas, depois seguiam para o Rio de Janeiro, onde, posteriormente, embarcavam em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 It\u00e1lia\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Entre os combatentes enviados, estava o Major Ivan Esteves Alves, de 94 anos. \u00a0\u201c\u00c0 medida que fui vendo a costa do Brasil ficar para tr\u00e1s, o Cristo Redentor mais distante, me deu um n\u00f3 na garganta que quase morri sufocado\u201d, confessa. Ao chegar em territ\u00f3rio italiano, o Major declarou que foi surpreendido pela mis\u00e9ria daquele local, pois n\u00e3o era algo apenas material, mas tamb\u00e9m moral. \u201cDiante do desespero alheio, presenciei at\u00e9 mesmo pais negociando seus filhos em troca de comida\u201d, declara.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Alguns militares atravessaram o Atl\u00e2ntico, enquanto outros permaneceram no Brasil para proteger o litoral, que estava sob uma poss\u00edvel amea\u00e7a alem\u00e3. Ao contr\u00e1rio do que \u00e9 tido no imagin\u00e1rio popular, estes tamb\u00e9m enfrentavam adversidades constantes. Embora n\u00e3o estivessem num combate, viviam a ang\u00fastia de um ataque iminente. Al\u00e9m disso, os praieiros, como eram pejorativamente chamados, contavam com uma reduzida infra\u00adestrutura, pouco amparo militar e com uma log\u00edstica de guerra prec\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p><b>O VALOR DAS MEM\u00d3RIAS<\/b><\/p>\n<figure id=\"attachment_3927\" aria-describedby=\"caption-attachment-3927\" style=\"width: 835px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-3927\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/064.jpg\" alt=\"Banda do 11\u00ba Regimento de Infantaria na \u00c9poca da Guerra. FOTO: Reprodu\u00e7\u00e3o\" width=\"835\" height=\"560\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/064.jpg 1805w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/064-300x201.jpg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/064-768x516.jpg 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/064-1024x688.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 835px) 100vw, 835px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3927\" class=\"wp-caption-text\">Banda do 11\u00ba Regimento de Infantaria na \u00c9poca da Guerra. FOTO: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>A distin\u00e7\u00e3o entre os militares que foram para os campos de combate e aqueles que ficaram em territ\u00f3rio nacional gerou uma esp\u00e9cie de mem\u00f3ria seletiva sobre a guerra. \u00a0\u201cEsse grupo de pessoas que ficou no Brasil foi brutalmente desprezado pela mem\u00f3ria coletiva daqueles que foram para o solo europeu, fato que promoveu uma diferencia\u00e7\u00e3o entre os militares. Veterano \u00e9 ex-combatente, mas nem todo combatente \u00e9 ex-veterano\u201d, disse Virg\u00ednia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_3924\" aria-describedby=\"caption-attachment-3924\" style=\"width: 439px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-3924\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/imagem-1.jpg\" alt=\"Durante suas pesquisas, historiadora encontra jornais denunciando os torpedeamentos sofridos pelo Brasil. FOTO: Reprodu\u00e7\u00e3o\" width=\"439\" height=\"659\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/imagem-1.jpg 2048w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/imagem-1-200x300.jpg 200w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/imagem-1-768x1152.jpg 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/imagem-1-683x1024.jpg 683w\" sizes=\"auto, (max-width: 439px) 100vw, 439px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3924\" class=\"wp-caption-text\">Durante suas pesquisas, historiadora encontra jornais denunciando os torpedeamentos sofridos pelo Brasil. FOTO: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em raz\u00e3o da diversidade de experi\u00eancias vivenciadas nesse per\u00edodo, a historiadora ressalta que temos uma mem\u00f3ria de guerra heterog\u00eanea. \u201cAs viv\u00eancias n\u00e3o se restringiram ao combate, ao tiro, \u00e0 bomba. Isso \u00e9 quase que uma tentativa de equalizar a nossa hist\u00f3ria militar com a hist\u00f3ria militar europeia, das grandes batalhas\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As hist\u00f3rias de guerras s\u00e3o m\u00faltiplas, assim como a identidade e a experi\u00eancia dos sujeitos que a enfrentaram. H\u00e1 aqueles que foram preparados, que largaram a enxada \u00a0pelo fuzil, que deixaram suas fam\u00edlias. H\u00e1 aqueles que tinham a expectativa de atravessar um oceano e (quase) todos tiveram a vida completamente modificada pela guerra. \u00a0Para a historiadora, o 11<\/span><b>\u00ba <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">R.I foi muito importante na forma\u00e7\u00e3o de todos os combatentes, uma vez que despertou um sentimento coletivo de pertencimento; uma das formas mais simb\u00f3licas de identifica\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>Em 2015, os alunos do curso de Jornalismo da Universidade Federal de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei, que atualmente est\u00e3o no 5\u00ba per\u00edodo, fizeram um <a href=\"https:\/\/www.mixcloud.com\/radioufsj\/document%C3%A1rio-her%C3%B3is-do-onze\/\" target=\"_blank\">radiodocument\u00e1rio<\/a> sobre\u00a0o tema.\u00a0Ou\u00e7a!<\/p>\n<p><b>FIM DA GUERRA<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ap\u00f3s o t\u00e9rmino dos conflitos, o som da Maria Fuma\u00e7a anunciava o retorno dos pracinhas \u00e0 S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei. A vit\u00f3ria sob as ang\u00fastias, os medos e as batalhas em prol do coletivo concedia a esses homens o t\u00edtulo de her\u00f3i. A recep\u00e7\u00e3o tumultuada denunciava a gratid\u00e3o e a ansiedade pelo regresso.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">TEXTO\/VAN: Juliana Paravizo<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, 5, \u00e9 comemorado o dia do Expedicion\u00e1rio. S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei guarda entre seus moradores, alguns dos ex-combatentes de Guerra, que foram para a It\u00e1lia na 2\u00aa Guerra Mundial. Confira:<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3925,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"cybocfi_hide_featured_image":"","footnotes":""},"categories":[109,8],"tags":[347,346,348],"class_list":["post-3923","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sao-joao-del-rei-microrregiao-de-sao-joao-del-rei","category-variedades","tag-dia-dos-expedicionarios","tag-feb","tag-segunda-guerra-mundial"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3923","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3923"}],"version-history":[{"count":14,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3923\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3974,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3923\/revisions\/3974"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3925"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3923"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3923"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3923"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}